terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Credo Apostólico*


ORIGEM

O Credo Apostólico, o mais conhecido dos credos, é atribuído pela tradição aos doze apóstolos.[1] Mas os estudiosos acreditam que ele se desenvolveu a partir de pequenas confissões batismais empregadas nas igrejas dos primeiros séculos. Embora os seus artigos sejam de origem bem antiga, acredita-se atualmente que o credo apostólico só alcançou sua forma definitiva por volta do sexto século,[2] quando são encontrados registros do seu emprego na liturgia oficial da igreja ocidental. De um modo ou de outro, parece evidente sua conexão com outros credos antigos menores; como os seguintes:

Creio em Deus Pai Todo-poderoso, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor. E no Espírito Santo, na santa Igreja, na ressurreição da carne.

Creio em Deus Pai Todo-poderoso. E em Jesus Cristo seu único Filho nosso Senhor, que nasceu do Espírito Santo e da virgem Maria; concebido sob o poder de Pôncio Pilatos e sepultado; ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao céu e está sentado à mão direita do Pai, de onde há de vir julgar os vivos e os mortos. E no Espírito Santo; na santa Igreja; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo.[3]

O Credo Apostólico, assim como os Dez Mandamentos e a Oração Dominical, foi anexado, pela Assembléia de Westminster, ao Catecismo. “Não como se houvesse sido composto pelos apóstolos, ou porque deva ser considerado Escritura canônica, mas por ser um breve resumo da fé cristã, por estar de acordo com a palavra de Deus, e por ser aceito desde a antigüidade pelas igrejas de Cristo.”[4]

TEXTO EM PORTUGUÊS

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.

NOTAS

* Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 178-79.

[1] Alguns chegaram a sugerir que cada apóstolo teria contribuído com um artigo.

[2] Schaff, Creeds of Christendom, vol.1, 20. Citado por A. A. Hodge, Outlines of Theology (Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 115.

[3] O primeiro desses credos provém, provavelmente, da primeira metade do segundo século. O segundo, conhecido como Credo Romano Antigo, provém da segunda metade do segundo século. Ver O. G. Oliver Jr., “Credo dos Apóstolos,” em Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. 1 (São Paulo: Vida Nova, 1993): 362-63.

[4] Citado por A. A. Hodge, Outlines of Theology, 115.

[5] Do Psalterium Aethelstani. Citado por Frans Leonard Schalkwijk, Coinê: Pequena Gramática do Grego Neotestamentário, 5 ed. (Patrocínio-MG: CEIBEL, 1989), 109.

Fonte: Monergismo

sábado, 24 de dezembro de 2011

Eric N. de Souza - Natal, um dia abençoado por Deus como outro qualquer



Natal. Não vou repetir aqui sobre sua origem pagã (onde muitos deixam de comemorá-lo por isto) porque na internet podemos encontrar vários artigos sobre isto. Não vou falar da mentira envolvida pela ilusão do Papai Noel que possui algumas características ou atributos divinos. Não vou falar sobre a oportunidade de falarmos nesta época da Palavra de Deus (onde muitos comemoram este dia), já que o mundo está “aberto” a ouvir sobre Jesus Cristo, afinal supostamente Ele é o aniversariante.

Vejamos, por mais que seja boa a intenção de passarmos que Jesus Cristo é o aniversariante do dia, pergunto: Ele nasceu neste dia? O aniversário Dele deve ser comemorado reunindo a família com uma mesa farta e trocando presentes? Estaria fazendo um evangelismo correto dizendo que neste dia devemos celebrar Jesus, tendo em vista as inverdades contidas nos pontos anteriores ora citados? Estaria eu agindo corretamente estimulando um suposto dia especial de Cristo numa data viciada pelo exagero mercadológico e marqueteiro que utiliza-se de um símbolo cristão (já em desuso) para não tornar-se mundano demais ou vender mais um pouquinho?

Todos os dias são os dias do Senhor, vivenciamos a cada momento de nossas vidas a lembrança da encarnação do nosso Senhor e Salvador e principalmente seu sacrifício vicário. Não preciso abusar ou usar de quaisquer meios para alcançarmos supostamente um fim desejado, pois no cristianismo os fins não justificam os meios. Sei que é um tema onde grandes teólogos tem suas opiniões divididas e quem sou eu para falar algo, mas para quem quiser ler, este é o meu ponto de vista. Nos valemos de tudo do mundo para adaptarmos o Evangelho, temos festa junina ou julhina gospel, discoteca gospel, luta livre gospel, shows de rock gospel, porque não aproveitamos o feriado de Nossa Senhora Aparecida e elaboramos um culto específico sobre a mãe terrena de Nosso Senhor para angariar algumas almas? Desculpem-me, mas na minha humilde opinião, não vejo tais celebrações com bons olhos. Temos que aprender a dizer não, a falarmos sobre o nosso ponto de vista, sem medo de sermos tachados: anti-sociais. Natal, um dia abençoado por Deus como um outro dia qualquer.

Agora, se quisermos trocar presentes e comer boa comida, beber refrigerantes e sucos, reunindo os familiares e amigos, estou nessa, só não mistifiquem o dia dizendo que é especial para Jesus ou para a evangelização, pois como falei todos os dias são iguais e é o Espírito Santo quem converte (não tendo eu que aproveitar data ou evento algum).

Porque não celebramos ou motivamos nossos familiares e o mundo a comemorar o dia da Reforma Protestante? Puxa, acho que não, caiu no mesmo dia do Halloween. E se fizermos um Halloween protestante? Iríamos evangelizar? Fica para cada um o seu próprio entendimento.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Os três propósitos da lei (Dt 13.10)


As Escrituras mostram que Deus pretende que sua lei funcione de três modos, que Calvino cristalizou, numa forma clássica para benefício da Igreja, como o tríplice uso da lei.

Sua primeira função é a de ser espelho que reflete para nós a perfeita justiça de Deus e a nossa própria pecaminosidade e deficiência. Como escreveu Agostinho, "a lei nos obriga a saber como pedir auxílio da graça, quando tentamos cumprir suas exigências e nos cansamos na nossa fraqueza sob ela". A lei foi dada para nos transmitir conhecimento do pecado (Rm 3.20; 4.15; 5.13; 7.7-11) e, mostrando-nos a nossa necessidade de perdão e o perigo da condenação, levar-nos a Cristo em arrependimento e fé (Gl 3.19-24).

Uma segunda função da lei - o uso civil - é a de refrear o mal. Ainda que a lei não possa mudar o coração, ela pode, até certo ponto, inibir as desordens com ameaça de julgamento, especialmente quando apoiada num código civil, que aplica punição a ofensas comprovadas (Dt 13.6-11; 19.16-21; Rm 13.3-4). Desse modo, ela assegura a ordem civil e serve para proteger os justos da ação dos injustos.

Sua terceira função é a de guiar o regenerado às boas obras que Deus planejou para ele (Ef 2.10). A lei diz aos filhos de Deus o que agrada ao seu Pai Celestial. Ela pode ser chamada de código da família. Cristo estava falando deste terceiro uso da lei, quando disse que os que se tornam seus discípulos devem ser ensinados a fazer tudo o que ele mandou (Mt 28.20) e que a obediência aos seus mandamentos provará a realidade do amor que seus discípulos têm por ele (Jo 14.15). O cristão está livre da lei como sistema de salvação (Rm 6.14; 7.4,6; 1Co 9.20; Gl 2.15-19; 3.25), mas está "debaixo da lei de Cristo", como uma regra de vida (1Co 9.21; Gl 6.2).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Declaração de Cambridge

As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica.

No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos "solas" da Reforma Protestante do século 16.

Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.

A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solo Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.

Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.

SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, o­nde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Um Chamado ao Arrependimento e à Reforma

A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. No princípio deste mesmo século, as igrejas evangélicas sustentavam um empreendimento missionário admirável e edificaram muitas instituições religiosas para servir a causa da verdade bíblica e do reino de Cristo. Foi uma época em que o comportamento e as expectativas cristãs diferiam sensivelmente daquelas encontradas na cultura. Hoje raramente diferem. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica, sua bússola moral e seu zelo missionário.

Arrependamo-nos de nosso mundanismo. Fomos influenciados pelos "evangelhos" de nossa cultura secular, que não são evangelhos. Enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmo que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.

Também apelamos sinceramente a outros evangélicos professos que se tenham desviado da Palavra de Deus nos assuntos discutidos nesta declaração. Incluímos aqueles que declaram haver esperança de vida eterna sem fé explícita em Jesus Cristo, os que asseveram que quem rejeita a Cristo nesta vida será aniquilado em lugar de suportar o juízo justo de Deus pelo sofrimento eterno e os que dizem que os evangélicos e os católicos romanos são um em Jesus Cristo, mesmo quando a doutrina bíblica da justificação não é crida.

A Aliança de Evangélicos Confessionais pede que todos os crentes dêem consideração à implementação desta declaração no culto, ministério, política, vida e evangelismo da igreja.
Em nome de Cristo. Amém.

Aliança de Evangélicos Confessionais.
Cambridge, Massachusetts
20 de abril de 1996.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Eric N. de Souza - Dizem amar Jesus

Quando afirmamos que o mundo, ou seja, os não cristãos, odeiam o cristianismo, as leis de Deus e o próprio Cristo, as pessoas sentem-se assustadas com as afirmações e logo retrucam: você está errado! Não é assim. E como não dispõem de argumentações coerentes, não falam mais nada, somente negam a afirmação feita e dizem amar Jesus. Pensam que estão sendo coerentes, mas mostraremos que não.

Vamos pensar que realmente tais pessoas amam Jesus, mas como este amor é manifestado? Conhecem o Jesus que dizem que amam? Para eles Jesus realmente existiu ou fala-se tanto dele que o aceitam para satisfazer a opinião pública, digo sociedade? Notamos que vagamente estas pessoas mostram algo realmente coerente para que elas possam afirmar como dantes seu amor por alguém que pouco ou nada conhecem.

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Os 4:6a)

Então, falamos da revelação de Deus na Escritura, e aí é que tudo complica, pois em seguida vém os questionamentos: “não é bem assim. Foram homens que escreveram no passado num tempo diferente. Foram homens, não Deus”. Embora elas acertem que foram homens que escreveram, erram ao desconsiderar a inspiração divina guiando os homens nos relatos escriturísticos. Embora acertem que a Bíblia fora escrita no passado, erram ao desconsiderar que as Escrituras não possuem validade, correspondendo ao passado, presente e futuro, a Palavra de Deus, simplesmente permanece. Embora acertem o tempo diferente referindo-se ao contexto em questão, erram ao desconsiderar a Palavra absoluta de Deus, a verdade máxima, inegável e irreversível que não muda com as diversas gerações e contextos – somente é substituída ou satisfeita naquilo que a própria Palavra indica (sacrifícios, festas sazonais, etc).

“mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada.” (1 Pe 1.25)

Portanto, aquelas pessoas que ora afirmavam sua certeza em amar Jesus e não ser contra o cristianismo, descartam a validade e a veracidade do livro que revela o caráter e a vida daquele que era o seu amado. Pergunto: Como ratificar que se ama algo ou alguém tendo dúvidas ou até mesmo convicção que o livro que revela tais instruções e informações para respaldar sua certeza é duvidoso? Ou seja, eles consideram incerta a fonte de seu conhecimento na qual obtém dados da pessoa amada e das questões morais e mesmo assim, o amam e dizem acreditar no cristianismo? Não existe coerência. Para afirmar algo é preciso ter certeza da veracidade da fonte em que este algo é conhecido ou pressupor sua auto autenticação.

"As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre" (Sl 119.160)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

John MacArthur Jr - A verdade bíblica exclusiva com autoridade


...Não obstante, parece que muitos dos líderes da comunidade evangélica, pessoas que são vistas e ouvidas, estão temerosos de afirmar a autoridade bíblica. Raramente o pregador evangélico fala claramente ao mundo com um autorizado "Assim diz o Senhor." Como é que nós chegamos ao ponto em que podemos aceitar como autoridade a opinião de um advogado, um médico, um arquiteto, mas não podemos tolerar a autoridade da Palavra de Deus?

Será que os evangélicos ainda acreditam sem reservas que a verdade bíblica tem autoridade divina? Evidentemente não. Tem se tomado moda falar sobre o choque entre verdade e erro como um "diálogo." Toda vez que um conflito se levanta entre o Cristianismo e outro ponto de vista, alguns líderes evangélicos convocam um diálogo com os defensores do outro ponto de vista. Na última década líderes evangélicos bem conhecidos têm patrocinado diálogos formais com uma variedade ampla de figuras religiosas não-cristãs, líderes de seitas, defensores de vários estilos de vida e representantes de praticamente todo ponto de vista que é hostil ao Cristianismo bíblico. 

Pouco após o evento terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos da América, uma de suas mais conhecidas igrejas evangélicas patrocinou um diálogo com um clérigo islâmico (imam) no culto de adoração do final de semana, ostensivamente para reunir cristãos e muçulmanos. "Eu achei muito interessante ver o quanto nós temos em comum," disse um membro da igreja a um repórter depois do culto. Outro disse que o diálogo com o imam tinha "aberto portas para comunicar e mostrou que os muçulmanos são gente do mesmo jeito que nós." Segundo o repórter que cobria o evento, aquelas respostas eram "o tipo de impacto que o pastor desejava."

Por quê tais diálogos sempre parecem minimizar as diferenças entre o Cristianismo e a falsa religião — e nunca traçar linhas de distinção mais claramente? 

A verdade bíblica é para ser proclamada com autoridade, não colocada na mesa para discussão apenas como uma alternativa possível entre outros pontos de vista. O conflito entre verdade bíblica e crenças rivais não é assunto para ser resolvido por meio de diálogo. Essa é uma guerra espiritual não uma festa descontraída. Ela deve ser vista como um combate não uma conversação. Nós recebemos ordens de destruir as fortalezas do pensamento anti-bíblico " ... e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus ... levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2Co 10.5).

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...Não há necessidade de buscar um terreno comum através de diálogo com proponentes de pontos de vista anticristãos, como se a verdade pudesse ser refinada pelo método dialético. É loucura pensar que a verdade dada por revelação divina precisa de qualquer refino ou atualização. Nem tampouco devemos imaginar que nós podemos encontrar os pontos de vista opositores em algum terreno neutro filosófico. O terreno entre nós não é neutro. Se nós realmente acreditamos que a Palavra de Deus é verdadeira, nós sabemos que toda oposição é um erro. E somos instruídos a não ceder qualquer espaço ao erro.

Textos extraídos de "Princípios para uma cosmovisão bíblica" da Editora Cultura Cristã.

sábado, 10 de dezembro de 2011

João Calvino - Por nossa força, pelo poder de Deus ou por ambos? Parte 2/ 2


Os mais astutos e mal-intencionados usam capciosamente os testemunhos da Palavra, alegando que nada disso impede que, como dizem eles, conjuguemos as nossas forças com a graça de Deus, e que, assim, ele nos ajuda em nossa fraqueza. Eles citam algumas passagens dos profetas onde parece que Deus repartiu o poder da nossa conversão entre ele e nós, como por exemplo esta: “Converte-me, e eu me converterei a ti”. Já demonstramos acima qual é o auxílio que temos de Deus, e não é necessário repeti-lo neste ponto, visto que a questão aqui não é mostrar que é em vão que os homens tentam pôr no homem a capacidade para cumprir a lei porque Deus nos manda obedecer a ela. Sim, pois nos é revelado que a graça de Deus é necessária para cumprirmos o que ele ordena, e que para esse fim sua graça nos é prometida.¹

Quanto à declaração recém-citada: “Converte-me, e eu me converterei a ti”, de nada serve para confirmar o erro dos nossos opositores. Porque não se deve entender pela conversão a graça com a qual ele renova o nosso coração para a vida santa, mas por ela Deus testifica a sua boa vontade e o Seu amor por nós fazendo-nos prosperar, como se diz que ele se afasta de nós quando ele nos aflige. Por isso, quando o povo de Israel sofria miséria e calamidade por muito tempo e se queixava de que Deus tinha se afastado, ele respondia que não lhes faltaria a benignidade, se eles retornassem ao reto caminho, e a ele mesmo, que é a norma de toda justiça. Será, pois, corromper essa passagem concluir dela que a eficácia de nossa conversão divide-se entre Deus e nós.

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¹ “Pela lei Deus exige o que lhe é devido, todavia não concede nenhum poder para cumpri-la. Entretanto, por meio do Evangelho os homens são regenerados e reconciliados com Deus através da graciosa remissão de seus pecados, de modo que ele é o ministério da justiça e da vida.” (João Calvino, Exposição de Segundo Coríntios)

Extraído de “As Institutas – Vol 1” da Editora Cultura Cristã.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

João Calvino - Por nossa força, pelo poder de Deus ou por ambos? Parte 1/ 2

...Muitas vezes, tanto na lei como nos profetas, o Senhor nos conclama a converter-nos a ele. Mas o profeta responde de outro ângulo: “Converte-me, e serei convertido, porque tu és o Senhor, meu Deus. Na verdade, depois que me converti, arrependi-me”,3 etc. também nos manda “circuncidar o nosso coração”, mas, por meio de Moisés, ele declara que essa circuncisão é feita por sua mão.4 Numerosas vezes ele exige dos homens um “novo coração”;5 mas testifica que é somente ele que o renova.6 Que dirão aqueles que recorrem aos preceitos de Deus para exaltar o poder do homem e extinguir a graça de Deus, sendo que vemos unicamente pela graça de Deus os preceitos cumpridos?

O segundo modo de ação dos preceitos que mencionamos é simples: levar-nos a honrar a Deus, a servir e apegar-nos à sua vontade, a observar os seus mandamentos e a seguir a sua doutrina. Mas há um sem-número de testemunhos segundo os quais tudo o que podemos ter da justiça, da santidade, da piedade e da pureza é dom gratuito e vem do Senhor.

Quanto ao terceiro gênero, temos exemplo na exortação de Paulo e Barnabé, que eles fizeram aos crentes, a que perseverassem na graça de Deus.7 Mas, noutro lugar, o apóstolo Paulo mostra de onde procede esse poder: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”. Por outro lado, ele nos proíbe entristecer o Espírito de Deus, no qual somos “selados para o dia da redenção”.8 Mas o que nessas passagens ele ordena, noutra ele pede em oração ao Senhor, sabendo que isso está fora do poder dos homens; ele suplica ao Senhor que torne os tessalonicenses “dignos de sua vocação”9 e cumpra neles o que ele tinha determinado por sua bondade, e que complete a obra da fé.

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3 Jr 31.18,19
4 Dt 30.6; [10.16]
5 Ez 11.19; 36.26; [18.31]
6 Jr 31
7 At 13.43
8 Ef 4.30; [6.10]
9 2Ts 1.11

Extraído de “As Institutas – Vol 1” da Editora Cultura Cristã.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

R.C. Sproul - Depravação total



...Há muito mal-entendido a respeito do que os reformadores queriam dizer com essa afirmação. A expressão usada frequentemente na teologia clássica reformada para referir-se à situação do homem é depravação total. As pessoas tendem a estremecer sempre que usamos essa expressão porque há uma confusão bastante difundida acerca dos conceitos de depravação total e depravação absoluta. A depravação absoluta significaria que o homem é tão mal e corrupto quanto poderia ser. Não creio que existe neste mundo um ser humano que seja absolutamente corrupto, e isso acontece tão-somente por causa da graça de Deus e do poder restringente da sua graça comum. Os muitos pecados que cometemos individualmente, poderíamos cometê-los com maior perversidade. Poderíamos cometer pecados mais horríveis. Ou poderíamos cometer um maior número de pecados. Logo, a depravação total não significa que os homens são tão maus quanto poderiam ser.

Quando os reformadores protestantes falavam sobre a depravação total, eles queriam dizer que o pecado – seu poder, sua influência, sua inclinação – afeta toda a pessoa. Nosso corpo, nosso coração e nossa mente são caídos – em nós não há nenhuma parte que escape da ruína de nossa natureza humana pecaminosa. O pecado afeta nosso comportamento, nossa vida, nossa conversa. Toda pessoa é caída. Essa é a verdadeira extensão de nossa pecaminosidade, quando julgada pelo padrão e norma da perfeição e santidade de Deus.

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...A razão para esse problema é o fato de que, ao descrever bondade e maldade, a Bíblia focaliza-as com base em duas perspectivas distintas. Primeira, há a norma de medida da Lei, que avalia a conduta externa dos seres humanos. Por exemplo, se Deus afirma que você não deve roubar, e você passa a vida toda sem roubar, com base numa avaliação externa, podemos dizer que você tem um bom registro. Você guardou a Lei externamente.

Mas, além da norma de medida externa, há também a consideração do coração, a motivação interna do nosso comportamento. Somos informados de que o homem julga pela aparência exterior, mas Deus examina o coração. Com base na perspectiva bíblica, fazer uma boa obra no sentido pleno exige não somente que a obra se conforme externamente com os padrões da Lei de Deus, mas também que proceda de um coração que ama a Deus e quer honrá-lo. Você recorda o grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37)

Extraído de “A verdade da cruz” da Editora Fiel

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

João Calvino - Deus deseja salvar todos?


“Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.3,4).

Isso é bom e aceitável. Havendo demonstrado que o mandamento que ele promulgara é excelente, agora apela para um argumento mais enérgico, a saber: que é agradável a Deus. Pois quando sabemos que essa é a vontade de Deus, cumpri-la é a melhor que todas as demais razões. Pelo termo, 'bom', ele tem em mente o que é certo e lícito; e, visto que a vontade de Deus é a regra pela qual devemos regulamentar todos os nossos deveres, ele prova que ela é justa, porque é aceitável a Deus.

Esta passagem merece detida atenção, pois dela podemos extrair o princípio geral de que a única norma genuína para agir bem e com propriedade é acatar a e esperar na vontade de Deus, e não empreender nada senão aquilo que ele aprova. E essa é também a regra da oração piedosa, a saber: que tomemos a Deus por nosso Líder, de modo que todas as nossas oração sejam regulamentadas por sua vontade e comando. Se essa regra não houvera sido suprimida, as orações dos papistas, hoje, não seriam tão saturadas de corrupções. Pois, como poderão provar que detêm a autoridade divina para se dedicarem à intercessão dos santos falecidos, ou eles mesmos praticarem a intercessão em favor dos mortos? Em suma, em toda a sua forma de orar, o que poderão apresentar que seja do agrado de Deus?

Daqui se deduz uma confirmação do segundo argumento, o fato de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos.

Pois, que seria mais razoável do que todas as nossas orações se conformarem a este decreto divino? Concluindo, ele demonstra que Deus tem no coração a salvação de todos os homens, porquanto ele chama a todos os homens para o conhecimento de sua verdade. Este é um argumento que parte de um efeito observado em direção à sua causa. Pois se "o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" [Rm 1.16], então é justo que todos aqueles a quem o evangelho é proclamado sejam convidados a nutrir a esperança da vida eterna. Em suma, visto que a vocação [do evangelho] é uma prova concreta da eleição secreta, então Deus admite à posse da salvação aqueles a quem ele concedeu a bênção de participarem de seu evangelho, já que o evangelho nos revela a justiça de Deus que garante o ingresso na vida.
A luz desse fato, fica em evidência a pueril ilusão daqueles que crêem que esta passagem contradiz a predestinação. Argumentam: "Se Deus quer que todos os homens, sem distinção alguma, sejam salvos, então não pode ser verdade que, mediante seu eterno conselho, alguns hajam sido predestinados para a salvação e outros, para a perdição." Poderia haver alguma base para tal argumento, se nesta passagem Paulo estivesse preocupado com indivíduos; e mesmo que assim fosse, ainda teríamos uma boa resposta. Porque, ainda que a vontade de Deus não deva ser julgada à luz de seus decretos secretos, quando ele no-los revela por meio de sinais externos, contudo não significa que ele não haja determinado secretamente, em seu íntimo, o que se propõe fazer com cada pessoa individualmente.

Mas não acrescentarei a este tema nada mais, visto o assunto não ser relevante ao presente contexto, pois a intenção do apóstolo, aqui, é simplesmente dizer que nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o evangelho a todos sem exceção. Visto que a pregação do evangelho traz vida, o apóstolo corretamente conclui que Deus considera a todos os homens como sendo igualmente dignos de participar da salvação. Ele, porém, está falando de classes, e não de indivíduos; e sua única preocupação é incluir em seu número príncipes e nações estrangeiros. Que a vontade de Deus é que eles também participem do ensinamento do evangelho é por demais óbvio à luz das passagens já citadas e de outras afins. Não é sem razão que se disse: "Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão" [SI 2.8]. A intenção de Paulo era mostrar que devemos ter em consideração, não que tipo de homens são os príncipes, mas, antes, o que Deus queria o que fossem. Há um dever de amor que se preocupa com a salvação de todos aqueles a quem Deus estende seu chamamento e testifica acerca desse amor através das orações piedosas.

E nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte obtemos a salvação senão da imerecida munificência divina? O mesmo Deus que já nos conduziu à sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça também a eles. Aquele que já nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas.

Fonte: O Calvinista

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Gary North - Como Deus pode garantir o bem para o Seu povo sem predestinar o bem?


Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8:28, ARA)

Todas as coisas? Isso significa cada e toda coisa? Isso é o que o texto diz.

Considere as implicações dessa promessa. Ela significa que toda a vida de uma pessoa regenerada está sob a garantia de Deus. Cada ato, cada decisão tem um significado. Mesmo atos maus têm um papel a desempenhar – uma parte que trabalha juntamente com todas as outras partes. O todo é assegurado; portanto, as partes devem ser igualmente asseguradas. Mas se as partes são asseguradas, de antemão, para se encaixarem num todo, isso não significa predestinação? De que outra forma Deus poderia garantir o resultado de “todas as coisas”? O que o versículo seguinte diz?

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Cristo poderia ter se tornado o primogênito entre poucos irmãos? Entre nenhum irmão? Deus diz que não. Cristo foi o primogênito entre muitos irmãos. Deus tinha predestinado a existência deles, no tempo e na eternidade. Pode algum homem – mesmo o indivíduo cuja conversão foi predestinada – anular a garantia de Deus? Como?

Resposta Questionável
“Quando Deus diz ‘predestinar’ Ele quer na verdade dizer ‘pré-conhecer’. Deus sabe de antemão quem O aceitará ou rejeitará (ou aceitará Sua graça, e então cairá da graça), e Ele garante o potencial para todas as coisas trabalharem para o bem. Mas Ele não garante o bem real. Ele apenas prevê o potencial para o bem.”
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Minha Resposta: O texto é claro. Todas as coisas cooperam para o bem. Não algumas – todas! A menos que o uso da palavra diga outra coisa, devemos tomar a palavra todas seriamente.

Então Paulo levanta o assunto da predestinação. Isso segue sua discussão de “todas as coisas”. Quão mais claro ele poderia ser? Deus garante todas as coisas porque Ele predestina todas as coisas para beneficiarem Seus seguidores. Sim, Paulo diz que Deus “de antemão conheceu” Seus seguidores, mas então diz que Deus predestina. O que predestinar significa? Paulo não diz que significa a garantia de todas as coisas (eventos) cooperarem para o plano global de Deus? Sua garantia faz sentido apenas dentro da estrutura de Seu poder soberano para fazer com que todas as coisas aconteçam de uma forma que produza o bem para aqueles chamados segundo o Seu propósito.

Presciência e predestinação andam de mãos dadas, diz Paulo. Você não pode ter um sem ter o outro. Pode alguém mostrar como a definição bíblica de presciência nega a predestinação?

Se “predestinação” significa “presciência” [conhecer de antemão], porque Paulo usa as duas palavras na mesma sentença?


Para estudo adicional: Dn. 2:20-21; 5:25-31;
Mt. 11:27; 20:15; 22:14; Lucas 10:22.

Fonte: 75 Bible Questions Your Instructors Pray
You Won’t Ask, Gary North, (Institute for
Christian Economics, 1988), p. 25-26.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
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