segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Renato Vargens - O ano novo e os evangélicos supersticiosos



A virada do ano está se aproximando e com ela um monte de descabidas superstições. 

Pois é, lamentavelmente os evangélicos são tão supersticiosos quanto aos não cristãos, isto porque, influenciados por uma fé mística e sincrética, tem sido tomados pelas mais variadas crendices populares. Há pouco soube de um evangélico que  não admite entrar em 2013 sem que esteja vestido de branco, afinal de contas, branco é a cor da paz. Soube de outro que determinou que o ano novo não será bom, isto porque, termina em 13. Isso sem falar naqueles que comem lentilhas para prosperar.

Ora, o comportamento de alguns dos denominados evangélicos, cada vez mais se aproxima do comportamento daqueles que não confessam a Cristo como Senhor e Salvador. 

Prezado amigo, vamos combinar uma coisa? Isso não é cristianismo nem aqui nem na China. Ao ouvir as aberrações proferidas por esse povo chego a conclusão que suas mentes é de uma fertilidade fora do comum. Por favor alguém me diga de onde que esse pessoal tira tanta bobagem? Das Escrituras é que não são.

Veja bem, nós não somos regidos por superstições, não temos medo de gato preto, nem tampouco de passar embaixo da escada; nós não acreditamos em mal olhado;  olho gordo ou inveja santa. Nossa fé está em Cristo e é nele que confiamos e em virtude disso não necessitamos comer lentilhas, vestir branco, ou fazer promessas, até porque, absolutamente nada pode acontecer de mal na vida daquele que serve ao Senhor.

Isto posto, deixe a superstição, celebre a vida e um abençoado 2013.

Fonte: Renato Vargens

sábado, 29 de dezembro de 2012

François Turretini - O Espírito Santo pai de Cristo?


E daí podemos responder prontamente à pergunta formulada pelos socinianos - O Espírito Santo pode corretamente ser chamado pai de Cristo, uma vez que lemos haver aquele concebido este? Porque, uma vez que o título pai requer geração da substância do gerador (e a geração de uma natureza semelhante à sua) e nem uma coisa nem outra ocorre aqui, é evidente que o Espírito Santo não pode ser chamado pai de Cristo. Além disso, Cristo é chamado “sem pai” (apatōr, Hb 7.3) com respeito à sua humanidade; e Deus é chamado Pai – seu único Pai, e isso peculiarmente (Jo 1.18; 5.17). Um pai não procede do filho, nem é enviado e dado pelo filho, como lemos que o Espírito procedeu de Cristo e foi enviado e dado por ele. Ora, uma coisa é formar por seu próprio poder algo de matéria assumida de alguma outra fonte; outra é gerar de sua própria substância. O Espírito Santo fez a primeira, porém não a segunda (que pertence a um pai).

Fonte: “Compêndio de Teologia Apologética” da Editora Cultura Cristã

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal - Prudência e Intenção



O Natal é uma data cultural, pois sabemos que é comemorado por todos (cristãos e não-cristãos), sendo parte da tradição e não sendo revestido completamente de dados verdadeiros quanto ao seu dia. Por ser uma tradição e não uma ordenança divina, somos livres para participar ou não de suas comemorações da forma que entendemos ser prudente à Glória de Deus, afirmando os conceitos verdadeiros (o fato do nascimento de Cristo e seu significado - exceção à precisão do dia) e negando os falsos dados aderidos à data. Então, não nego que a data chamada "Natal" no calendário mundial possa ser comemorada mas sim, assevero o cuidado com a intenção por trás da comemoração, pois a mania de realizar certas decorações e praticar certas ações rotineiras vinculadas à data, poderão afetar o discernimento da liberdade cristã, escravizando-nos aos costumes festivos.

Feliz comemoração do nascimento de Cristo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Joel Beeke - Defendendo a Expiação Definida (Limitada)

Objeções respondidas1

As grandes objeções à expiação limitada são baseadas em considerações textuais e práticas. As objeções textuais incluem o seguinte:

1.   Textos em que a palavra mundo é usada para descrever os objetos da morte da morte de Cristo, como em João 3:16 e 1 João 2:2: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.

2.   Textos em que a palavra todos é usada para descrever os objetos da morte de Cristo, como em 2 Coríntios 5:15, “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”, Romanos 8:32, “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?”, e 1 Timóteo 2:4-6, que fala de Cristo dando a si mesmo como um “resgate por todos”.

3.   Textos que parecem indicar que alguns por quem Cristo morreu podem perecer. Um texto, é Romanos 14:15: “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” Outra, 2 Pedro 2:1, em que o apóstolo fala de falsos mestres que negam o Senhor “que os resgatou”.

Quando estes textos são tratados com cuidado e honestidade, considerando seu contexto e a intenção do autor e comparando a Escritura pela Escritura, problemas aparentes são quase sempre prontamente resolvidos2. Por exemplo, a palavra grega para o mundo (kosmos) pode ter vários significados nas Escrituras. Às vezes, ela se refere aos eleitos do mundo, significando ambos os judeus e gentios; às vezes, refere-se ao público que cercava Cristo, especialmente os judeus; por vezes, se refere a todos os tipos de pessoas, tais como reis e súditos; às vezes, se refere à humanidade sob o justo juízo de Deus ou ao reino das forças do mal, tanto angelicais como humana, relacionados com a terra; às vezes, ele se refere à criação, ou a própria terra, ou, no sentido clássico, a um universo ordenado, e às vezes ela, simplesmente, se refere a um grande número de pessoas3.

Quanto a textos específicos, João 3:16 não reflete sobre a extensão da expiação; em vez disso, a chave para João 3:16 está no propósito do versículo 17: a fim de que “o mundo através dele pudesse ser salvo.” Mundo não está se referindo a todos, mas ao mundo sob julgamento e condenação. B. B. Warfield diz que kosmos não é usado em João 3 para sugerir que o mundo é tão grande que é preciso uma grande dose de amor para envolvê-lo, mas que o mundo é tão ruim que é preciso um tipo grande de amor para amá-lo em tudo, e muito mais para amar como Deus amou-o quando ele deu o seu Filho pelos pecadores.

Em 1 João 2:1-2, o apóstolo está dizendo que a defesa de Cristo diante de Deus é tão completa que é suficiente para os pecados do mundo. Ele também está dizendo que o sacrifício que Cristo fez não foi só para os judeus ou para um pequeno grupo de crentes do primeiro século, mas para as pessoas de toda tribo, língua e nação através de todos os tempos. John Murray fala sobre o universalismo étnico do evangelho mostrando que aqueles por quem Cristo morreu estão espalhados entre todas as nações. Abraham Kuyper mostra que a palavra grega traduzida "para" (peri, não hiper) significa “apropriado para” ou “com relação a”. Assim, o significado do grego pode ser que Jesus é a propiciação suficiente que nós e o mundo inteiro necessitamos - ou, da mesma forma que Jesus é a nossa propiciação, assim o mundo inteiro necessita desta mesma propiciação4.

Quanto aos textos que usam a palavra todos, 2 Coríntios 5:14-15 usa todos no contexto da unidade da morte e ressurreição. Cristo ressuscita para aqueles em união com ele, por isso, sua morte deve ser pensada naqueles mesmos termos5. Mesmo a frase “entregou por todos nós”, em Romanos 8:32 está no contexto da pré-ordenação de Deus do seu povo (vv. 28-30) e da intercessão de Cristo para com os eleitos (vv. 33-39). As palavras “Resgate por todos” em 1 Timóteo 2:4-6 estão claramente definidas no contexto de orações que estão sendo oferecidas para todos os tipos de pessoas (vv. 1-2). Desde que a palavra todos nem sempre signifique todos os indivíduos pela linguagem grega ou inglesa, não há razão para concluir que todos nos versículos 4 e 6 se refere a cada pessoa.

E sobre os textos que parecem falar de crentes que caem da fé? O contexto de Romanos 14:15 mostra que o apóstolo não está falando de um irmão por quem Cristo morreu apostatando-se da fé por completo, mas de alguém que se sentiu esmagado por um companheiro cristão que se tornou tal como uma pedra de tropeço na sua vida de fé e que iria começar a percorrer o caminho que leva à destruição. E 2 Pedro 2:1, provavelmente, se refere a falsos mestres que tinham sido membros nominais da igreja, mas que em suas ações, estavam negando o Salvador que uma vez professaram, mas que nunca conheceram de verdade. Eles podem ter tido uma fé histórica, ainda que temporária e milagrosa, mas nunca possuíram a verdadeira fé salvadora6, por eles rejeitarem o Salvador e “tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados” (1 Pedro 2:8). Certamente, Cristo não resgatou os que foram ordenados para serem desobedientes!

A maioria das principais objeções práticas para a expiação limitada pode ser resumida em duas perguntas:

Como pode a expiação ser gloriosa se for limitada a alguns? Esta questão, realmente, tem dois aspectos. O primeiro é a falsa ideia de que Cristo morreu por um pequeno remanescente de pessoas. Ambos, os Cânones de Dort e a Segunda Confissão Helvética, rejeitam essa conclusão com base em passagens bíblicas que dizem que o céu vai abrigar uma grande multidão de pessoas redimidas que nenhum homem pode contar, de toda espécie, tribo, língua e nação (Ap 7 :9-17).7

O segundo aspecto é a falsa ideia de limitação na expiação. Como Charles H. Spurgeon mostrou, é o arminiano e não o calvinista que limita a redenção de Cristo:

Os Arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Pergunte a eles o que eles querem dizer com isso. Cristo morreu para assegurar a salvação de todos os homens? Eles dizem: Não, certamente não. Fazemos a seguinte pergunta: Cristo morreu, de modo a assegurar a salvação de qualquer homem em particular? Eles respondem: “Não”. Eles são obrigados a admitir isso se eles são consistentes. Eles dizem: “Não, Cristo morreu para que qualquer homem pudesse ser salvo se” - e então, seguem-se determinadas condições de salvação. Dizemos, então, que nós iremos voltar ao Velho Testamento – Cristo morreu para que uma incerteza garantisse a salvação de alguém? Você deve dizer “não”. Então, você é obrigado a dizer que para você, mesmo depois que um homem foi perdoado, ele ainda pode cair da graça e perecer. Agora, quem é que limita a morte de Cristo? Por que, você. . . Você é bem-vindo à sua própria expiação; você pode mantê-la. Nós nunca vamos renunciar a nossa pela segurança que há neste argumento.8

O calvinista ensina que a salvação é certa para cada homem, mulher, adolescente, menino ou menina que vem ao Senhor Jesus Cristo. Ninguém deve ser lançado fora (João 6:37). O calvinista diz: “Em sua expiação, Jesus construiu uma ponte entre as profundezas da minha depravação para Deus e o céu, e, através do envio de seu Espírito, vai trazer cada pecador, para quem a ponte foi colocada, ao caminho da glória”. Esta declaração é a essência do evangelho. Deus não vai falhar em reunir cada um de seus eleitos. Não haverá lugares vazios no céu.

Os arminianos dizem que a expiação só faz a salvação ser possível. Ao fazer isso, eles limitam muito a eficácia do sangue do Filho de Deus que foi derramado. Um arminiano coloca desta forma: “A expiação seria tão eficaz e gloriosa a Deus se o pecador, alguma vez, se apropriar dela”. Na visão arminiana, a expiação criou a possibilidade de salvação, mas os homens devem completar a ponte, exercendo seu próprio livre-arbítrio.9

Como você pode pregar o evangelho a todos os homens sem distinção, se Cristo não morreu para salvar a todos? Em outras palavras, se você não pode chegar a um pecador e dizer: “Cristo morreu por você”, como você pode pedir para ele acreditar no Senhor Jesus Cristo? O Calvinismo enfraquece o zelo evangelístico? Deixe-me oferecer três respostas. Primeiro, o conteúdo do evangelho não é dizer às pessoas que Cristo morreu por esta ou por aquela pessoa específica. Não há um exemplo na pregação do livro de Atos, privada ou pública, onde o evangelho apostólico diz que Cristo morreu para um indivíduo específico. O evangelho diz que Deus enviou seu Filho, que viveu, morreu e ressuscitou. Essa é a salvação adequada para o mais vil dos pecadores, pois a promessa é: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.

Segundo, a visão calvinista da expiação garante o sucesso da evangelização. O eleito será salvo, infalivelmente, através da pregação do evangelho, pois Deus determinou que assim seria através da aliança eterna da redenção estabelecida entre as pessoas da Trindade. Em sua soberania, graça e amor, o Pai escolheu certas pessoas (Rm 9:11-13; Ef 1:4) a quem ele deu o seu Filho (João 6:37, 39; 17:6, 24) que, por sua vez, comprometeu-se a realizar a redenção, obedecendo, perfeitamente, os preceitos da lei moral de Deus representando-os (obediência ativa) e pagando a penalidade devida por eles pela desobediência à lei (obediência passiva). Assim, Deus pode ser justo e justificador dos que creem em Jesus (Romanos 3:26). Sob a aliança trinitária, o Espírito é enviado ao mundo pelo Pai e pelo Filho (João 15:26; 16:5-15) para aplicar a obra salvadora de Cristo aos eleitos.

Precisamos lembrar que a vontade pactual e decretiva de Deus é eficaz e que os propósitos de Deus são realizados. A expiação de Cristo é a obra que ele comprometeu-se desde a eternidade. A expiação definida flui para o propósito eletivo de Deus e uni-se, totalmente, com outras doutrinas da Cristologia que se baseiam na eternidade, tais como: as doutrinas de Cristo como o segundo Adão, o seu trabalho sacerdotal e o seu papel no pacto.

O conhecimento de que os eleitos serão reunidos pelo segundo Adão (João 17:12; Rm 5:12-19) faz os calvinistas ousados no evangelismo. Eles, também, são pacientes, sabendo que Deus vai salvar os pecadores no seu tempo e através do trabalho sacerdotal de Cristo (Isaías 55:10-11). Eles são zelosos, sabendo que a glória de Deus virá (1 Coríntios 1:27-31) e piedosos, sabendo que apenas ele pode e irá realizar a salvação como um Senhor sempre fiel e mantenedor do pacto (Ef 2: 1-10).10 Quase todos os grandes e zelosos evangelistas desde a Reforma do século XVI ao início do século XIX, antes de Charles Finney (1792-1875), se comprometeram com a expiação definida enraizados nesta teologia da aliança centrada em Deus. Será que alguém ousaria dizer que George Whitefield faltou em zelo evangelístico na sua pregação do evangelho? Alguém diria o mesmo de Charles Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards ou Asael Nettleton? Cada um desses grandes evangelistas criam em uma concepção definitiva da obra expiatória de Cristo e corajosamente anunciavam Cristo como o Salvador oferecido gratuitamente a todos aqueles que se arrependiam e criam.11

Terceiro, enquanto não podemos compreender plenamente, com nossas mentes finitas, como conciliar uma expiação limitada e definitiva pelo sangue todo-suficiente de Cristo e um convite universal para crer, assim como é o padrão das Escrituras e a maneira de Deus (João 6:37-40). Além disso, uma vez que a expiação não é limitada em si mesmo, ainda que seja no seu objetivo, e uma vez que a promessa é que todos que, pela fé verdadeira, venham a Cristo para a salvação certamente serão salvos (Rm 10:13), a expiação limitada não é incompatível com a chamada universal à fé.
Esta é também a posição dos Cânones de Dort. Afirmando que o sangue de Cristo é derramado efetivamente apenas para aqueles “que foram desde a eternidade escolhidos para a salvação e dados a Ele pelo Pai” (Capítulo II, Art 8), os Cânones aconselham:

A promessa do Evangelho é que todo aquele que crer no Cristo crucificado não pereça, mas tenha vida eterna. Esta promessa deve ser anunciada e proclamada sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus em seu bom propósito envia o Evangelho, com a ordem de se arrepender e crer. (Capítulo II, Art 5).

Roger Nicole diz que o nosso grande problema em entender expiação definida é que pensamos que condições similares são necessárias para uma oferta sincera de qualquer espécie, isto é, Cristo teria que ter morrido por cada pessoa que fosse oferecida a salvação Nele. Nicole diz que esta premissa é falsa, mesmo em assuntos seculares:

Por exemplo, os anunciantes que oferecem produtos nas páginas de um jornal não esperam que se exijam deles um estoque nas mesmas condições dos números de circulação do jornal. Realmente, o único requisito para um convite sincero é este - que, se as condições forem cumpridas, aquilo que é oferecido será realmente concedido.12

Jesus diz: “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). Ao contrário das lojas com estoque limitado, o estoque de Jesus nunca se esgota.

William Symington argumenta da mesma forma:

Afirmamos que o sacrifício do Senhor Jesus possuía um valor intrínseco suficiente para a salvação de todo o mundo. Neste sentido, foi suficiente para o resgate de cada ser humano. . . O valor da expiação de Cristo que nós asseguramos é, no sentido mais estrito do termo, infinito, absoluto, todo-suficiente. . . Este todo-suficiente é o que estabelece as bases para a universalidade irrestrita do chamado do evangelho. . . 13

Symington conclui:

Deixem os pecadores, em toda parte, conhecerem que se eles perecem, não é porque não há mérito suficiente em Cristo para atender a todas as exigências da lei e da justiça contra eles. Deixe-os voltar e aceitar o chamado urgente, sincero e singular para a vida e a salvação, por mera gratuidade da parte de Deus: “Quem quiser, tome a água da vida”.14

Se, pela graça, você toma esta água da vida, você será salvo. Nenhum daqueles que creram no Senhor Jesus Cristo jamais pereceram. A mensagem do evangelho é: “A ponte está concluída. Cristo irá permitir-lhe colocar o seu peso sobre ele, e ele vai levá-lo em toda a extensão. Ele recebe todos os que vêm. Confie nele”.

Sem a fé, a expiação de Cristo não nos é agradável. Nós somente experimentamos os benefícios da realização de Cristo quando nós, com as nossas mãos vazias, aceitamos Cristo. A boa notícia é que a expiação foi alcançada antes que nós exercêssemos a fé (Romanos 5.5-11). A reconciliação está lá para ser recebida; e pela graça, nós recebemos, quando Cristo, pelo Espírito Santo, nos atrai para si.

Redimidos pelo Sangue Precioso

O Arminianismo e o Calvinismo estão baseados em diferentes premissas. Os calvinistas acreditam em uma expiação definida, no qual afirma que Jesus Cristo realmente resgatou todos que ele pretendeu resgatar através da sua morte vicária. Como Tom Ascol diz:

Assim como o sumo sacerdote, sob a antiga aliança, usava os nomes das doze tribos de Israel em seu peitoral ao executar o seu serviço sacrificial, o nosso grande Sumo Sacerdote, sob a nova aliança, tinha os nomes do Seu povo inscrito no seu coração, sendo assim Ele ofereceu a Si mesmo como um sacrifício para seus pecados.15

Ninguém que pertence a Cristo será perdido.

Nicole disse, várias vezes, que quando calvinistas declaram que acreditam numa expiação limitada, arminianos podem proclamar uma expiação ilimitada, mas quando calvinistas proclamam uma expiação definida, nenhum arminiano quer reivindicar uma expiação indefinida.16 Apesar de expiação definida ou redenção particular serem expressões melhores que expiação limitada, não nos esqueçamos de que cada calvinista e arminiano, na verdade, acredita em uma expiação limitada. Como Ascol ressaltou: “a visão arminiana, alegando que a expiação é ilimitada em sua extensão, é forçada a concluir que ela é limitada em sua eficácia. Ele não conseguiu realizar o seu propósito universal”.17 Spurgeon, também, descreve esta falha:

Muitos religiosos. . . acreditam em uma expiação para todos, mas então, sua expiação é somente isso. Eles acreditam que Judas foi perdoado assim como Pedro, pois eles acreditam que os condenados no inferno eram tanto um objeto de satisfação de Jesus Cristo como o salvo no céu; e apesar de não dizerem em palavras adequadas, mas é o que significa por uma inferência justa, que, no caso de multidões, Cristo morreu em vão, pois Ele morreu por todos, eles dizem; e ainda assim foi ineficaz na Sua morte por eles, porque apesar do fato de que Ele tenha morrido por eles, eles estão condenados para sempre.18

Falando como Spurgeon, nós, os calvinistas, podemos dizer aos nossos amigos arminianos: “Você é bem-vindo à sua expiação; você pode mantê-la. Nós nunca vamos renunciar a nossa pelo amor a ela”, pelo fato de que nós precisamos de um Salvador que realmente salva (Mateus 1:21) com uma redenção que realmente redime pelo “... precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós; e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus. (1 Pedro 1:19-21).

Sustentando a vergonha e o rude escárnio,
No meu lugar condenado Ele estava;
Selei o meu perdão com Seu sangue:
Aleluia! Que Salvador!
-Philip Bliss Paulo

A expiação de Cristo não falhou parcialmente, mas foi totalmente bem-sucedida. Jesus nunca falha!
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Notas:

1.   See also the author's article 'Definite Atonement' on the Banner of Truth website.

2. John Gill, Body of Divinity (Grand Rapids: Sovereign Grace Publishers, 1971), 467–475; John Owen, 
The Works of John Owen, 10:316-421; John Murray, Redemption Accomplished and Applied, (Edinburgh: Banner of Truth, 2009 edition), 51–53; A. W. Pink, The Satisfaction of Christ, 253–66.

3. Vine’s Expository Dictionary of New Testament Words (Nashville: Thomas Nelson, 1985), 233–234; and Duane Edward Spencer, TULIP: The Five Points of Calvinism in the Light of Scripture (Grand Rapids: Baker, 1979), 36–37.

4. Abraham Kuyper, Particular Grace: A Defense of God’s Sovereignty in Salvation (Grandville, Mich.: Reformed Free Publishing, 2001), 23–33.

5. Herman Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1975).

6. For helpful exegetical considerations, see Letham, The Work of Christ, 240–45.
7. See the Conclusion of the Canons and the Second Helvetic Confession, chap. 10, 'We must hope well of all, and not rashly judge any man to be a reprobate' (Schaff, Creeds of Christendom, 3:848).

8. Charles H. Spurgeon, 'Particular Redemption,' in The New Park Street Pulpit (1858; reprint, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1994), 4:135; quoted in J. I. Packer's Introduction to John Owen, 
The Death of Death in the Death of Christ (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1959), note page 14.

9. Cf. Pink, Atonement, 244.

10. See Letham, The Work of Christ, 234–37.

11. Shedd, Dogmatic Theology, 2:482–89; J. I. Packer, Evangelism and the Sovereignty of God (Downers Grove, Ill.: InterVarsity, 1961).

12. Roger Nicole, Evangelical Theological Society Bulletin (Fall 1967): 207.

13. William Symington, The Atonement and Intercession of Christ (Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2006), 185–86.

14. Ibid.

15. Thomas K. Ascol, 'For God So Loved the World,' Tabletalk, 29, no. 9 (September 2005):16.

16. Roger Nicole, 'The "Five Points" and God’s Sovereignty,' in Our Sovereign God, ed.
James Boice (Birmingham, Ala.: Solid Ground Christian Books, 2008), 32–33.

17. Thomas K. Ascol, 'For God So Loved the World,' 17.

18. Charles Spurgeon, New Park Street Pulpit (Pasadena, Tex.: Pilgrim Publications, 1975), 4:70.

Traduzido por Eric N. de Souza

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ageu Magalhães - Teologia no cartão de Natal


Pense no desenho de um cartão de Natal. O que você vê? A manjedoura, os reis magos, os pastores, José, Maria, o recém-nascido Jesus, a estrela resplandecente, os presentes, os animais... Estas figuras refletem exatamente a história do Natal, certo? Errado. Estudando com atenção os textos que narram o natal de Jesus você vai perceber que a maioria de nós crê em uma versão distorcida do seu nascimento. Versão recebida do Catolicismo Romano e diferente do que encontramos na Bíblia. Vejamos:

Os magos
Magos ou reis magos? Esta é a primeira questão. A tradição católico romana diz que eram “reis magos”, porém, a Bíblia não diz isso. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos a expressão “reis magos”. De acordo com Mateus, eles eram apenas, e tão somente, magos (Mt 2.1).

E o que eram os magos naquela época? Magos, ou sábios (como aparece em algumas versões da Bíblia em inglês) eram aqueles que se dedicavam ao estudo das estrelas. Vieram do Oriente, de terras em que a astronomia era praticada, provavelmente, dos países que conhecemos hoje sob o nome de Irã e Iraque.

E quantos eram eles? A Bíblia não diz. Diz apenas “uns magos”. Imaginou-se três por causa dos três presentes que a criança recebeu (Mt 2.11). Contudo, podem ter sido dois, seis, nove, doze, dezoito, vinte... A tradição oriental cria em doze magos e entre eles os armênios falavam em quinze. Não sabemos, a Bíblia não diz. Não sabemos também os seus nomes. A Igreja Católica os chama de Melchior, Baltazar e Gaspar, porém, sem nenhuma base bíblica.

Vemos que os magos são personagens misteriosos dentro da história de Jesus. Pouco sabemos a respeito deles. O que sabemos é que eles desempenham um papel especial na história de Cristo. Eles mostram que Jesus é o salvador não apenas dos judeus, mas de todos os povos. Ele é digno de toda honra e adoração, por isso a longa viagem e a entrega de presentes tão valiosos.

Estes são os verdadeiros magos (não reis-magos) da história de Cristo. Vamos ver agora outro elemento da história do Natal que também tem sido mal comprendido...

A estrela
Como a estrela que guiou os magos até Jesus é geralmente apresentada? Na maioria das figuras ela é grande e com intenso brilho. Em alguns casos, ela aparece até com uma grande cauda, própria de cometa. Como terá sido esta estrela, na realidade?

O texto de Mateus nos leva a crer que era uma estrela de proporções normais. Os magos somente a identificaram porque eram estudiosos das estrelas. Conheciam os astros celestes e perceberam que aquela estrela era especial. E, de fato, se fosse uma estrela gigantesca, com intenso brilho e fulgor, como geralmente aparece representada, não só os magos a teriam visto, mas também Herodes e todo o povo de Jerusalém. Tamanho astro celeste não passaria despercebido por aquelas terras em que a iluminação vem sempre do céu. Todos iriam atrás da estrela, não só os magos.

Deus falou com os magos por meio de uma linguagem que só eles compreendiam – uma estrela.

E como eles associaram esta estrela ao nascimento de Jesus? Teriam eles acesso às Escrituras para, como os judeus, esperar a vinda do Messias? Conheciam os magos a profecia de Números 24.17? “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.” Ou teriam tido uma revelação mais direta de Deus quanto ao significado desta estrela? Todas as respostas são possíveis, porém, não sabemos qual é a correta. A Bíblia não diz.

O que sabemos, e o que Mateus deixa bem claro no registro bíblico, é que os magos chegaram em Jerusalém com um firme propósito: “... vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.” (v.2). E eles conseguiram. O verso 11 nos mostra os magos prostrando-se, adorando o menino rei e lhe entregando seus presentes. A estrela, guiada por Deus, os conduziu àquele que é a luz do mundo.

Onde estava Jesus
A nossa última questão é: Onde estava Jesus quando os magos vieram adorá-lo. O que você acha? Na estrebaria? Então leia o versículo 11, de Mateus 2. A resposta correta é: em uma casa.

Quando os magos chegaram em Belém, Jesus não estava mais na manjedoura. Ele estava com seus pais em uma casa. A viagem dos magos foi longa. Meses de percurso. Mais de um ano havia se passado e José e Maria não estavam mais naquela moradia provisória em que Jesus nasceu. Ao contrário do que muitos pensam, quando os magos chegaram, Jesus já tinha mais de um ano de idade. Podemos inferir isso analisando a sangrenta ordem do rei Herodes:

“Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos” (Mt 2.16).

Herodes mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo. Mas, por que dois anos? Que cálculo ele fez para chegar a este limite de idade? A resposta está no versículo 7: “Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera”; e no final do verso 16: “... de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos”.

A informação que Herodes obteve dos magos, quanto ao aparecimento da estrela, o levou à idade de dois anos para baixo. Exterminando os meninos dentro deste limite de idade, com certeza, o maquiavélico rei atingiria o menino Jesus.

Assim sendo, podemos sugerir que Jesus tinha menos de dois e mais de um ano de idade quando os magos o visitaram. Isto porque, se a informação dos magos levasse Herodes a concluir que Jesus estava com apenas alguns meses de vida, não haveria o porquê de se estipular o limite de dois anos para a chacina. Matando os meninos de um ano para baixo já seria o suficiente para atingir Jesus. Se ele estabeleceu “de dois anos para baixo” é porque Jesus já tinha mais de um ano de idade.

E os pastores? Onde entram nesta história? Entram bem no ínicio dela. Eles foram os primeiros a ver o rei Jesus. Os pastores o encontraram logo após o seu nascimento, ainda na manjedoura (Lc 2.12,16).

Ao contrário do que geralmente aparece desenhado nos cartões de natal, os pastores não viram a estrela e nem se encontraram com os magos. Eles foram ao encontro de Jesus Cristo, o viram, e voltaram glorificando e louvando a Deus (Lc 2.20). Os magos, como vimos, chegaram muito tempo após a vinda dos pastores.

Qual seria, então, a ordem correta dos acontecimentos, de acordo com a Bíblia? Simplificando a história, a ordem seria esta:

1. José e Maria sobem para Belém, a fim de alistarem-se (Lc 2.1-5).
2. Jesus nasce e Maria o deita em uma manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria (Lc 2.6,7)
3. Nos campos, um anjo acompanhado por uma milícia celestial anuncia a uns pastores o nascimento do Salvador (Lc 2.8-14).
4. Os pastores imediatamente vão ver Jesus e o encontram deitado na manjedoura (Lc 2.15-19)
5. Os pastores voltam para os campos glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (Lc 2.20).

(...) Em algum momento, que só Deus sabe, uma estrela aparece aos magos em algum país ao oriente de Jerusalém.
(...) Os magos iniciam a sua longa jornada.

6. Após meses de viagem, os magos chegam em Jerusalém (Mt 2.1,2).
7. Herodes chama os magos, se informa quanto ao tempo em que a estrela apareceu a eles, e pede aos magos que o avisem assim que encontrarem o rei Jesus (Mt 2.7,8).
8. Os magos partem para Belém (Mt 2.9).
9. Os magos continuam seguindo a estrela e chegam na casa em que está Jesus (Mt 2.9-11).
10. Os magos entram na casa e encontram Jesus com sua mãe. Prostram-se e o adoram. Abrem os seus tesouros e lhe entregam as suas ofertas: ouro, incenso e mirra (Mt 2.11).
11. Em sonho, recebem a advertência de Deus para não voltarem à presença do rei Herodes (Mt 2.12).
12. Os magos regressam, por outro caminho, para a sua terra (Mt 2.12). 
13. Em sonho, um anjo do Senhor manda José fugir com Maria e Jesus para o Egito, para escapar das mãos de Herodes (Mt 2.13).
14. José, de noite, toma Jesus e Maria e vai para o Egito (Mt 2.14).
15. Herodes percebe que foi enganado pelos magos e manda matar todos os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo. Mas Jesus está a salvo, por causa da obediência de José.

A história continua e é bom a lermos sempre para não sermos influenciados pelas versões que encontramos por aí.

Muito tem sido falado sobre Jesus. As informações vêm de todos os lados: da tradição Católica, dos programas de televisão, das revistas e até dos cartões de Natal. Contudo, é necessário que a nossa fonte de informações sobre Cristo seja sempre a Bíblia.

A minha oração é que neste Natal Deus nos ajude a compreender a lição que aqueles magos nos deixaram. Que a nossa disposição para servir a Deus seja como a daqueles homens, que não mediram esforços para adorar a Deus. Enfrentaram a distância, os desconfortos e os perigos da viagem para se prostrar perante o Rei Eterno. Que a nossa fé seja firme como a daqueles sábios.

E que, em todos os momentos da nossa vida, nós possamos, como aqueles homens, ter os olhos fixos nos céus. Que o nosso olhar esteja sempre voltado para o alto, para o rei sublime.

Olhando para os céus, seguiremos a nossa jornada amparados por Deus e sempre na direção certa. Boa viagem.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

R. J. Rushdoony - Teonomia vs Tirania


A escolha do homem está entre a teonomia e a autonomia, a lei de Deus contra a lei-própria. O homem, sendo um pecador, uma criatura caída, só pode criar leis e sociedades que, em sua forma desenvolvida, simplesmente aumentam o pecado do homem. O resultado é a tirania, decidir sem Deus.

O poder de fazer leis é a marca do senhorio, da soberania ou da divindade explícita ou implícita. De acordo com William Pitt, Conde de Chatham, o "poder ilimitado é capaz de corromper as mentes daqueles que o possuem, e isso eu sei, meus senhores, que onde termina a lei, começa a tirania". Edmund Burke, um ano mais tarde, em 1771, disse: "Quanto maior o poder, mais perigoso o abuso." Os dois homens fizeram suas observações em resposta ao caso de John Wilkes. Wilkes representava a vontade desenfreada das pessoas contra uma crença ainda persistente de uma lei mais elevada.

A palavra tirania vém do latim tyrrannus, significa, normalmente, governar por um poder opressivo. Mas, muito comumente, as tiranias foram populares. Assim, Adolf Hitler foi claramente um homem com apoio popular, como foi com Mussolini e outros. A tirania pode estar presente num partido eleito pelo povo, num grupo de homens, de modo que a tirania pode existir sem um único tirano. A essência da tirania é que a justiça e a lei ordenada e absoluta de Deus não prevalecem; somente a vontade de um homem, um grupo ou partido de homens, a maioria ou a minoria. A essência da tirania é que ela representa, de alguma forma, a vontade do homem e não da lei de Deus. Por outro lado, a teonomia significa, literalmente, a lei de Deus. No nosso tempo, a teonomia representa, para todas as muitas pessoas, a essência do mal, pois a vontade do homem é considerada a fonte da determinação, da lei e da moralidade.

Como diversas áreas da sociedade e povos entronizam a autonomia, eles destronam a teonomia. Eles substituiem Deus pelo homem. Assim, em uma igreja após outra, todas as intenções da lei de Deus foram substituídas pelas intenções do homem, e as regras e cânones da igreja tendem a prevalecer sobre a lei de Deus; especialmente em questões relativas à sexualidade, homossexualidade, aborto e eutanásia. A Tirania na igreja como no Estado está ligada a esta substituição da lei de Deus pela lei do homem.

A Tirania governa sem a lei de Deus, é inevitável pois, que a teonomia seja deixada de lado. A afirmação da necessidade por teonomia nos dias de hoje inflama descrentes e religiosos da mesma forma e, a diferença entre eles é, muitas vezes, apenas o nome.

Os tiranos são homens sérios, desde os dias da Torre de Babel. Eles acreditam que eles são os únicos capazes de salvar o mundo por meio de sua ordem mundial. Implícito em seus planejamentos permanece a crença de que a Bíblia está errada, e que Jesus Cristo também estava errado. Assim como o pensamento positivo é para um instrutor de vendas de carro uma forma de manter o aumento das vendas, Jesus era um pensador pessimista e um fracasso.

Os Trinta Tiranos da Grécia, alunos de Platão, queriam salvar a Grécia, e ajudaram a destruí-la. Muito do mal do mundo, apresenta-se como o verdadeiro bem, e a incapacidade de reconhecer a seriedade moral do mal pode ser mortal. A nova pornografia não se vê como um provedor de livros sujos, mas como fonte de verdadeira iluminação, como a base da libertação do homem. Seu fervor muitas vezes é marcado por um zelo missionário.

A tirania está aumentando em todo o mundo. O declínio do império soviético abriu caminho para outras tiranias mais extensas. O curso da guerra moral é mais mortal do que da guerra nuclear.

Jesus Cristo é o nosso Rei redentor, nosso legislador, desde a fundação do mundo. As loucas interpretações de Mateus 5:17-20, que procuram separar Jesus da lei, nos dizem mais sobre a cegueira e/ ou depravação de tais homens do que sobre a Bíblia. Porém, todos os homens devem ser ensinados. Nas palavras de Isaías: "Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28:10).

(Extraído de Institutas da Lei Bíblica, Vol. III, A intenção da lei, p. 205)

Fonte: http://chalcedon.edu/research/articles/theonomy-vs-tyranny-2/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

G. I. Williamson - Dias santos de homens e dias santos de Deus



(Reproduzido pela Blue Banner Faith and Life, Julho-Setembro de 1962)

No Evangelho de Lucas, lemos estas palavras: “aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus”. São palavras de Jesus Cristo, o Filho de Deus. E, por favor, note sua força: o que é colocado pelos homens na categoria mais alta é colocado por Deus na categoria mais baixa possível.

E quais são estas coisas que os homens estimam de forma tão alta, mas que Deus abomina de forma absoluta? São as coisas da religião. É sobre isso que Jesus estava falando. Aos Fariseus Ele disse: “Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus”. Foram exatamente as coisas que eles fizeram na esfera da religião, coisas muito estimadas e que os fazia parecer “justos” diante dos homens, que os tornava abomináveis a Deus.

Quando Jesus adicionou esse comentário, seu significado se tornou ainda mais claro: “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei”. O problema é que eles não davam ouvidos à Lei de Deus. Como Jesus disse, “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens... Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição... invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição”. Não é de admirar que o veredicto tenha sido: “E em vão (inutilmente) me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.

Outras tradições dos homens
É fácil para nós ver o erro dos fariseus. Eles acrescentaram à Palavra de Deus muitas tradições humanamente concebidas. Gradualmente, à medida que o tempo passou, tais tradições se tornaram tão estimadas entre eles que foram colocadas lado a lado com os mandamentos de Deus. E no tempo de Jesus, tais tradições eram mais importantes para eles do que os mandamentos de Deus (na prática, se não na teoria). Assim a Palavra de Deus foi tornada sem nenhum efeito por suas tradições. Sim; e o ponto especial que deve ser observado é que essas tradições – honradas e sagradas aos olhos dos Fariseus – eram abominação aos olhos de Deus. Jesus disse que eles adoravam a Deus em vão. Isto é, eles poderiam muito bem ter tido qualquer coisa sem culto religioso por tudo o que fizeram. Era algo completamente inútil.

Quando recordamos os muitos exemplos na história bíblica, quando esse mesmo mal ocorreu, vamos entender melhor a severidade de Jesus. A Bíblia não nos diz que, desde o início, era assim?“Ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou” (Gênesis 4.5). A adoração que Caim concebeu para si mesmo era uma abominação para Deus, mas altamente estimada por ele. E lembramos os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, que tomaram fogo e incenso e ofereceram diante do Senhor, “o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR” (Levítico 10.1,2). Obviamente, o que era muito estimado, era abominação aos olhos de Deus.

Através de muitos outros exemplos, podemos lembrar a pergunta de Zacarias, o profeta, por aqueles que retornaram do cativeiro. Eles perguntaram sobre certa tradição que tinha “surgido” durante os dias do cativeiro, e perguntaram se deveriam ou não continuar. O profeta disse: “Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim?” (Zacarias 7.5). Em seguida, ele informou que, uma vez que tinham desenvolvido essa tradição, sem uma ordem específica de Deus, não era mais aceitável a Deus como um ato de culto religioso do que era o comer e o beber. “Não ouvistes as palavras que o SENHOR pregou pelo ministério dos profetas?”, concluiu o profeta.

Seria difícil pensar em uma lição mais claramente ensinada nas Escrituras do que esta: “aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus”. E não devemos pensar que esta é apenas uma doutrina do Antigo Testamento. Nenhum princípio da Palavra de Deus é ensinado em apenas um testamento. Este princípio não é exceção. A tendência pecaminosa do homem que vimos no Antigo Testamento é evidente também no Novo Testamento. Nos dias dos apóstolos, e na Igreja Apostólica, vemos esta mesma tendência em homens pecadores, e nós também encontramos o mesmo princípio da revelação divina.

A igreja da Galácia é um caso interessante. É evidente, a partir do conteúdo da epístola de Paulo aos Gálatas, que aquela igreja que havia tido um início tão promissor, em pouco tempo havia se enveredado pelo caminho errado. Paulo disse que estava admirado pelo fato deles estarem tão distanciados da graça de Cristo. E, pelo menos, parte do problema era essa tendência má sob consideração. Os gálatas haviam decidido que a religião pura que haviam recebido dos apóstolos não era suficiente. Eles queriam algo melhor (embora não houvesse nada melhor). Então, eles começaram a adicionar certos dias santos e estações originados em sua própria concepção.

Não sabemos exatamente quais dias santos e estações do ano foram, mas, certamente, sabemos o que o inspirado apóstolo de Deus tinha a dizer sobre isso. Encontramos as palavras em Gálatas 4.9-11: “mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco”.

Observe-se, quão séria era esta questão aos olhos do apóstolo. O que é ser “escravizado” de novo, senão ser escravizado pela falsa religião? Como Paulo poderia dizer que receava ter trabalhado em vão para com eles, se não por uma religião na qual caíram que era nula e sem efeito diante de Deus? É justamente o caso de homens estimarem aquilo que é abominação aos olhos de Deus, e tudo porque eles estavam observando certos dias e épocas sem que isso fosse ordenado pelo Deus Todo-Poderoso. O pecado dos gálatas foi exatamente o mesmo de Caim, Nadabe e Abiú, dos cativos da Babilônia, e dos fariseus, que tornaram a Palavra de Deus em vão por causa de suas próprias tradições.

Nossas tradições
Uma coisa é condenar os pecados de outros homens, mas outra coisa é emendar nossos próprios. Os gálatas, provavelmente, não tiveram dificuldades em condenar os ímpios fariseus, mas não é tão certo que estavam dispostos a ouvir Paulo condenando a eles próprios. Paulo afirmou: “Tornei-me, porventura, vosso inimigo, por vos dizer a verdade?” (Gálatas 4.16). O autor do presente artigo fará a mesma pergunta. Suponha que eu diga algumas coisas que “machuquem” um pouco. Suponha que eu fale contra algo que é sagrado para você. Irei me tornar seu inimigo porque disse a verdade?

A verdade é que o Natal (a Sexta-Feira Santa, a Páscoa, Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia das Crianças, e qualquer outro “dia santo” especial, com exceção do domingo) é uma abominação para Deus. Agora, preste atenção: não digo que tudo associado a esses dias é abominável. O que podemos dizer é que todo dia santo especial (ou época) é abominável a Deus.

Fonte pagã
Em primeiro lugar, isso é verdade por causa da sua fonte. Consideremos o Natal como um exemplo. É admitido pelos católicos romanos e pelos protestantes que o Natal não é revelado na Palavra de Deus. A Bíblia não nos dá a data do nascimento de Cristo. Nem sequer nos diz o mês exato ou mesmo a estação. Também é geralmente admitido que não há nenhum vestígio da observância do Natal na Igreja Apostólica e Pós-Apostólica.

Somente no século III que a celebração do Natal começou a aparecer nos círculos cristãos, e, ainda assim, não houve uniformidade. Várias datas foram estabelecidas para o “dia santo”, inclusive janeiro, março, abril e maio. Até os dias de hoje a Igreja Ortodoxa Grega celebra em 6 de janeiro, em vez de 25 de dezembro. Quando, sob a autoridade crescente do bispo de Roma, 25 de dezembro foi adotada no ocidente, isso se deu, em grande parte, como uma tentativa de enfrentar a concorrência da celebração pagã chamada Saturnália. Era um momento de celebração, diversão e distribuição de presentes. Era uma celebração pagã em honra ao sol. Acreditava-se que o sol era um deus, e que neste momento ele começava a conquistar a escuridão do inverno. Gradualmente, o “dia santo” cristão e o feriado pagão se uniram em um só. E a “tradição do Natal” foi firmemente entrincheirada. Em tudo isto, há sim uma concordância geral.

Mas houve um dia no qual protestantes e católicos discordaram fortemente, não sobre a origem do Natal (e de outros dias santos), mas se a fonte era válida ou não. Então, como agora, a Igreja Católica defendeu plenamente as tradições feitas pelo home, porque, citando suas próprias palavras:“A Igreja Católica recebeu de Jesus Cristo o poder de fazer leis para os seus membros”(Catecismo de Baltimore). Entre essas leis, encontramos a designação oficial de tais “dias santos”, como o Natal e a Páscoa, e tais dias são sustentados pelo católico romano como sendo dias santos designados pelo próprio Deus.

Repetimos, houve um dia quando os protestantes discordaram. Houve um dia em que os protestantes disseram: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens”(Confissão de Fé de Westminster, I.6). E em relação a esta questão de dias santos, eles disseram que o povo de Deus deveria santificar “os tempos especificados, que Deus designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em cada sete” (Catecismo Maior, Pergunta 116). Ou seja, somente o dia de domingo foi considerado por eles como “santo”.

Suponha que você imaginasse ter a noção de que seria bom observar a data de 3 de fevereiro como um dia santo especial em comemoração á visita de Jesus ao Templo com a idade de doze anos. Que direito você tem de fazer essa designação? Que justificativas os outros receberiam para aceitar a sua ideia? E se a sua igreja dissesse: “Não! Não ouviremos tal disparate! Jesus Cristo é o Rei e o Cabeça da Igreja, e só Ele tem o direito de designar um dia santo, e Ele nos ordenou santificar apenas o domingo”? É claro que você diria que essa igreja estava simplesmente se mantendo pura. Mas a verdade é que o Natal (e a Páscoa e etc.) não tem um mandato de Cristo mais do que um dia escolhido por você teria. A única diferença é que a tradição através do processo do tempo, faz com que algo gerado puramente pelo homem seja grandemente estimado pelos homens. Mas ainda é uma abominação diante de Deus por causa da sua origem.

Distorcendo do Evangelho
A segunda razão pela qual tais dias santos são abominações para Deus é que é necessário sancionar o erro, a fim de dar-lhe a nossa estima. Vamos citar novamente o Natal a título de exemplo. Se houvesse qualquer possibilidade de a data do nascimento de Cristo ser preservada pela tradição, então, 6 de janeiro mereceria a preferência, em vez de 25 de dezembro. A Igreja Grega é uma instituição mais antiga que a Latina. E se a tradição tem qualquer validade, que ela dependa da sua antiguidade.

Mesmo se apelássemos ao falso critério da tradição, estaríamos condenados! No entanto, como a tradição é condenada pela Escritura, não podemos construir sobre ela, nem ser julgados por ela.

Muito mais importante é o fato de que a celebração do Natal (e outros dias santos humanamente concebidos) distorce o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. Pela observância religiosa de dias santos especiais, certos aspectos do evangelho recebem um destaque que não lhes é dado pelo ensino da Palavra de Deus em si. Natal e Páscoa são os dois “dias santos” que reivindicam uma enorme quantidade de atenção a cada ano. E, assim, o nascimento e a ressurreição de Cristo recebem uma medida de atenção que outros aspectos da verdade não recebem.

Esta ênfase não é encontrada nos escritos apostólicos. Pois em todas as epístolas do Novo Testamento, não podemos encontrar nenhuma referência explícita à chamada história do Natal. A ressurreição de Cristo sempre recebeu muita ênfase, mas também há muita ênfase nos escritos apostólicos sobre eventos que ocorreram em outros dias que os homens não comemoram como dias especiais. Esta é uma distorção da verdade do evangelho, e uma distorção da verdade não é o mesmo que a própria verdade. Desse modo, a aprovação de tais dias santos aprova o que deve ser chamado de erro.

Confunde os verdadeiros dias santos
Finalmente, o Natal (e outros dias sagrados) é uma abominação pelo fato de que, ele afasta o pensamento do cristão daquilo que Deus exige, e o aproxima daquilo que Ele não ordena. A Palavra de Deus não diz nada sobre guardar este dia chamado Natal. Mas ela diz que o Deus Todo-Poderoso nos ordenou guardar e santificar o sábado. Mais do que isso, Deus ordena que usemos os outros seis dias para as obras que pertencem ao homem. E isso, por si só, proíbe os homens de fazerem o que têm feito, designar dias santos. É um escândalo, quando os homens tomam o dia do Senhor e o transformam em dia do homem (como Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia das Crianças e outros). Ninguém tem o direito de tomar o dia que tem o Nome do Senhor sobre ele e honra outra pessoa. Por outro lado, Deus deu seis dias de cada semana para o homem, e ninguém pode tomar justamente esses dias do homem sob o pretexto de torná-los dias santos de Deus.

Quando a autoridade humana diria, “este dia não te pertence mais, para suas obras e recreações, mas é um dia santo a Deus”, isso é tão abominável quanto dar o dia santo de Deus aos homens. O homem não tem poder para fazer santo um dos seis dias mais do que tem para tornar o dia do Senhor em um dia comum, ou mesmo especial em de alguma forma desenvolvida pelo homem.

Enfatizamos o fato de que dias santos como o Natal são uma abominação para Deus – não por causa de muitas coisas que são frequentemente condenadas (como presentes, e aumento nas vendas, e o sorriso caloroso e cumprimento amigável – por que essas coisas são condenadas?) mas precisamente por causa das coisas que geralmente são louvadas! É a pompa religiosa, a assim chamada tradição sagrada do Natal, que mesmo que os homens estimem grandemente, é abominação para Deus. E o mais trágico, é que os filhos da Reforma estão na vanguarda dos que estão tentando torná-lo um “dia santo”.

O resultado inevitável dessa tendência hoje é o que sempre foi. Sempre que os homens estimam demais a tradição, eles tornam a Palavra de Deus em vão. Não somente os Fariseus de outrora, mas também os que hoje invalidam a Palavra de Deus por causa da sua tradição. E, onde quer que a ênfase em tais dias santos, como Natal, Páscoa, etc., tem aumentado, tem havido um declínio correspondente na observância do dia do Senhor. (E, inversamente, onde tem havido uma séria tentativa de guardar o dia do Senhor, tem havido uma rejeição desses dias santos, que não têm autorização das Escrituras). E, assim, dizemos novamente, que tais dias santos são uma abominação porque Deus disse: “Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás” (Deuteronômio 12.32). Não, nem mesmo por meio de antigas tradições e costumes sagrados. Pois o fato é que todo o culto religioso, reverência, sentimento e consciência que vem de qualquer outra fonte que não da Palavra de Deus é apenas isso – abominação aos Seus olhos.

Permitam-me encerrar com as palavras: “Sou teu inimigo porque te disse a verdade? E se eu não tivesse dito a você a verdade, testemunharia o erro. Mas, se eu disse a verdade, então venha, vamos raciocinar juntos. A religião de Deus não é suficientemente boa para você? Não são os domingos que o Senhor afirmou pertencerem a Ele, suficientes para sua alma? Você não está disposto a se contentar com aquilo que o Mestre te deu? É tempo de nós, protestantes, que condenamos a Igreja de Roma por suas superstições, desistirmos de algumas superstições nossas.

FONTE: http://www.nethtc.net/~giwopc/holy_days.html

TRADUÇÃO: Alan Rennê Alexandrino Lima

Este texto foi retirado do site Cristão Reformado