quarta-feira, 30 de março de 2011

Augustus Nicodemus - A incredulidade no púlpito

Crer naquilo que a Bíblia diz é um dom salvador de Deus. Aptidão para falar em público, não. Crer em Jesus Cristo como o Filho de Deus encarnado é obra salvadora da graça. Capacidade para administrar uma igreja, não. Receber os relatos bíblicos em fé e viver por eles é resultado da operação salvadora do Espírito de Deus no coração. Capacidade para liderar um culto e dirigir uma liturgia, não. Fé nos relatos bíblicos de milagres é graça especial aos eleitos. Poder intelectual e acuidade mental, não. 

É por isto que existem pastores e professores de teologia que são incrédulos. Pois para ser pastor e professor de teologia não é preciso fé. Tive um professor de teologia no mestrado que me confessou ter sido um agnóstico durante toda sua vida. Creu aos 65 anos de idade, durante uma enfermidade. Sua vida mudou. O famoso William Barclay, autor de um comentário em todos os livros do Novo Testamento, ao fim da vida confessou que nunca realmente creu em coisa alguma do Cristianismo.

Pastores e professores de teologia que não têm fé têm que ter outra coisa: a habilidade de separar mentalmente o que ensinam domingo na sua igreja daquilo que realmente acreditam, quando estão a sós com seus livros. Se não tiverem isto, até o que tem lhes será tirado. Pois se ensinarem na igreja o que realmente acreditam, dificilmente manterão seu emprego. Qual é a igreja que deseja ouvir um pastor que não crê nas Escrituras? As que quiseram, fecharam ou estão morrendo. As igrejas da Europa que o digam.

Por não ter fé, o pastor incrédulo tem que direcionar seu ministério e seu culto para áreas onde sua incredulidade passe mais despercebida. Daí, a liturgia formalista, o ritual litúrgico elaborado, as recitações, as fórmulas, os paramentos, as cores, os símbolos. Tudo voltado para ocupar os sentidos de maneira que a fé não faça falta. A mensagem deve evitar temas difíceis. O foco é em pontos morais, sociais e políticos.

Tive amigos que eram membros de uma igreja cujo pastor eu desconfiava que fosse incrédulo. Perguntando a eles como eram as pregações, descobri que o problema não era o que o pastor dizia, mas o que ele deixava de dizer, os temas que ele evitava, os assuntos que nunca mencionava, como a ressurreição de Cristo, a infalibilidade das Escrituras, a veracidade e confiabilidade da narrativa bíblica, o poder do Espírito para regenerar a natureza humana pecaminosa, a morte vicária de Cristo, a realidade da tentação e a necessidade de resisti-la. Era assim que ele aprendeu a sobreviver, evitando matérias de fé e pregando aquilo que um rabino, um mestre espírita ou líder muçulmano também pregaria, como a honestidade, o amor ao próximo e a necessidade de votar a favor do desarmamento.

Meu filho de 16 anos leu o draft deste post. “Papai, por que alguém gostaria de ser pastor se não tem fé? Não tem uma maneira mais fácil dele ganhar dinheiro?”. Pois é, pior é que não tem.

Postado originalmente por O Tempora, O Mores

Vincent Cheung - Não pregamos a nós mesmos

Pois não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. (2 Co 4.5)
Há um sentido no qual nunca devemos ser modestos na nossa pregação. Certamente não devemos fazer grandes afirmações sobre nós mesmos, mas em primeiro lugar não devemos pregar a nós mesmos. Na proclamação do evangelho, apresentamos Cristo como o merecedor de confiança e adoração. Declaramos Jesus Cristo como supremo. E se pregamos a ele e não a nós mesmos, seremos modestos sobre o quê? Nós o louvamos sem restrições, e sem medo de exageros.
Existe um lugar para a humildade, e isso está no fato de dirigirmos a atenção para ele e para longe de nós. Essa humildade é invisível, porque sempre que está presente e é bem sucedida, dirige o foco para o Senhor. Um constante autorrebaixamento, de tal forma que ninguém pode deixar de notar, é sinal que a pessoa já falhou. A verdadeira humildade se traduz em uma agressividade em nossa pregação porque se a nossa pregação é fiel ao seu tema, ela irá refletir a qualidade do que é pregado. Dessa forma, quando falamos de Jesus Cristo, temos que ser corajosos e impetuosos.
Ainda que sejamos fracos em nós mesmos, e por vezes nos aproximemos da tarefa com temor e tremor, nele somos fortes, e em nosso discurso exemplificamos a sua força e a sua verdade. Assim, com um tom de voz firme e estável, fazemos ostentações grandiosas. Proclamamos Jesus Cristo com um espírito indomável, não alimentado pela confiança em nós mesmos, mas pela nossa confiança nele. Ele é digno de ser declarado o Senhor de todos, e ele vive à altura das alegações que fazemos sobre ele.
No ministério do evangelho pregamos a Jesus Cristo como o Senhor, mas nos fazemos servos daqueles que nos ouvem. Existem falsas noções quanto ao que significa ser servos daqueles que recebem o nosso ministério. Elas se levantam de uma falha ao distinguir entre ser servos de homens e servos de Deus. “Servo” pode se referir a duas coisas diferentes. Jesus se fez servo de homens – ele disse que veio para servir e não para ser servido – mas nunca permitiu aos homens que o controlassem. Ele serviu aos homens, mas não obedeceu aos homens. Ele serviu aos homens no sentido que fez o que era bom para eles, mas só o fez sob a direção do Pai, e muitas vezes contra a vontade dos homens.
Um pai emprega um tutor para educar o seu filho, assim o tutor trabalha duro para o benefício da criança, mas a criança não tem autoridade para estabelecer o horário e currículo das lições. Antes, a criança tem que cooperar com o tutor ou enfrentar o desagrado do pai. Da mesma forma, quando pregamos o evangelho, nos tornamos servos daqueles que nos ouvem no sentido que trabalhamos duro em benefício deles, a salvação de suas almas. Mas ainda que sejamos servos deles, eles não são nossos senhores. Nós trabalhamos para o benefício deles, sob a direção do Senhor. É ele quem dita a nossa mensagem, nosso método e os nossos movimentos. Assim, a autoridade do pregador não é anulada, porém, mas antes estabelecida pelo seu papel como servo aos homens sob o comando de Jesus Cristo.
Alguns têm aplicado erroneamente a ideia de servidão a negócios, paternidade e liderança em geral, com consequências ridículas. O ensinamento bíblico implica que devemos ser gentis e condescendentes? Não. Ele implica que devamos ouvir a contribuição das pessoas? Ainda que em muitos casos seja bom receber contribuições, isso não vem da ideia de ser um servo aos homens. Servir não quer dizer algumas das coisas que as pessoas pensam que isso significa. Em todo caso, servir significa que devemos trabalhar com empenho para o benefício dos outros, e isso muitas vezes implica um exercício de poder de comando forte, mesmo contra os desejos e as sugestões daqueles a quem servimos. Somos servos de todos os homens, mas somente Jesus Cristo é o nosso senhor. A incapacidade de compreender essa simples distinção tem produzido inúmeros resultados antibíblicos e grotescos.
Fonte: http://www.vincentcheung.com/
Tradução: Claudino Batista Marra (marrajunior1@hotmail.com).
Postado originalmente em Monergismo

segunda-feira, 28 de março de 2011

Gordon Clark - A Trindade

por John Robbins
O cristianismo sempre teve seus oponentes, incluindo muitos que se professam cristãos. Alguns desses inimigos da fé menosprezam a doutrina e louvam a prática, exortando os cristãos a mais e mais ações em vez de aprendizado inútil, especulação e controvérsias doutrinárias causadoras de divisão. Ainda outros depreciam a doutrina e insistem que a santidade consiste em ouvir Deus como ele nos fala através da igreja, dos amigos e de nosso coração.
A estas pessoas, e aos cristãos enganados por elas, um livro inteiro sobre a Trindade deve ser um enigma. Por que alguém leria um livro como esse, sem falar em escrevê-lo? Alimentar os famintos e abrigar os sem-teto não são coisas mais importantes que entender a diferença entre homoousios e homoiousios? Quem afinal liga, pouco que seja, para sabelianismo e arianismo? Esquadrinhar o próprio coração não é mais importante que esquadrinhar um tratado sobre a Trindade?
Infelizmente para essas pessoas, elas estão enganadas, e erros como esse podem lhes custar suas almas. Cristianismo não é ação nem introspecção: é verdade. Cristianismo é doutrina, ensino, teoria, verdade; não é prática, ação ou alvoroço. Sem dúvida certo tipo de comportamento é resultado do cristianismo, mas o comportamento em si não é cristianismo. Confundir as duas coisas é cometer um erro tão sério quanto confundir justificação e santificação, fé e obras. Qualquer um confuso sobre esses pontos corre risco de inferno. Todavia é muito popular hoje em dia em alguns círculos alegadamente cristãos se enfatizar a ação e ignorar a doutrina, como se a ação fosse a coisa importante. Esse ponto de vista é estranho às Escrituras, que ensinam justificação por meio da fé somente e santificação por meio da verdade. O apóstolo Pedro, para citar apenas um exemplo, diz-nos que todas as coisas que pertencem à vida e à piedade vêm por meio do conhecimento de teologia. Todas as coisas. Mas a ênfase de Cristo, de Paulo, de João e de Pedro ― isto é, a ênfase de Deus ― no conhecimento encontra-se totalmente ausente na igreja cristã professante. Sentir e fazer, e não conhecer, têm primeiro lugar na vida da maioria das igrejas e cristãos.
Por vezes não cristãos, e até mesmo anticristãos, entendem o cristianismo melhor do que cristãos, ou pelo menos melhor do que aqueles que se pretendem cristãos, mas não o são. Um desses anticristãos que entendia muito bem a importância da doutrina de Deus viveu cem anos atrás. Ele escreveu:
Quando se abandona a fé cristã, subtrai-se de si mesmo também o direito à moral cristã. Esta não é absolutamente algo evidente em si: precisamos sempre enfatizar esse ponto, apesar dos cabeças-ocas ingleses. O cristianismo é um sistema, uma visão elaborada e total das coisas. Se arrancamos dele um conceito central, a fé em Deus, despedaçamos também o todo: já não temos nada de necessário nas mãos.
O autor dessas palavras é Friedrich Nietzsche, que odiava Cristo e tudo o que ele representava. Mas Nietzsche pelo menos entendia o que Cristo representava. É impossível dizer isso acerca de muitos cristãos hoje. Esperamos que este livro seja usado por Deus para preservar e proteger a sua verdade contra seus inimigos e pretensos amigos.
John Robbins
10 de dezembro de 1984
Fonte: The Trinity, de Gordon H. Clark. Futuro lançamento da Editora Monergismo.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – março/2011

Postado originalmente em Monergismo

sábado, 19 de março de 2011

Arthur Pink - A conversão do ladrão pela graça de Deus

Sua conversão ocorreu numa época quando, exteriormente, parecia que Cristo havia perdido todo o poder para salvar, seja a si mesmo ou a outros. Esse ladrão havia marchado ao lado do Salvador através das ruas de Jerusalém e o tinha visto sucumbir sob o peso da cruz! É altamente provável que, como sua ocupação fosse a de ladrão e assaltante, esse fosse o primeiro dia que em que ele punha seus olhos no Senhor Jesus e, agora que o via, era sob toda a circunstância de fraqueza e desgraça. Seus inimigos estavam triunfando sobre ele. A maior parte de seus amigos o havia abandonado. A opinião pública estava unanimemente contra ele. Sua própria crucificação foi considerada como totalmente inconsistente com sua messianidade. Sua condição humilde foi uma pedra de tropeço aos judeus desde mesmo o início, e as circunstâncias de sua morte devem ter intensificado isso, especialmente a alguém que nunca o havia visto senão em tal condição. Mesmo aqueles que tinham crido nele foram levados à dúvida por causa de sua crucificação. Não havia ninguém na multidão que estivesse ali com o dedo apontando para ele e gritando: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”.
E, todavia, não obstante tais obstáculos e dificuldades no caminho de sua fé, o ladrão apreendeu a condição de Salvador e o Senhorio de Cristo. Como podemos explicar tal fé e tal compreensão espiritual em alguém em circunstâncias tais como a que se encontrava? Como podemos explicar o fato de que esse ladrão agonizante tomou um homem em sofrimento, sangrando e crucificado por seu Deus! Não pode ser explicado senão por intervenção divina e operação sobrenatural. Sua fé em Cristo foi um milagre da graça!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vincent Cheung - Justificação por Cristo

"Desde o tempo de Adão, Deus tem estado salvando seus escolhidos dando-lhes fé em Cristo, e a salvação vem somente de Deus, que salva somente através de Cristo. A justificação é pela fé não no sentido de que você pode se salvar pela sua fé; antes, a doutrina ensina que você nada pode fazer para salvar-se, mas que você precisa depender totalmente de outro alguém para salvá-lo. Assim sendo, a doutrina está ensinando justificação não pela fé como tal ou por si mesma, mas está ensinando que a justificação é por Cristo somente. É Cristo quem te salva, e não a fé em si. A fé tem um papel porque é Cristo quem te salva dando-lhe a fé nele (Efésios 2:8-9, Hebreus 12:2)." *

* Trecho do livro "Comentário sobre Filipenses" de Vincent Cheung.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A imutabilidade de Deus e a eleição

Por Eric Nascimento de Souza
A imutabilidade é um dos atributos intrínsecos de Deus, algo inerente à Sua própria natureza (Ml 3.6). Por imutabilidade consideramos que o Senhor não muda, ou seja, pela Sua perfeição nada é acrescentado ou diminuído na Sua personalidade. Não há como Deus mudar de opinião – pois eternamente Seus propósitos determinados são perfeitos – Não há como Ele ser “pego desprevenido” – pois, Ele trabalha de dia e de noite e a tudo conhece e perscruta (Jó 28.24). Alguns poderiam pensar: Então, seria um Deus estático, observador de tudo o que já determinou? Não, é um Deus dinâmico que interage com Sua criação direcionando-os aos Seus santos propósitos (Jó 42.2 e Is 19.17; 41.4). Outros diriam: E as observações de tristeza e outros sentimentos que o Senhor revela em Sua Palavra? Seriam antropopatismos¹, uma forma de comunicação, para quem estiver lendo perceber Sua intenção, Sua posição e Seu entendimento; o que Lhe agradaria ou não. Seria a forma mais simples de se comunicar com Suas criaturas – mostrando “possíveis reações inteligíveis”, concedendo-Lhes instruções, advertências e correções (2 Tm 3.16).
Observe que pressupondo Sua imutabilidade ratificamos a eleição que por muitos é negligenciada. Uma pessoa poderia converter-se sem o conhecimento de Deus, deixando-Lhe surpreso? Não. Porque é Deus quem converte (Jr 31.18, Tt 3.7, Ef 2.8). Observe que não há como surpreendê-Lo, o Senhor não está observando estaticamente Sua criação, Ele age ativamente de acordo com a Sua vontade (Jo 1.13), portanto Sua imutabilidade permanece (não houve mudança de planos).  Uma pessoa já convertida poderia abandonar o Evangelho por um motivo qualquer, deixando-Lhe chocado? Não. Teríamos que supor erroneamente que houve apostasia² e que esta pessoa pudesse resistir a Deus. Portanto, esta pessoa nunca foi convertida – Deus não foi resistido. Não houve decréscimos nos eleitos por Deus, Seus números permanecem imutáveis e o tempo em que cada ser humano será chamado (ou não) permanece imutável, pois tudo é perfeito; e no caso específico, esta pessoa nunca foi chamada por Ele (pode ser chamada posteriormente, conforme os Seus planos).
 Acredito que as respostas negativas diretas (sem as argumentações) das perguntas anteriores seriam confirmadas pela maioria dos cristãos (e até alguns não cristãos); portanto, o raciocínio ou as inferências levam ao conceito da eleição e confirmam a imutabilidade ou vice-versa. Alguns ainda afirmariam: não é bem assim, Deus não elegeu ninguém, Ele conhece todos e já sabe (de antemão) quais serão aqueles que irão se converter e aqueles que não irão. Este é um argumento sem qualquer base bíblica para afirmá-lo. É uma mera suposição que contrasta diretamente com capítulos inteiros da revelação de Deus (veja Rm 9). Fora o fato especulativo deste argumento, tem-se alguns detalhes que não podem ser descartados para destruir tal declaração equivocada: Quem escolheu onde nascer? Melhor, quem escolheu nascer? Quando morrer? Qual família pertencer? Em que contexto social se encontrar? Qual país? Aspectos físicos? Será, que alguém diria “eu escolhi!” ou classificaria tais questões como pontos supérfluos no desenvolvimento de nossas vidas? Estes pontos – ausentes de nossas vontades – não seriam importantes para o nosso crescimento político-social-econômico? Para o contato com o Evangelho (há países que proíbem a pregação do Evangelho)? Então, quem os determina? O Senhor (1 Sm 2.6-8). Mesmo que nós tenhamos a nossa vontade de escolha, esta foi determinada por Deus, não foi uma escolha livre de Deus, foi uma escolha guiada (mesmo que sintamos liberdade em fazê-las) para os propósitos imutáveis de Deus (Is 48.17 e Pv 16.9).
Considerando o conhecimento e os planos de Deus como imutáveis (não podem ser melhorados ou alterados de quaisquer formas), Suas vontades e Seus princípios morais permanecem os mesmos. Sendo Sua vontade perfeita e totalmente santa e Seus princípios morais justos, temos que quaisquer determinações e ações diretas nos indivíduos e em seus ambientes são perfeitos, justos e santos para os propósitos divinos. A eleição torna-se bíblica e perfeita, pois não atende aos caprichos pessoais de um homem pecaminoso, mas a volição de um Deus Santo e bom. O cristão entendendo tal fato, torna-se consciente de sua segurança em Cristo, agradecido pela Sua misericórdia e ávido a proclamar este Deus ativo e soberano pelo mundo.
Concluindo, a imutabilidade de Deus relaciona-se perfeitamente com Sua eleição, já que Seus decretos são eternos (antes de nós), e correspondem a plenitude e a perfeição, não havendo como corrigi-los ou alterá-los ao longo do tempo. A eleição está definida, não pode ser alterada. Os que Deus escolheu pela Sua Graça serão Dele. A própria imutabilidade de Deus respalda esta afirmação. Portanto, tanto na eleição (escolha dos salvos e não salvos) como em quaisquer outros pontos doutrinários, Deus já determinara sua influência, permanência e execução; não havendo variações Nele (Tg 1.17).
¹ Atribui-se a Deus emoções, paixões e desejos humanos (Gn 6.6; Dt 13.17).
² Apostasia (em grego antigo απόστασις [apóstasis], "estar longe de") não se refere a um mero desvio ou um afastamento em relação à sua e à prática religiosa. Tem o sentido de um afastamento definitivo e deliberado de alguma coisa, uma renúncia de sua anterior fé ou doutrinação. Pode manifestar-se abertamente ou de modo oculto. Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Greg Bahnsen - Lei de Deus para a verdadeira justiça

Se ao Estado falta fundamento moral para impor a punição civil a alguém por transgredir uma lei pública, qualquer ação punitiva que exercer será reduzida a uma situação em que o mais forte suplanta os desejos do mais fraco. “Sem justiça, o que são os Estados se não grandes bandos de ladrões?”, questionou Agostinho. Sem o fundamento moral para o uso da força em situações específicas, o uso da pena capital por parte do Estado é indistinguível do homicídio, o encarceramento não é diferente do seqüestro e cobrar multa em dinheiro é igual ao roubo. Por isso, para que os nossos Estados não se tornem bestas sem lei (v. 2Ts 2.3; Ap 13.16,17), precisa haver limites objetivos e claros para a coerção legal, uma lei acima da lei civil à qual se pode apelar contra a injustiça e a opressão. Esse critério objetivo é a lei revelada de Deus em suas prescrições e penalidades civis para delitos. A lei de Deus nos capacita a distinguirmos de forma coerente, fundamentada em princípios, entre pecado e crime, moralidade pessoal e legalidade civil, ética social e ética política, assim como entre áreas em que o Estado pode legislar adequadamente e áreas em que não deve interferir.
Trecho do livro “Lei e Evangelho” de Greg L. Bahnsen. Este excelente livro pode ser baixado pelo Monergismo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Charles Spurgeon - Orações de Livre-Arbítrio*

Vocês têm ouvido muitos sermões arminianos, eu ouso dizer, mas nunca ouviram uma oração arminiana - pois os santos em oração se parecem iguais em palavra, ação e mente. Um arminiano de joelhos orará desesperadamente como um calvinista. Ele não pode orar a respeito do livre-arbítrio: não há lugar para isso. Imagine-o orando: "Senhor, eu Te agradeço que não sou como esses pobres calvinistas presunçosos. Senhor, eu nasci com um glorioso livre-arbítrio: eu nasci com poder pelo qual posso me voltar para Ti por conta própria; tenho melhorado minha graça. Se todos tivessem feito o mesmo que eu fiz com a Tua graça, poderiam todos ter sido salvos. Senhor, eu sei que Tu não nos fazes espiritualmente propensos se nós mesmos não queremos. Tu dás graça a todos; alguns não a melhoram, mas, eu sim. Haverá muitos que irão para o inferno, tantos quantos foram comprados pelo sangue de Cristo como eu fui; eles tinham tanto do Espírito Santo quanto me foi dado tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados como eu sou. Não foi a Tua graça que nos diferenciou; eu sei que ela fez muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros não - essa e a diferença entre eu e eles".

Essa é uma oração para o diabo, pois ninguém ofereceria tal oração. Ah, quando eles estão pregando e falando vagarosamente poderá haver doutrina errada: mas quando oram, a verdade escapa, eles não podem evitá-la. Se um homem fala muito devagar, ele poderá falar de modo refinado, porém, quando ele começa a falar depressa, o velho sotaque regional escapa.

E lhes pergunto: alguma vez conheceram um cristão que dissesse, "Eu vim a Cristo sem o poder do Espírito?” Se alguma vez encontraram tal homem, não precisam ter a menor hesitação em dizer: "Meu querido amigo, eu realmente admito isso - e acredito também que você se afastou dEle sem o poder do Espírito, que está em fel de amargura e no laço da iniqüidade".

Será que eu ouço um cristão dizendo: "Eu achei a Jesus antes que Ele me achasse; eu fui ao Espírito, e Ele não veio a mim"? Não, amados, somos obrigados; cada um de nós a colocar as mãos sobre os nossos corações e dizer:

"A graça ensinou minha alma a orar, E fez meus olhos transbordar,
Foi à graça que me guardou até este dia, E não me deixam escapar"

Há alguém aqui - ao menos um - homem ou mulher, jovem ou velho, que possa dizer: "Eu procurei a Deus antes que Ele me procurasse"?  Não, mesmo você que tende para o arminianismo cantara:

"Oh sim! eu amo a Deus
Porque Ele me amou primeiro".

* Trecho do excelente livro "Livre-Arbítrio: Um Escravo" de Charles Spurgeon, editado pela PES.