quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A. A. Hodge - Arrependimento é dom de Deus?


Como pode se provar que o arrependimento é dom de Deus?

1. Isso é evidente pela própria natureza do arrependimento. Este inclui: (1) um sentimento de odiosidade do pecado; (2) um sentimento da beleza da santidade; (3) a apreensão da misericórdia de Deus em Cristo. Pressupõe, portanto, a fé, que é dom de Deus - Gl 5:22; Ef 2:8.

2. As Escrituras afirmam-no expressamente - Zc 12:10; At 5:31; 11:18; 2Tm 2:25.

Versículos:
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." - Gálatas 5:22

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." - Efésios 2:8

"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito." - Zacarias 12:10

"Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados." - Atos 5:31

"E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida." - Atos 11:18

"Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade" - 2 Timóteo 2:25

Fonte: "Esboços de Teologia" - Editora PES

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Como conciliar 1 Co 15.20 com Mt 27.52 ?


"Como conciliar 1 Coríntios 15.20 com Mateus 27.52?"

Em 1 Coríntios 15.20 o apóstolo Paulo fala de Cristo como a garantia da nossa ressurreição, no futuro, na sua segunda vinda. Em Mateus 27.52, os santos ressuscitados, depois de Jesus, constituem um sinal da vida eterna e confirmação de que Deus, ao aceitar aqueles "santos" das mãos de seu Filho, estava aceitando todos os restantes. Este fato concorda com a oferta que o sacerdote fazia a Deus, por ocasião da festa das colheitas: "Então trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote: este moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos", Lv 23.10,11. Jesus como nosso Sumo Sacerdote ofereceu, após a sua ressurreição, um "molho", que foi aceito pelo Pai, prova de que também nós fomos aceitos.

Fonte: A Bíblia responde - edições CPAD

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

W. Gary Crampton e Richard E. Bacon - Ética cristã


Ética é uma disciplina normativa, que procura prescrever obrigações para a humanidade. Ela tem a ver com o que uma pessoa “deve” fazer. Ética é uma questão de autoridade. Moral, por outro lado, descreve o comportamento padrão de indivíduos e sociedades, isto é, o que as pessoas fazem. A ética de alguém deve determinar sua moral.
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Se não houvesse nenhuma lei de Deus, então não haveria nenhum pecado. Nossa conduta moral, portanto, deve ser guiada pelo padrão ético da Palavra de Deus. Novamente para citar a Confissão (16:1): “Boas obras são somentes aquelas que Deus ordena em sua santa palavra, não as que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção”
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A distinção entre o certo e errado é inteiramente dependente dos mandamentos de Deus, pois ele é “o Senhor”. O sistema cristão de ética é baseado na própria natureza de Deus. “Sereis santos, porque eu [Deus] sou santo” (Lv 11.44; 1Pe 1.16).

Fonte: Trechos extraídos de “Em direção a uma cosmovisão cristã” da Editora Monergismo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Kevin DeYoung - Por que devemos ser explicitamente teológicos





Kevin DeYoung é o pastor da University Reformed Church em East Lasing, MI, EUA. Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary. É autor de diversos livros, preletor em conferências teológicas e pastorais, é cooperador do ministério "The Gospel Coalition" e mantém um Blog na internet "DeYoung, restless and reformed". Kevin é casado com Trisha com quem tem 4 filhos.

Se não me engano, nossa igreja tem uma reputação de ser bastante teológica. Sei que por isso muitas pessoas têm vindo à nossa igreja. E imagino por que algumas pessoas têm saído dela, ou nem sequer nos procuraram. Mas nenhuma igreja deveria se desculpar por falar e gostar de teologia. Contudo – isto é uma importante advertência – se somos arrogantes com a nossa teologia, se a nossa paixão doutrinária é simplesmente um objetivo intelectual eticamente duvidoso, ou se somos completamente desproporcionais em nossos afetos para com outras doutrinas não tão consideráveis, então que o Senhor nos repreenda. Não devemos ficar surpresos se a teologia receber uma péssima classificação em tais circunstâncias.
Mas quando se trata de pensar, alegrar-se e edificar uma igreja sobre fundamentos bíblicos saudáveis, deveríamos todos desejar uma igreja profundamente teológica. Eu poderia citar muitos motivos para pregar teologicamente e muitos motivos para pastorear uma congregação que ama teologia. Vou citar seis:
  1. Deus se nos revelou na sua palavra e nos deu o seu Espírito para que pudéssemos compreender a verdade. Obviamente, não precisamos dominar todos os temas das Escrituras para sermos cristãos. Deus é gracioso para salvar muitos de nós com falhas de discernimento. Mas se temos uma Bíblia, sem mencionar os empecilhos materiais quando se trata de recursos impressos, por que não gostaríamos de entender o máximo possível da auto-revelação de Deus? Teologia é saber mais de Deus. Você não gostaria que sua igreja conhecesse mais de Deus?
  2. O Novo Testamento dá muito valor ao discernimento entre a verdade e o erro. Há um depósito de verdade que deve ser resguardado. Falsos ensinamentos devem ser lançados fora. Os bons ensinamentos devem ser promovidos e defendidos. Isso não acontece com alguns candidatos a Ph.D. insensíveis que se consomem diante de microfichas. Foi a paixão dos Apóstolos e do próprio Senhor Jesus que elogiou a igreja em Éfeso por ser intolerante com os falsos mestres e que odiava o comportamento dos Nicolaitas.
  3. Os mandamentos morais do Novo Testamento são fundamentados em proposições teológicas. Tantas epístolas de Paulo têm uma estrutura dupla. Os capítulos iniciais apresentam doutrina e os capítulos posteriores nos exortam à obediência. Doutrina e vida estão sempre conectadas na Bíblia. É por causa das misericórdias de Deus, à vista de todas as realidades sólidas teológicas em Romanos 1-11, que somos convocados a entregar nossas vidas como sacrifícios vivos em Romanos 12. Conheça a doutrina, conheça a vida. Nenhuma doutrina, nenhuma vida.
  4. Categorias teológicas nos capacitam mais e nos fazem regozijar mais profundamente na glória de Deus. Verdades simples são maravilhosas. É bom cantar hinos simples como "Deus é bom. Sempre!" Se você cantar isso com fé sincera, o Senhor se agrada. Mas ele também se agrada quando podemos cantar e orar sobre exatamente como ele tem sido bom conosco no plano da salvação e no alcance da história da salvação. Ele se agrada quando nos gloriamos na obra completa de Cristo, quando descansamos em sua providência todo-abrangente, e nos maravilhamos na sua infinitude e auto-existência; quando podemos nos deleitar em sua santidade e meditar na sua Trindade e Unidade e nos maravilhar com sua onisciência e onipotência. Estas categorias teológicas não têm a intenção de nos encher a cabeça, mas nos dar corações maiores que adoram com mais profundidade e sermos mais altos porque pudemos ver melhor o que há em Deus.
  5. A teologia nos ajuda e nos ensina a nos regozijar mais profundamente nas bênçãos que são nossas em Cristo. Repito, é doce saber que Jesus nos salva dos nossos pecados. Não há notícia melhor do que essa no mundo. Mas como seu deleite será mais completo e mais profundo se você compreender que a salvação significa eleição pela graça de Deus, expiação para cobrir seus pecados, propiciação para desviar a ira divina, redenção para comprá-lo para Deus, justificação diante do trono do julgamento de Deus, adoção na família de Deus, santificação constante pelo Espírito, e glorificação prometida no fim dos tempos. Se Deus nos deu tantas e tão variadas bênçãos multiplicadas em Cristo, não lhe ajudaria a honrá-lo compreendendo quais são elas?
  6. Até mesmo (ou seria especialmente) os que não são cristãos precisam de boa teologia. Eles não se entusiasmam quando ouvem uma pregação ordo salutis seca. Mas quem deseja pregações secas seja sobre lá o que for? Se você pode falar de maneira simpática, apaixonada, e simplesmente sobre as bênçãos da vocação verdadeira, da regeneração e da adoção, e sobre como todas essas bênçãos que se encontram em Cristo, e sobre como a vida cristã é nada mais nem menos do que aquilo que somos em Cristo, e como isto significa que Deus realmente deseja que sejamos sinceros, quando nascidos de novo e não como éramos nascidos no pecado – se você der tudo isso aos que anão são cristãos, e o der explicitamente, você lhes dará uma porção de teologia. E, se o Espírito de Deus estiver operando, eles poderão simplesmente voltar para buscar mais.
Não existem motivos para qualquer igreja ser algo menos do que robustamente teológica. As igrejas continuarão sendo de todos os formatos e tamanhos. Mas "sem teologia", ou pior, "anti-teológicas" elas não deveriam ser.
Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin

Copyright © Kevin DeYoung 2011
Copyright © Editora Fiel 2011



Fonte: Editora Fiel

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

John MacArthur - Escolhidos


I. DEUS NOS ESCOLHEU (vv. 3-4)
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele."

A. A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO
Paulo inicia esta passagem afirmando que Deus recebe todo o louvor na salvação. O verbo traduzido "escolheu" (no grego, eklegomai) foi empregado na forma reflexiva, significando "selecionar para si mesmo". Isso significa que a ação do verbo retorna à pessoa que a pratica. Paulo estava dizendo que Deus nos escolheu tendo em vista o seu próprio interesse - para Si mesmo, pessoalmente. A escolha divina foi realizada antes que o mundo existisse.

B. A CONFIRMAÇÃO DAS ESCRITURAS
A Bíblia afirma a verdade da escolha redentora feita por Deus.

1) Mateus 25.34 - Jesus disse: "Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo."

O Senhor planejou tanto o reino quanto os habitantes do reino, antes que o mundo começasse a existir. Você e eu somos salvos e conhecemos o Senhor Jesus por que Deus nos escolheu.

2) Lucas 12.32 - Jesus disse a seus discípulos: "Não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino".

3) João 6.44 - Jesus proclamou para uma grande multidão: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o trouxer [compelir]".

4) João 15.16 - Jesus disse a seus discípulos: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto".

Nós não escolhemos a Jesus; Ele nos escolheu. Não decidimos por Cristo no mais verdadeiro sentido - Ele decidiu por nós.

5) Atos 9.15 - O Senhor disse a respeito do apóstolo Paulo: "Este é para mim um instrumento escolhido".

A conversão de Paulo aconteceu abruptamente - ele estava a caminho de Damasco para perseguir os crentes. Mas ele foi convertido, transformado e chamado para ser um apóstolo, porque Deus o escolhera antes da fundação do mundo.

6) Atos 13.48 - afirma sobre aquelas pessoas que ouviram a pregação de Paulo e Barnabé: "Creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna".

Deus outorga o dom da fé somente para aqueles que estão predestinados por meio da escolha dEle mesmo.

7) 2 Tessalonicenses 2.13 - "Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação".

Paulo não deu graças porque os crentes de Tessalônica haviam decidido se tornar pessoas salvas. Eles não eram muitíssimo inteligentes, espertos, espirituais, perspicazes e, por isso, escolheram a Deus; pelo contrário, Deus os escolheu desde o princípio. A salvação exige que tenhamos fé, mas a fé é o resultado da escolha de Deus.

8) 2 Timóteo 1.8,9 - "Deus... nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos".

9) 1 Pedro 1.2 - afirma que os crentes são "eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo".

10) Apocalipse 13.8; 20.15 - infere que os nomes dos crentes foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro antes da fundação do mundo.

C. A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA
Somente Deus pode receber o crédito por nossa salvação. A doutrina da eleição é a mais humilhante de todas as doutrinas ensinadas nas Escrituras. Deus escolheu um povo para torná-lo santo, a fim de que estejam com Ele para sempre. A nossa fé vem de Deus. Um poeta anônimo apresentou esta verdade nas seguintes palavras do hino Vida Interior: "Eu procurava o Senhor e descobri que Ele, buscando-me, inclinou minha alma a procurá-Lo. Não fui eu quem Te encontrou, ó verdadeiro Salvador; não, eu fui encontrado por Ti".

Fonte: Trecho do artigo "Escolhidos desde a eternidade" publicado na revista Fé para hoje.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

João Calvino - Pai e Filho


Calvino, seguindo a interpretação de Agostinho (354-430), escreve: "Cristo, com respeito a si mesmo, é chamado de Deus, e em relação ao Pai é chamado Filho. Assim, o Pai, com respeito a si mesmo, é chamado Deus, e em relação ao Filho se chama Pai. Enquanto em relação ao Filho é chamado Pai, ele não é Filho; da mesma forma o Filho, com respeito ao Pai, não é Pai. Mas, enquanto que o Pai, com respeito a si mesmo, é chamado Deus, e o Filho, com respeito a si mesmo, é também chamado Deus, trata-se do mesmo Deus. Assim quando falamos do Filho simplesmente sem relação com o Pai, afirmamos reta e propriamente que tem seu ser de si mesmo; e por esta causa o chamamos único princípio; porém quando nos referimos à relação que tem com o Pai, com razão dizemos que o Pai é princípio do Filho".

Fonte: As Institutas

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Vincent Cheung - Resumo da doutrina da Escritura

[Adaptado de uma declaração inédita sobre a doutrina da Escritura.]

A Bíblia consiste nos 66 livros do Antigo e Novo Testamento. Eles foram produzidos por inspiração divina, e coligidos e preservados pela providência de Deus, de forma que operam em conjunto e são mencionados com uma única obra.

A Bíblia é a revelação verbal de Deus. É sua voz. Todas as palavras da Bíblia foram inspiradas e expiradas por Deus. Ele fez homens registrarem as palavras exatas que desejava usar para comunicar seus pensamentos.

A palavra é um símbolo, e um símbolo pode representar uma ideia ou um conjunto de ideias. Portanto, a linguagem humana é suficiente para comunicar qualquer coisa procedente de Deus ou referente a ele. Qualquer limitação deve jazer na capacidade humana de pensar ou processar as ideias comunicadas por Deus. Pelo fato de Deus ter criado o homem à sua imagem, o homem conta com a capacidade de pensar ou processas as ideias comunicadas por Deus.

A Escritura é coerente e consistente. É uma unidade. Cada documento é integralmente coerente, e todos os documentos concordam entre si. Ela não contém contradições lógicas, paradoxos ou antinomias reais ou aparentes. A percepção de uma aparente contradição significa que se trata apenas de uma ilusão — um produto da mente humana —, e não de uma característica do texto.

A Escritura é infalível e inerrante. Da mesma forma que Deus não mente nem erra, a Bíblia — que é a própria voz de Deus e cujas palavras são as próprias palavras de Deus — não mente nem erra. A Bíblia não pode conter, nem contém, erros, quer em relação a questões espirituais, históricas ou de outra natureza. Ela está certa em todas as suas afirmações e inferências. A pessoa que considera qualquer porção da Escritura falível ou errada não tem motivo para se dizer cristã. Depois de ser bastante admoestada e advertida, ela deve ser considerada réproba e excomungada.

A Escritura detém autoridade. Ela é mais que um instrumento, é a própria voz de Deus. Sua autoridade é idêntica à autoridade de Deus. Não há diferença entre um pronunciamento de Deus e um pronunciamento da Bíblia, e não há diferença entre a obediência a Deus e a obediência à Bíblia. Crer em um e lhe obedecer equivale a crer no outro e obedecer-lhe.

A Escritura é perspícua. Ela é de forma geral clara e de fácil entendimento. A Bíblia comunica sua mensagem com eficiência a todos os tipos de homens em tempos e culturas diferentes. Ela se caracteriza pelo fundamento da simplicidade de pensamento e linguagem de tal forma que é possível a qualquer pessoa com capacidades básicas, sem o auxílio de outros homens, lê-la e aprender dela os princípios centrais da fé cristã, incluindo-se o conhecimento necessário e suficiente para a salvação.

A Escritura é suficiente. Ela contém a informação necessária à salvação, ao progresso espiritual e orientações pessoais — todo o necessário para alguém viver de forma plenamente agradável a Deus. Ela contém a informação necessária à cosmovisão completa, o conceito verdadeiro da realidade, do conhecimento, da ética e de outras questões. Revelações extrabíblicas, como visões e profecias, são desnecessárias; no entanto, a Escritura não declara sua cessação. Deus ainda as pode conceder quando lhe aprouver, mas todas as alegações concernentes a revelações extrabíblicas devem ser testadas, e os falsos profetas devem ser excomungados.

A Escritura autentica a si mesma. Ela se sustenta pela excelência e suficiência de seu conteúdo, e independe de promessas alheias. O sistema de crença cristã recebe a Escritura como primeiro princípio. O restante do sistema se segue por meio de deduções válidas. Este primeiro princípio se prova verdadeiro, e todas as proposições válidas, deduzidas dele, também são verdadeiras. Pelo fato de a Escritura ser verdadeira, e visto que ela contradiz e condena todos os outros sistemas de pensamento, a fé cristã é a única religião, filosofia ou cosmovisão verdadeira.
 
Tradução: Rogério Portella

Fonte: Monergismo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Water Chantry - O Mito do Livre Arbítrio



Walter Chantry, nascido em 1938, foi pastor da Grace Baptist Church em Carlisle, PA, EUA por 39 anos, até o ano de 2002. Chantry recebeu seu Mdiv pelo seminário teológico Westminster, PA, foi editor da revista “The Banner of Truth” e é escritor e preletor em conferências teológicas.

A maioria das pessoas diz que crê no “livre-arbítrio”. Você tem alguma idéia do que isso significa? Acredito que você achará grande quantidade de superstição sobre este assunto. A vontade é louvada como o grande poder da alma humana, que é completamente livre para dirigir nossa vida. Mas, do que ela é livre? E qual é o seu poder?

O mito da liberdade circunstancial
Ninguém nega que o homem tem vontade – ou seja, a capacidade de escolher o que ele quer dizer, fazer e pensar. Mas, você já refletiu sobre a profunda fraqueza de sua vontade? Embora você tenha a habilidade de fazer uma decisão, você não tem o poder de realizar seu propósito. A vontade pode planejar um curso de ação, mas não tem nenhum poder de executar sua intenção.


Os irmãos de José o odiavam. Venderam-no para ser um escravo. Mas Deus usou as ações deles para torná-lo governador sobre eles. Escolheram seu curso de ação para fazer mal a José. Mas, em seu poder, Deus dirigiu os acontecimentos para o bem de José. Ele disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20).


E quantas de nossas decisões são terrivelmente frustradas? Você pode escolher ser um milionário, mas a providência de Deus talvez o impedirá. Você pode decidir ser um erudito, mas a saúde ruim, um lar instável ou a falta de condições financeiras podem frustrar sua vontade. Você escolhe sair de férias, mas, em vez disso, um acidente de automóvel pode enviar-lhe para o hospital.


Por dizer que sua vontade é livre, certamente não estão queremos dizer que isso determina o curso de sua vida. Você não escolheu a doença, a tristeza, a guerra e a pobreza que o têm privado de felicidade. Você não escolheu ter inimigos. Se a vontade do homem é tão poderosa, por que não escolhemos viver sem cessar? Mas você tem de morrer. Os principais fatores que moldam a sua vida não se devem à sua vontade. Você não seleciona sua posição social, sua cor, sua inteligência, etc.


Qualquer reflexão séria sobra a sua própria experiência produzirá esta conclusão: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltar a vontade humana, devemos humildemente louvar o Senhor, cujos propósitos moldam a nossa vida. Como Jeremias confessou: “Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23).


Sim, você pode escolher o que quer e pode planejar o que fará, mas a sua vontade não é livre para realizar qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus. Você também não tem o poder de alcançar seus objetivos, mas somente aqueles que Deus lhe permite alcançar. Na próxima vez que você tiver tão enamorado de sua própria vontade, lembre a parábola de Jesus sobre o homem rico. O homem rico disse: “Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens... Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12.18-21). Ele era livre para planejar, mas não para realizar. O mesmo acontece com você.

O mito da liberdade ética

A liberdade da vontade é citada como um fator importante em tomar decisões morais. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Novamente temos de perguntar: do que ela é livre? E o que a vontade do homem é livre para escolher?


A vontade do homem é o seu poder de escolher entre alternativas. Sua vontade decide realmente suas ações dentre várias opções. Você tem a capacidade de dirigir seus próprios pensamentos, palavras e atos. Suas decisões não são formadas por uma força exterior, e sim dentro de você mesmo. Nenhum homem é compelido a agir em contrário a sua vontade, nem forçado a dizer o que ele não quer dizer. Sua vontade guia suas ações.


Isso não significa que o poder de decidir é livre de todas as influências. Você faz escolhas baseado em seu entendimento, seus sentimentos, nas coisas de que gosta e de que não gosta e em seus apetites. Em outras palavras, a sua vontade não é livre de você mesmo! As suas escolhas são determinadas por seu caráter básico. A vontade não é independente de sua natureza, e sim escrava dela. Suas escolhas não moldam seu caráter, mas seu caráter guia suas escolhas. A vontade é bastante parcial ao que você sabe, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição de seu coração.


É por essa razão que a sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é serva de seu coração, e seu coração é mau. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). “Não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). Nenhum poder força o homem a pecar em contrário à sua vontade; os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal.


Suas decisões são moldadas pelo seu entendimento, e a Bíblia diz sobre todos os homens: “Antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21). O homem só pode ser justo quando deseja ter comunhão com Deus, mas “não há quem busque a Deus” (Rm 3.11). Seus desejos anelam pelo pecado, e, por isso, você não pode escolher a Deus. Escolher o bem é contrário à natureza humana. Se você escolher obedecer a Deus, isso será resultado de compulsão externa. Mas você é livre para escolher, e sua escolha está escravizada à sua própria natureza má.


Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. Isso aconteceria porque a natureza do leão dita a escolha. O mesmo se aplica ao homem. A vontade do homem é livre de força exterior, mas não é livre das inclinações da natureza humana. E essas inclinações são contra Deus. O poder de decisão do homem é livre para escolher o que o coração humano dita; portanto, não há possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem a obra anterior da graça divina.


O que muitas pessoas querem expressar quando usam o termo livre-arbítrio é a idéia de que o home é, por natureza, neutro e, por isso, capaz de escolher o bem ou o mal. Isso não é verdade. A vontade humana e toda a natureza humana é inclinada continuamente para o mal. Jeremias perguntou: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). É impossível. É contrário à natureza. Portanto, os homens necessitam desesperadamente da transformação sobrenatural de sua natureza, pois sua vontade está escravizada a escolher o mal.


Apesar do grande louvor que é dado ao “livre-arbítrio”, temos visto que a vontade do homem não é livre para escolher um curso contrário aos propósitos de Deus, nem é livre para agir em contrário à sua própria natureza moral. A sua vontade não determina os acontecimentos de sua vida, nem as circunstâncias dela. Escolhas éticas não são formadas por uma mente neutra, são sempre ditadas pelo que constitui a sua personalidade.

O mito da liberdade espiritual

No entanto, muitos afirmam que a vontade humana faz a decisão crucial de vida espiritual ou de morte espiritual. Dizem que a vontade é totalmente livre para escolher a vida eterna oferecida em Jesus ou rejeitá-la. Dizem que Deus dará um novo coração a todos que, pelo poder de seu próprio livre-arbítrio, escolherem receber a Jesus Cristo.


Não pode haver dúvida de que receber a Jesus Cristo é um ato da vontade humana. É freqüentemente chamado de “fé”. Mas, como os homens chegam a receber espontaneamente o Senhor? A resposta habitual é: “Pelo poder de seu próprio livre-arbítrio?” Como pode ser isso? Jesus é um Profeta – e receber a Jesus significa crer em tudo que ele diz. Em João 8.41-45, Jesus deixou claro que você é filho de Satanás. Esse pai maligno odeia a verdade e transmitiu, por natureza, essa mesma propensão ao seu coração. Por essa razão, Jesus disse: “Porque eu digo a verdade, não me credes”. Como a vontade humana escolherá crer no que a mente humana odeia e nega?


Além disso, receber a Jesus significa aceitá-lo como Sacerdote – ou seja, utilizar-se dele e depender dele para obter paz com Deus, por meio de seu sacrifício e intercessão. Paulo nos diz que a mente com a qual nascemos é hostil a Deus (Rm 8.7). Como a vontade escapará da influência da natureza humana que foi nascida com uma inimizade violente para com Deus? Seria insensato a vontade escolher a paz quando todo as outras partes do homem clamam por rebelião.


Receber a Jesus também significa recebê-lo como Rei. Significa escolher obedecer seus mandamentos, confessar seu direito de governar e adorá-lo em seu trono. Mas a mente, as emoções e os desejos humanos clamam: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14). Se todo o meu ser odeia a verdade de Jesus, odeia seu governo e odeia a paz com Deus, como a minha vontade pode ser responsável por receber a Jesus? Como pode um pecador que possui tal natureza ter fé?


Não é a vontade do homem, e sim a graça de Deus, que tem ser louvada por dar a um pecador um novo coração. A menos que Deus mude o coração, crie um novo espírito de paz, veracidade e submissão, a vontade do homem não escolherá receber a Jesus Cristo e a vida eterna nele. Um novo coração tem de ser dado antes que um homem possa escolher, pois a vontade humana está desesperadamente escravizada à natureza má do homem até no que diz respeito à conversão. Jesus disse: “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (Jo 3.7). A menos que você nasça de novo, jamais verá o reino de Deus.


Leia João 1.12-13. Essa passagem diz que aqueles que crêem em Jesus foram nascidos não “da vontade do homem, mas de Deus”. Assim como a sua vontade não é responsável por sua vinda a este mundo, assim também ela não é responsável pelo novo nascimento. É o seu Criador que tem de ser agradecido por sua vida. E, “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Co 5.17). Quem escolheu ser criado? Quando Lázaro ressuscitou dos mortos, ele pôde, então, escolher obedecer o chamado de Cristo, mas ele não pôde escolher vir à vida. Por isso, Paulo disse em Efésios 2.5: “Estando nós mortos em nossos delitos, [Deus] nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.5). A fé é o primeiro ato de uma vontade que foi tornada nova pelo Espírito Santo. Receber a Cristo é um ato do homem, assim como respirar, mas, primeiramente, Deus tem de dar a vida.


Não é surpreendente que Martinho Lutero tenha escrito um livro intitulado A Escravidão da Vontade, que ele considerava um de seus mais importantes tratados. A vontade está presa nas cadeias de uma natureza humana má. Você que exalta, com grande força,  o livre-arbítrio está se agarrando a uma raiz de orgulho. O homem, caído no pecado, é totalmente incapaz e desamparado. A vontade do homem não oferece qualquer esperança. Foi a vontade, ao escolher o fruto proibido, que nos colocou em miséria. Somente a poderosa graça de Deus oferece livramento. Entregue-se à misericórdia de Deus para a sua salvação. Peça ao Espírito de Graça que crie um espírito novo em você.

Traduzido por: Wellington Ferreira


Copyright© Walter Chantry
©Editora Fiel


Fonte: Editora Fiel