terça-feira, 30 de agosto de 2011

Vincent Cheung - 1 Coríntios 9:19-23


Tratemos agora com uma passagem bíblica popular, a partir da qual muitos derivam apoio para se desviar do padrão bíblico, e usam suas próprias estratégias antiintelectuais e assim chamadas criativas”.

Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas. Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da Lei, tornei-me como se estivesse sujeito à Lei (embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da Lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Fo tudo isso por causa  do  evangelho, para ser co-participante dele. (1Coríntios 9:19-23).

Por ora, precisamos observar somente um ponto para apresentar o tipo de uso impróprio sob discussão. Paulo diz: Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei. Por quê? A fim de ganhar os que não têm a Lei. Mas no meio da sua sentença, Paulo adiciona: embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de Cristo. Embora Paulo fosse sensível à cultura e pano de fundo daqueles que tentava alcançar, ele nunca comprometeu seu compromisso ou doutrina cristã. Ele explica que embora tenha se tornado como sem lei, ele de fato não era livre da lei de Deus. Paulo nunca mudou o conteúdo ou a apresentação do evangelho; ele meramente adaptava-se às condições culturais não-essenciais que não comprometiam o evangelho. Você não deve se tornar um drogado para alcançar os viciados em drogas, e você não deve se tornar uma prostituta para alcançar as prostitutas. Em vez isso, seguindo os apóstolos, você deve palestrar e argumentar com eles em favor do evangelho, acomodando-se aos seus ouvintes somente em queses não-essenciais.

É verdade que pessoas diferentes têm objões diferentes contra o evangelho, e neste sentido, adaptamos nossa mensagem de forma que nossa apresentação possa ter um efeito direto sobre a audiência. Contudo, permanece o fato que nossa resposta a qualquer objeção consiste de argumentos racionais, e o objeto de fé proposto a eles ainda são idéias e proposições da fé cristã. Portanto, todas as modificações em nossa apresentação são somente superficiais – podemos ajustar a forma da nossa apresentação, mas não o conteúdo ou abordagem essencial.

Por exemplo, uma pessoa que alega rejeitar o evangelho por causa de uma objeção científica precisa de uma resposta diferente daquela que rejeita o Cristianismo por causa de um compromisso anterior a uma falsa religião. Mas em ambos os casos, usamos argumentos intelectuais para atacar a resistência deles, e o que dizemos que eles creiam permanece o mesmo. Além do mais, no sistema bíblico ou pressuposicional de apologética, podemos refutar com sucesso ambos os tipos de objões com argumentos similares, apenas com alguns pequenos e superficiais

muitas coisas que podemos e deveríamos fazer para evitar diferenças culturais que impam o evangelho, sem comprometer nosso comprometimento para com a doutrina pura no processo, como Paulo indica nesta passagem. Dizer que deveríamos nos tornar tudo para com todos, como um argumento contra a visão intelectualista da apologética e do evangelismo, é algo sem sentido e irrelevante. Os cristãos podem ser sensíveis à cultura e pano de fundo da audiência, mas isto não resulta em qualquer mudança essencial em nossa abordagem e mensagem.

Atos 17:1-3, citado anteriormente, refere-se ao ministério evangelístico de Paulo em Tessalônica. Então, referindo-se ao seu ministério posterior em Corinto, a Bíblia diz: Todos os sábados ele debatia na sinagoga, e convencia judeus e gregos (Atos 18:4). Este versículo novamente descreve sua abordagem tanto para com judeus como gregos. Contra aqueles que desprezam a importância de ganhar argumentos, Paulo consistentemente argumenta em favor da fé cristã como um sistema verdadeiro e coerente de pensamento. Lucas escreve que Paulo debatia (argumentava, discutia, palestrava) com sua audiência, com o intento expresso de convencer” (Thayer: induzir alguém a crer mediante palavras) todos tipos de ouvintes.

Algumas pessoas dizem que não devemos argumentar com os jovens dos nossos dias, visto que a cultura deles é tão adversa ao discurso intelectual, que desprezariam completamente nossa mensagem se tentássemos arrazoar com eles. Em adição, visto que as pessoas de nossa gerão orientada a televisão e imagens têm uma atenção com duração de apenas poucos minutos, é ilusório esperar que as congregões suportem uma palestra como sermão com uma hora de duração, cheia de informação e argumentos teológicos e filosóficos.

Em resposta, devemos primeiro observar que o modo bíblico de pregar e ensinar a palavra de Deus é através de apresentações e argumentos intelectuais, e, portanto, esta abordagem é a nossa única esperança. Segundo, o próprio antiintelectualismo das pessoas é uma atitude anti-bíblica e pecaminosa que devemos repreender e corrigir – por meios bíblicos e intelectuais. Terceiro, quer saibamos ou não, a aversão deles a um pensamento aprofundado sobre as questões ultimas é em si mesmo uma conclusão intelectual extraída de premissas injustificadas e anti-bíblicas que eles aceitam implicitamente. Estas premissas se manifestarão à medida que pressionarmo-los a explicar e justificar a mentalidade antiintelectual e anti-bíblica deles, tornando rapidamente a situação numa confrontação intelectual. Em resumo, a própria crença de que um discurso intelectual é fútil é uma posição intelectual que o cristão deve desafiar.

É impossível destruir o antiintelectualismo se rendendo a ele abandonar a pregação doutrinária e as palestras teológicas de forma que possamos dar lugar à música, ao drama, à dança e à socialização somente serve para aumentar o problema. Não devemos dar às pessoas o que elas desejam, visto que desejam coisas errada; antes, devemos dizer-lhes o que a Escritura ordena que elas desejem.

Não devemos jogar fora nossa arma, a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17), simplesmente porque crentes iludidos e incrédulos hostis nos dizem que esta arma não é mais eficaz. Em vez disso, afirmamos que a palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12), penetrando profundamente nos corações dos homens.

*Trecho extraído do livro “A luz das nossas mentes” Ed. Monergismo.