quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vincent Cheung - O Filho do homem

(Adaptado de correspondência de e-mail.)

13 Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele.
14 E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Dn 7:13,14)

O termo "filho do homem", por ser familiar, favorecia aos judeus, uma vez que estudavam os escritos proféticos, e uma vez que este era, obviamente, uma profecia significativa, referindo-se aquele que seria o rei eterno.

Referindo-se a si mesmo com o termo, Jesus se identificou como este "filho do homem" em Daniel. Este "filho do homem" aceita adoração (v. 14), e assim ele é divindade. Então, quando Jesus se referiu a si mesmo com este termo, afirmou sua própria divindade. Ele também afirmou sua humanidade pelo termo, uma vez que a autoridade universal foi "dada" a ele. Como o Filho de Deus, ele não precisaria disso, pois, como Deus, ele já teria a autoridade universal, mas Jesus como a encarnação de Deus recebeu autoridade universal em seu papel como Messias. Portanto, o termo implica uma doutrina cristã completa da encarnação, incluindo a divindade de Cristo.

Então, lemos em Mateus 26:

    O sumo sacerdote lhe disse: "Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o
Filho do Deus".

    Repondeu-lhe Jesus: É como disseste; contudo vos digo que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. (V. 63-64)

Jesus admitiu que ele era "Cristo, o Filho de Deus", e então ele chamou a si mesmo o "Filho do Homem" vinculando o recebimento de autoridade e sua vinda sobre as nuvens. Na Escritura nos é dito que Deus viaja nas nuvens: "És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o teu carro, que andas sobre as asas do vento" (Salmo 104:3), "Profecia acerca do Egito. Eis que o Senhor vem cavalgando numa nuvem ligeira, e entra no Egito" (Isaías 19:1a). Assim, Jesus afirmou que ele era o cumprimento da profecia de Daniel, que ele era Deus, e um para ser adorado.

A passagem é uma citação do que Jesus disse. Ele inclui tanto a confissão explícita de sua divindade quanto ao apelo ou linguagem profética que corresponde a uma outra confissão de sua divindade. Assim, em uma curta passagem, ele afirmou sua divindade, pelo menos, duas vezes. Há muitos outros textos para apoiar o fato de que Jesus confessou ser Deus, mas isso é suficiente para mostrar que ele realmente fez tal afirmação.

Portanto, a afirmação de que Jesus nunca reinvidicou ser Deus, mas insistiu em sua humanidade, chamando-se "filho do homem", mostra-se um mito e uma falsa interpretação crida e promovida por pessoas ignorantes. Não-cristãos são indiferentes à fé cristã. Eles pretendem ser especialistas da Bíblia, mas não podem realizar simples discussões sobre o que ela ensina. Este é outro exemplo que mostra que eles são, realmente, pessoas estúpidas e pecaminosas.

Traduzido por: Eric Nascimento de Souza
Fonte: http://www.vincentcheung.com/

terça-feira, 26 de julho de 2011

Yago Martins - Por que Deus não salva todos?

Para responder essa pergunta, primeiro, precisamos responder outra famosa questão: Deus deseja salvar a todos? Creio que a resposta bíblica é um sonoro “Não!”, pois se Ele quisesse, definitivamente, todos seriam salvos[1] :
Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (Jó 42:2). Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Dn 4:35). No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115:3; cf Ef 1:11).
Sabemos que Deus faz tudo que quer e que nada pode impedi-lO de cumprir Seus propósitos. Logo, se o plano dEle para a humanidade fosse levar todos os homens à salvação, Ele assim faria e nada – nem mesmo a escolha dos homens – impediriam Sua vontade. Assim, resumo meu argumento assim:

1. Deus faz tudo o que quer;
2. Nem todos serão salvos;
3. Logo, Deus não quer salvar todos.

Assim, aquele que discordar da afirmativa 3 só terá motivos para isso se considerar ou o ponto 1 e/ou o ponto 2 como errados. No primeiro caso, estamos tratando com alguém que nega a Onipotência de Deus; no segundo estamos tratando com um universalista – e em ambos os casos, temos estamos tratando com um herege.

Alguém pode tentar argumentar que Deus só pode fazer o que é logicamente possível e, com isso, tentar insinuar que Ele não poderia obrigar pessoas a livremente serem salvas. Eu concordo plenamente com esse conceito de onipotência: Deus só pode criar o que é logicamente possível – não existem coisas como um solteiro-casado, um círculo-quadrado ou um triângulo de dois lados; assim, Deus não pode criar essas coisas. Assim sendo, se o homem tem livre-arbítrio, Deus não pode fazer com que eles sejam salvos. Concordo, mas isso só leva a questão um pouco mais “para trás”: Se Deus queria que todos fossem salvos, por que Ele criou um mundo com livre-arbítrio? Se o propósito de Deus é a salvação de todos, ele poderia ter criado os homens literalmente impecáveis – assim como será nos céus. Então, se Deus deu um poder de decisão para o homem, essa é uma grande prova que Ele não desejava que todos fossem salvos. Então:

1. Deus sabia que nem todos seriam salvos se Ele entregasse o livre-arbítrio para o Homem;
2. Deus entregou livre-arbítrio ao Homem;
3. Logo, Deus não quer salvar todos.

Eu não acredito que a premissa 2 seja verdadeira, mas para os que acreditam, cabe a eles negar a primeira premissa para provar que a conclusão (3) está errada. Agora, deixe fazer algumas considerações sobre este tema.

Muitos ficam fortemente escandalizados quando estão frente a declarações como estas. Somos acostumados a pensar que o Plano Áureo de Deus no universo é o benefício do homem. Por exemplo, muitos daqueles que pregam sobre missões fazem um desserviço por motivar as pessoas com uma paixão pelo homem, ao invés de uma paixão por Deus que transborda aos outros. Como diz John Piper: “As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem”[2] .

Não é raro ouvirmos alguns filósofos, ao defenderem que vivemos no melhor mundo possível que Deus poderia criar, atribuírem isso a levar o maior número de pessoas a Cristo. William Lane Craig, em um debate com o famoso ateu Christopher Hitchens, declarou: “O propósito de Deus para a história humana é trazer o número máximo de pessoas, livremente, ao Seu Reino para encontrar salvação e vida eterna”. Essa declaração parece óbvia e inegável, mas a pergunta que faço é: o que a Bíblia diz sobre isso? Qual a resposta bíblica concernente ao propósito-mor de Deus para a humanidade?

Observando toda a Escritura, só posso concordar que a resposta para esse questionamento seria que, como diz John Piper, “o alvo principal de Deus é manter e demonstrar a glória do seu nome”[3], o que também é expresso por Jonathan Edwards: “A grande finalidade das obras de Deus, expressas na Bíblia de modo diverso, é, de fato, apenas uma; e essa finalidade única é mais apropriada e compreensivelmente chamada de A Glória de Deus”[4] . Essas não são apenas opiniões pessoais, mas considerações pautadas numa gama imensa de textos bíblicos[5] , como Isaias 48:
Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem (v. 9-11).
Essas são palavras fortes: “Por amor do meu nome… por amor do meu louvor… Por amor de mim, por amor de mim… como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem”. Se é por amor dEle próprio que Deus age, como podemos pôr os homens como o fim principal das ações do Senhor? Acho que um texto que mostra de um modo claro como o propósito final de Deus não é salvar o maior número de pessoas possível é Mateus 11:
Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. [...] E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje (v. 21,23).
Existe um ensino que, devido ao atual crescimento da filosofia molinista[6] , tem se propagado: se o Evangelho não chegou a um determinado lugar, é porque Deus sabia que aquelas pessoas não creriam na pregação. Creio que essa é uma explicação superficial. No texto citado, Jesus diz que se milagres tivessem ocorridos em Tiro, Sidom e Sodoma, eles teriam se arrependido e o julgamento não teria sido necessário. Deus sabia o que fazer para que eles cressem e Ele não fez. O mesmo acontece com os Fariseus. Veja a explicação de Jesus para o porquê de ele usar parábolas:
E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados (Mc 4:11,12).
Creio que não podemos entender isto satisfatoriamente se não tivermos em mente que o propósito final de Deus não é o homem, mas Ele próprio. Deus fará tudo para o louvor de Sua glória (Ef 1:6,12,14) e não para que o homem seja beneficiado. O problema é que nós pensamos que Deus deveria, sim, salvar aqueles homens e muitos outros que existiram no mundo. Como pode Deus deixar que homens pereçam se Ele podia salvar quem Ele bem entender? Isso não seria injusto ou malévolo?
Primeiro, precisamos lembrar que Deus tem toda a sabedoria.
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Rm 11:33-36).
Como podemos questionar ou acusar a Deus? Ele age como acha melhor para Seu Supremo propósito e nós, como seres desconhecedores dos intentos de Deus, não podemos questioná-lo. “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm 9:19-22).

Segundo, nossos padrões de justiça não podem ser aplicados a Deus. Se nós tivéssemos a oportunidade de salvar alguém da perdição do Inferno e não o fizéssemos, estaríamos cometendo um pecado terrível. Isso é certo. O erro está em tentar aplicar isto a Deus. Sabemos que o Senhor manda que não nos vinguemos, mas Ele vinga-se; Ele manda que não matemos, mas Ele mata; Ele manda que perdoemos todos, mas Ele não fará isso. Isso seria hipocrisia? Logicamente, não. Ele não é um homem nos dando regras que Ele próprio não segue, Ele é um Deus Soberano que não tem nossa mesma natureza e, por isso, vive em padrões que não podemos viver.
Sobre este ponto, precisamos considerar a justiça de Deus em não salvar todos. Muitos consideram que Deus deve salvar os homens e que Ele seria injusto em não fazê-lo. O que nos esquecemos de considerar é que o ser humano é mal e depravado (!), sendo merecedor do inferno. O livro de Provérbios diz claramente que aquele que justifica o ímpio é abominável ao Senhor (17:15), assim, se Deus simplesmente perdoasse os homens, Ele estaria cometendo uma abominação. É unicamente porque a culpa dos filhos dEle foi castigada em Cristo que podemos ser salvos de um modo justo, pois nossos pecados não ficaram impunes. Assim, se Deus escolhe deixar alguém continuar seguindo sua própria vontade (que é a de ir contra Deus, segundo Rm 8:5-8), Ele não está sendo injusto, pois os ímpios irão para onde escolheram ir: para longe de Deus.
Terceiro, Deus quer manifestar Sua glória tanto na salvação quando na condenação dos homens. Paulo explicita isso de um modo que poucos pregadores modernos têm coragem:
“Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer [...]. E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm 9:14-18,22).
Resumindo: Deus não salva todos porque a salvação dos homens não é Seu propósito final. Sua glória é o propósito final de tudo. Assim, Ele planeja manifestar Sua majestade tanto na salvação quando na condenação. Ele não é injusto em fazer isso porque nossos padrões não são aplicáveis a Ele e os homens merecem ir mesmo para o inferno.

Referências
[1] Alguns tentam usar I Tm 2:3-4 para defender que Deus quer salvar a todos. O problema aqui é que esses se esquecem de considerar o contexto da argumentação de Paulo, em que ele fala sobre homens de todos os tipos, e não todos os homens. Argumentei mais sobre isto em “Em Defesa da Expiação Eficaz”, que pode ser lido em teologiaevida.com
[2] PIPER, John. Alegrem-se os Povos: A Supremacia de Deus em missões. Editora Mundo Cristão, 2001.
[3] Idem.
[4] EDWARDS, Jonathan. The Dissertation Concerning the End for Which God Created the Worlf, The Works of Jonathan Edwards, vol. 1, organizado por Sereno Dwight (Edinburgo: Banner of Truth Trust), p. 119.
[5] Outros textos que embasam esta consideração são: Ef 1:4-6,12,14; Is 43:6,7,25;49:3; Jr 13:11; Sl 25:11;106:7,8; Rm 1:22,23;3:23,25,26;9:17,22,23;11:36;15:7; Êx 14:4,17,18; Ez 20:14;36:22,23,32; 2 Sm 7:23; 1 Sm 12:20-22; 2 Rs 19:34;20:6; Jo 5:44;7:18;13:31,32;16:14;17:1,24; Mt 5:16; 1 Pe 2:12;4:11; 1 Co 6:20;10:31; Fp 1:9,11; At 12:23; 2 Ts 1:8-10; Hc 2:14 e Ap 21:23.
[6] O Molinismo é a doutrina que afirma que Deus sabe o que qualquer pessoa livremente faria em qualquer situação onde Ele a criasse e, com isso, põe as pessoas em certas situações para influenciá-las até o limite de aquelas pessoas cederem ou não a tal influência.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vincent Cheung - Deus é amor


7. Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
8. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
9. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos.
10. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
11. Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.
12. Ninguém jamais viu a Deus; e nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado.
13. Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós: por ele nos ter dado do seu Espírito.
14. E nós temos visto, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo.
15. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.
16. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem permanece em amor, permanece em Deus, e Deus nele.
17. Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos também nós neste mundo.
18. No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. (1 Jo 4:7-18)

"Deus é amor" é um ensino muito popular, bem como um slogan, que foi tirado da Bíblia para afirmar o oposto do que a Bíblia ensina. A confusão resulta de um equívoco, onde os homens têm inserido idéias não-bíblicas de amor para o texto bíblico e, em seguida, inferem o que desejam disto. Assim, eles pensam que, porque Deus é amor, os homens não serão condenados ao inferno, ou que os homens podem permanecer ignorantes de Jesus Cristo ou mesmo rejeitá-lo com impunidade.

Suponha que eu diga, "Mr. Lee é a própria imagem de generosidade, uma vez que ele instituiu uma bolsa de estudos para enviar dez alunos para a faculdade." A partir daí, não seria certo declarar, "Mr. Lee é a própria imagem de generosidade e, portanto, sinta-se livre para entrar em sua casa e pegar o que quiser." O significado e a aplicação de generosidade são definidos e limitados pela afirmação inicial. Assim como não se pode alterar "dez" para "cinco milhões", ou "estudantes" para "mecânica", ou "faculdade" para "Japão", a declaração não permite interpretar generosidade de qualquer jeito.

Da mesma forma, assim como aprendemos que Deus é amor pela Bíblia, devemos também aprender o que é o amor da Bíblia. Se a Bíblia define e restringe o significado e a aplicação do amor, então não podemos inferir nada diferente ou além dos limites que ela estabelece com o termo. Uma vez que a Bíblia ensina que multidões de pessoas sofrerão a condenação, o amor de Deus é evidentemente compatível com o envio de pessoas para o inferno e sua tortura para sempre. Ou seja, independentemente do que a Bíblia designe por amor, não é algo que extingue o fogo do inferno. Isto pode ser o oposto daquilo que os não-cristãos pensam que o amor deveria ser, mas se eles roubam Mr. Lee, eles serão arrastados para a prisão do mesmo jeito. A prisão de Deus é um pouco mais quente.

Assim como a declaração inicial sobre a generosidade do Sr. Lee é específica e restritiva, "Deus é amor" também aparece em um contexto que define este amor. Da próxima vez que alguém disser: "Bem, afinal de contas, Deus é amor", talvez para justificar o pecado, a incredulidade e a heresia, pergunte a ele: "Onde está isso na Bíblia? Qual é o contexto do versículo? O que o amor significa nesse contexto? Diga-me!". Assim que seu queixo cair e os seus olhos ficarem atônitos, conte para ele o que eu irei mostrar para você.

João diz, primeiramente, no versículo 8: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." E então, ele imediatamente explica esse amor nos versos 9 e 10: "É assim que Deus mostrou seu amor entre nós: enviou o seu Filho unigênito ao mundo para que pudéssemos viver por meio dele. Este é o amor: Não fomos nós que amamos a Deus , mas que Ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados." Portanto, por "amor" João se refere ao envio de Jesus Cristo por Deus e da finalidade para enviá-Lo.

Ele diz que Deus enviou seu "Filho único", referente à divindade de Cristo, que por sua vez este envio refere-se à encarnação, a divindade sendo "enviada" para habitar na humanidade. E então ele diz que Deus enviou seu Filho para fazer "um sacrifício expiatório", ou propiciação "por nossos pecados." Assim, o próprio caráter deste amor assume a depravação humana e a ira divina, caso contrário, não haveria motivo para fazer expiação. A expiação implica a morte de Cristo, e uma vez que a Bíblia ensina que a ressurreição é a prova de que Cristo cumpriu este sacrifício e que Deus o aceitou, isto vincula também à ressurreição de Cristo.

João diz que isso é como Deus "mostrou o seu amor entre nós." Quanta particularidade esta afirmação contém é um ponto de discussão, mas é indiscutível que, quando João diz: "Deus é amor", ele refere-se a um amor que é inseparavelmente associado e definido pelo envio de Jesus Cristo e da obra redentora que ele realizou. Como o assunto é o amor de Deus, e desde que este amor é definido por sua obra de salvação através de Jesus Cristo, todas as outras passagens bíblicas que explicam a redenção se tornam relevantes, incluindo Romanos 9. Paulo nos mostra que o amor redentor de Deus implica muitas baixas. A passagem vai nos ajudar a ver o que é confirmado por João.

Paulo escreve: "Assim como está escrito: Amei Jacó, mas rejeitei Esaú "(Romanos 9:13). Ele menciona isso para fazer o ponto de que o amor de Deus em relação a nós é um amor redentor, não é indiscriminado, mas é dirigido a indivíduos específicos de acordo com a própria escolha de Deus. Assim, ele continua, "Pois ele diz a Moisés:" Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão "(v. 15). A demonstração desse amor é salvífico e específico.

Se o amor de Deus é direcionado para indivíduos específicos, o que este amor significa para os réprobos? Paulo responde: “E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;  para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? " (V. 22-24).

Ele afirma que Deus tem o direito de fazer algumas pessoas para fins nobres, e, neste contexto, isso significa para receber sua misericórdia, e que ele tem o direito de fazer algumas pessoas para uso comum, e isso significa a sofrer sua ira. O objetivo é resolver a questão da justiça - Deus pode fazer o que quiser. Então, Paulo explica a razão para a criação e a tolerância dos réprobos, que são "preparados para a destruição." Ele escreve que Deus escolhe "para mostrar sua ira e tornar conhecido o seu poder ... para fazer as riquezas da sua glória conhecida para os objetos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória."

Em outras palavras, uma vez que seu povo escolhido é salvo da ira de Deus e, portanto, nunca irão experimentar este aspecto da glória divina, Deus fez os réprobos para que ele possa mostrar tudo o que ele é, condenando-os, punindo-os e torturando-os no inferno. Isto procede de seu amor redentor. Ele faz isso justamente porque ele ama aqueles que ele escolheu para receber sua misericórdia. Se eu quero mostrar ao meu filho como sou hábil com um rifle, eu não vou  atirar nele. Não, eu vou atirar em um cervo ou em um urso, cuja vida é dispensável. E eu vou fazer isso porque eu amo meu filho e quero que ele saiba mais sobre mim.

Este é o amor de Deus, e este amor sempre vence, porque Deus sempre vence. E isso significa que, porque Deus é amor, os réprobos - aqueles que não são cristãos e continuarão a ser não-cristãos por causa da pré-ordenação de Deus - nunca poderão escapar do fogo do inferno. Não importa quão duramente não-cristãos se esforcem para salvarem-se, Deus vai pegá-los e enviá-los para o inferno, onde ele irá ativamente torturá-los com dor e angústia sem fim. O amor de Deus (para si, para seu Filho e pelo seu povo escolhido) garante a danação eterna e o sofrimento de todos os não-cristãos. Ele vai fazer com que isso aconteça.

Então, mais tarde em sua passagem, João diz mais uma vez: "Deus é amor; e quem permanece em amor, permanece em Deus, e Deus nele." (1 João 4:16 b). Como no exemplo anterior, esta passagem aparece dentro de um contexto que define o amor e restringe o seu significado e aplicação. Imediatamente, antes disso, ele escreve: "Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem" (v. 15-16a). O apóstolo de fato escreve que "quem vive no amor vive em Deus e Deus nele", mas nesse contexto isso se refere apenas a um tipo cristão do amor, um amor que afirma a teologia cristã: "Se alguém confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus vive nele e ele em Deus." O amor que devemos andar em um amor que "reconhece que Jesus é o Filho de Deus". Os cristãos só podem andar no tipo de amor que a Bíblia ordena.

Assim, no final, para Deus, o amor é inseparavelmente ligado ao envio de Jesus Cristo. E do nosso lado, o amor é inseparavelmente ligado ao nosso reconhecimento de Jesus Cristo. João acrescenta: "E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem." O amor de Deus nunca falha. Podemos contar com ele para nos salvar através de Jesus Cristo, e podemos contar com ele para condenar os incrédulos para o inferno. Isso é o que significa quando a Bíblia diz: "Deus é amor."

Traduzido por: Eric Nascimento de Souza
Fonte: http://www.vincentcheung.com/

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Natan de Oliveira - Muitos são chamados, mas poucos escolhidos

"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá prato e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." Mateus 22.13-14

Para quem tem uma visão pessimista do futuro da história da humanidade, este versículo bíblico que contém a frase "poucos escolhidos" é clássico como forma de explicar que a minoria será salva, e a grande e absoluta maioria (muitos chamados) estará no inferno.

É ou não é assim?

Tanto dispensacionalistas quanto amilenistas, ambos pessimistas quanto ao futuro da história e ambos crentes de que o mundo está numa caminhada crescente rumo à apostasia total, ambos os grupos crêem piamente que o muitos aqui estaria falando dos que se perdem, e o poucos estaria falando dos que recebem salvação eterna.

Será que é isto mesmo?

Vejamos...

Jesus começa a ensinar por parábolas e diz:

"O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bordas de seu filho." Mateus 22.2

Ensina que o convite para participar das bodas do seu filho, foi primeiramente direcionado aos judeus (de sangue) que na ocasião eram o povo escolhido dentre todos os outros.

Entenda o convite para fazer parte das bodas, como sendo o convite para fazer parte do Reino (da igreja espiritual invisível - existente mesmo na velha aliança, mas ainda não conhecida por este nome).

"E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir." Mateus 22.3

Os servos que faziam o convite, leia como sendo os profetas do Velho Testamento pregando ao povo de Israel (de sangue).

Os judeus na sua maioria (enquanto povo) rejeitaram o convite.

"Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevado já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram um para o seu campo, outro para o seu tráfico; E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram." Mateus 22.4-6

Mesmo não ouvindo os profetas, Deus envia o próprio Filho Jesus Cristo; e mesmo a este, os judeus da época crucificaram e não reconheceram como sendo o Messias profetizado pelos profetas, Deus então ira-se e envia exércitos aliados e liderados pelos romanos para atacar e destruir Jerusalém no ano 70.

"E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade." Mateus 22.7

Inicia-se então o período conhecido como história da igreja, e Deus envia então novos profetas e evangelistas para que preguem e estendam o convite para as bodas (fazer parte da igreja invisível) para todos os povos gentios, até então chamados de pagãos e que não faziam parte do povo escolhido (os judeus).

"Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes." Mateus 22.8-9

Este tempo de convite tem durado mais ou menos uns 2000 anos, e pessoas de todos os povos, tribos e nações, tem ouvido falar do Evangelho e estão sendo convidados a fazerem parte do Reino e se alegrar (bodas festivas) com o estabelecimento do Reino do Filho.

"E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa foi cheia de convidados." Mateus 22.10

Interessante começar a observar que o número dos participantes da igreja (da festa) vai se mostrando um número crescente, pois a festa foi ficando CHEIA de convidados...

"E o rei, entrando para ver convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu." Mateus 22.11-12

Importante fazer uma pausa aqui.

Meus irmãos dispensacionalistas crêem que as Bodas do Cordeiro (do filho) se darão em paralelo no céu, enquanto que aqui na terra se desenrola a Grande Tribulação, e que só participarão das Bodas do Cordeiro aqueles que estiverem preparados para o arrebatamento da igreja em dias próximos aos nossos dias de 2009.

Fica a pergunta.... Se para participar das Bodas do Cordeiro, precisa-se estar entre os arrebatados... Então como é que Jesus ensina que teve um que conseguiu entrar na festa sem estar trajado adequadamente? Será que ele teria sido arrebatado por engano........?

Voltando ao nosso texto.

Passados muitos anos, eu reputo que milhares e milhares, e a Bíblia mesmo me parece afirmar que serão mil gerações, o que dá uma conta de no mínimo 40 mil anos (numa vida de quarenta anos em média, multiplicado por mil gerações)...

"Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a MILHARES de gerações." Salmos 105.8

"Lembrai-vos perpetuamente do seu concerto e da palavra que prescreveu para MIL gerações." 1 Crônicas 16.15

Ao final deste MILÊNIO de gerações...

... Deus na pessoa de Seu Filho Jesus, retorna para terra e encontra os convidados preparados para o auge da festa, e dentre os muitos convidados (note que na ocasião da Segunda vinda do Senhor a festa estará CHEIA), vê UM homem que não estava trajado corretamente...

Paremos... Então a festa parece estar lotada de gente vestida corretamente, ou a festa parece estar lotada de gente vestida incorretamente?

O texto diz que quando da vinda do Senhor no fim dos tempos, UM só (dando a idéia de que serão poucos os não preparados e vivificados pela pregação do Evangelho) não estará corretamente vestido.

Então (IMPORTANTE NOTAR o contexto de onde sai o texto clássico do pessimismo escatológico quanto ao futuro da história), logo depois de o Senhor perceber que no auge da festa "um só" estava incorretamente vestido, ele diz:

"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá prato e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." Mateus 22.13-14

Qual a conclusão lógica da fala do Senhor?

1. Estaria falando ele que muitos são chamados PARA A PERDIÇÃO, mas poucos escolhidos PARA SALVAÇÃO?

2. Ou estaria falando ele que muitos são chamados PARA A SALVAÇÃO, mas poucos escolhidos PARA PERDIÇÃO?

Percebeu a diferença?

Se a festa estava lotada de convidados corretamente vestidos para as bodas e um só equivocadamente vestido, a interpretação correta é a 2, e por isto que somos otimistas quanto ao crescimento do Reino e o seu glorioso futuro.

E por isto especulamos que mesmo em números absolutos, num futuro de milhares de anos, e sendo vivificados em cada vez maior número, por ocasião do fim dos tempos, o número de verdadeiros eleitos e participantes da igreja neste mundo será muito, mas muito maior do que o número de perdidos, e por isto afirmo com otimismo que Jesus está a ensinar que muitos serão chamados para a salvação e poucos escolhidos para a perdição.

Se o correto fosse o inverso, muitos chamados para a perdição e poucos escolhidos para a salvação, então no auge da festa o Senhor teria que ter encontrado muitos vestidos incorretamente para a festa.

Fonte: Oliveira - Reflexões Reformadas

domingo, 17 de julho de 2011

C. H. Spurgeon - Perseverança dos santos

Se pudesse acontecer, Que uma ovelha de Cristo caísse da graça, Minha pobre alma inconstante e fraca, Cairia mil vezes por dia.

Se apenas um dos santos de Deus pudesse perecer, então todos poderiam perecer; se um daqueles que fazem parte da aliança pudesse se perder, então todos poderiam se perder. Dessa forma não haveria nenhuma promessa verdadeira no evangelho, a Bíblia seria uma mentira e não haveria nada nela digno da minha aceitação. Eu me tornaria um infiel imediatamente, se pudesse crer que um santo de Deus pode vir a se perder no final. Se Deus me amou uma vez, Ele me amará para sempre.
 
Extraído do livro "Deus não muda" da editora PES.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

John Hendryx - Uma Explicação Simples de Monergismo

Monergismo simplesmente significa que é Deus quem faz com que os ouvidos ouçam e os olhos vejam. É Deus somente quem dá iluminação e entendimento de Sua palavra para que possamos crer; é Deus quem nos ressuscita dos mortos, que circuncida o coração; abre os ouvidos; é Deus somente quem pode nos dar um novo senso para que possamos, por fim, ter a capacidade moral de contemplar Sua beleza e excelência inigualável. O apóstolo João registrou Jesus dizendo a Nicodemus que nós naturalmente amamos as trevas, odiamos a luz e NÃO VAMOS para a luz (João 3:19,20). E visto que nossa dura resistência a Deus está assim fixada em nossas afeições, somente Deus, por Sua graça, pode amavelmente mudar, sobrepujar e desarmar nossa disposição rebelde. O homem natural, aparte da obra despertadora do Espírito Santo, não virá a Cristo por si mesmo, visto que ele está em inimizade com Deus e não pode entender as coisas espirituais. Lançar luz nos olhos cegos de um homem não o capacitará a ver, visto que, como todos sabemos, a vista requer novos olhos ou alguma restauração de sua faculdade visual. Da mesma forma, ler ou ouvir a palavra de Deus por si mesmo não pode produzir fé salvadora no leitor (ou ouvinte), a menos que o Espírito primeiro “germine” a semente da palavra no coração, por assim dizer, que então infalivelmente originará a nossa fé e união com Deus. Como Lídia, a quem “o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia ” (Atos 16:14), Ele deve também dar ao Seu povo vida e entendimento espiritual se seus corações hão de ser abertos e assim se voltar (atender, responder) a Cristo em fé.

Definição

A definição do dicionário Century de monergismo pode ser útil:
“Na teologia, [monergismo é] a doutrina de que o Espírito Santo é o único agente eficaz na regeneração [o novo nascimento] que a vontade humana não possui inclinação para a santidade até ser regenerada [nascida de novo] e, portanto, não pode cooperar na regeneração”.

Etimologia

A palavra “monergismo” consiste de duas partes principais. O prefixo grego “mono” significa “um”, “único”, ou “sozinho”, enquanto o sufixo “ergon” significa “trabalhar”. Tomando juntos significa “o trabalho de um [indivíduo]”.
Então, para simplificar, monergismo é a doutrina de que o nosso novo nascimento (ou “despertamento”) é obra de Deus, o Espírito Santo somente, com nenhuma contribuição do homem, visto que o homem natural, de si mesmo, não tem nenhum desejo por Deus e não pode entender as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14, Romanos 3:11,12; Romanos 8:7; João 3:19, 20). O homem permanece resistente a todos os chamados externos do evangelho até que o Espírito venha para nos desarmar, nos chamar internamente e implantar em nós novas e santas afeições por Deus. Nossa fé vem somente como o resultado imediato do Espírito operando em nós ao ouvir a proclamação da palavra. Mas assim como Deus não nos força a ver contra a nossa vontade quando Ele nós dá olhos físicos, assim também Deus não nos força a crer contra a nossa vontade quando nos dá olhos espirituais. Deus nos dá o dom da visão e nós desejosamente o exercitamos.

Aplicação
Monergismo tira toda a esperança de nós mesmos, revela nossa falência espiritual, aparte de Cristo, e assim nos leva a dar toda a glória a Deus pela nossa salvação. Enquanto pensarmos que contribuímos com algo, mesmo com algo muito pequeno (como boas intenções), então ainda pensaremos que Deus nos salva por algo bom que Ele vê em nós e não em nosso próximo. Mas este não é claramente o caso. Nós somos todos pecadores e não podemos nos vangloriar em nada diante de Deus, incluindo o desejo de ter fé em Cristo (Filipenses 1:29, Efésios 2:8, 2 Timóteo 2:25). Pois, por que nós temos fé e o nosso próximo não? Considere isto. Nós fizemos um uso melhor da graça de Deus do que ele o fez? Nós somos mais espertos? Mais sensíveis? Alguém ama naturalmente a Deus?

A resta é “não” a todas as perguntas acima. É a graça de Deus que nos faz diferir do nosso próximo e é a graça de Deus que origina a nossa fé, não porque sejamos melhores ou tenhamos mais discernimento.
O fato é que quando o Espírito nos capacita para ver que falhamos em cumprir a santa lei de Deus, o homem se desesperará totalmente de si mesmo Então, como C.H. Spurgeon disse:
“... o Espírito Santo vem e mostra ao pecador a cruz de Cristo, lhe dá olhos ungidos com colírio celestial, e diz, “Olhe para aquela cruz. Aquele Homem morreu para salvar pecadores; você sente que é um pecador; Ele morreu para te salvar”. E então o Espírito Santo capacita o coração para crer, e para vir a Cristo”.
Para concluir, “...ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! senão pelo Espírito Santo” (1 Coríntios 12:3). ...que é o depósito que garante o que há de vir (2 Coríntios 5:5). Assim, deveria ser claro para nós que nem todos recebem esta benção redentora de Cristo. Deus a concede misericordiosamente a quem Ele quer, segundo o Seu soberano e bom propósito (Romanos 9:15-18; Efésios 1:4, 5). O resto continuará em sua rebelião deliberada, fazendo escolhas segundo os seus desejos naturais e assim recebendo a ira da justiça de Deus. Este é o porquê dela ser chamada “misericórdia” não leva em conta o que merecemos. Se Deus fosse obrigado a dá-la a todos os homens, então ela não mais seria misericórdia por definição. Isto não deveria nos surpreender...o que deveria nos surpreender é o amor maravilhoso de Deus, ou seja, que Ele salve um pecador como eu.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: http://monergismo.com