segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lee Strobel - O teste do preconceito



Esse teste consiste em saber se os autores dos evangelhos tinham algum preconceito capaz de contaminar seu trabalho. Teriam eles algum interesse oculto em deformar seu material narrativo?

— Não podemos subestimar o fato de essas pessoas amarem Jesus — eu disse enfaticamente. — Não eram observadores neutros; eram seguidores fiéis a Cristo. Será que isso não poderia levá-los a fazer certas modificações para que Jesus parecesse bom?

— Admitamos que a situação possibilite isso — disse Blomberg. — Mas também as pessoas são capazes de honrar e respeitar alguém a tal ponto que se sintam impelidas a registrar sua vida com a maior integridade possível. Essa seria a forma de demonstrar seu amor por tal pessoa. E é o que eu acho que aconteceu aqui. Além disso, esses discípulos nada tinham a ganhar exceto críticas, o ostracismo e o martírio. Com certeza nada lucraram financeiramente. Na verdade, foram pressionados a ficar quietos, a negar a Jesus, a diminuí-lo, e até mesmo a esquecer que um dia o conheceram.

No entanto, por causa de sua integridade, proclamaram o que viram, ainda que com isso tivessem de sofrer e morrer.

Fonte: “Em defesa de Cristo” da Editora Vida

segunda-feira, 23 de abril de 2012

John Piper - Quem planejou o assassinato de Cristo?



O exemplo mais claro de que até o mal moral se enquadra nos planos de Deus é a crucificação de Cristo. Quem negaria que a traição de Jesus por Judas foi um ato moralmente mau?

Contudo, em Atos 2.23, Pedro diz: "Esse Jesus, sendo entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos". A traição foi pecado, mas fez parte do plano determinado por Deus. O pecado não frustrou seu plano nem deteve sua mão.

Ou quem poderia dizer que o desdém de Herodes (Lc23.11) ou a atitude covarde de Pilatos (Lc 23.24) ou o grito dos judeus: "Crucifica-o! Crucifica-o!" (Lc 23.21) ou a zombaria dos soldados gentios (Lc 23.26) — quem diria que essas atitudes não eram pecados? Todavia, Atos 4.27,28 registra a oração dos santos:

Verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazer tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.

As pessoas erguem a mão para rebelar-se contra o Altíssimo, apenas para descobrir que sua rebeldia está, contra a sua vontade, a serviço dos maravilhosos desígnios de Deus. Nem mesmo o pecado pode frustrar os propósitos do Todo-poderoso. Ele não comete pecado, mas decretou que houvesse atos que são pecado — pois os atos de Pilatos e Herodes foram predestinados pelo plano de Deus.

Fonte: Extraído do excelente livro “Em busca de Deus” da Editora Shedd Publicações

segunda-feira, 16 de abril de 2012

John Landers - Graça Imediata


Lutero reformulou a doutrina católica dos sacramentos, à luz da justificação pela fé. Conforme sua compreensão, a salvação vem, não pelas obras, mas pela graça. Os Sacramentos, contudo, são os meios da graça; através dos sacramentos, a graça alcança o indivíduo. Mas será que os sete sacramentos da Igreja Católica Romana satisfazem este critério? Claramente a penitência não encontraria lugar no sistema luterano O reformador eliminou, um após outro, os sacramentos, ficando apenas dois: O Batismo e a Ceia do Senhor. O Batismo ele entendeu como o início da vida crista; a água batismal, por causa de sua associação com a Palavra de Deus, cancela o pecado original e concede a graça do Espírito Santo¹. A criança se torna cristã pelo batismo, mas sua alma será fortalecida durante toda a vida pela graça recebida nos elementos da Eucaristia.

Apesar das mudanças, a religião de Lutero continuava altamente sacramental. O luterano temia o inferno menos que o católico. Cria receber a salvação de graça em seu batismo. Quando sentia a necessidade de confessar seus pecados, orava diretamente a Deus, por intermédio de Jesus Cristo; ele não tinha seu pastor como sacerdote. Os dois sacramentos - Batismo e Ceia - garantiam-lhe a graça de Deus, mediante a obra de Cristo.

O batista acha estranha a interpretação luterana da justificação pela graça. Para os batistas, cada crente encontra a graça de Deus em sua própria experiência. A graça não vem canalizada em determinados sacramentos. Paulo não encontrou Jesus em água, nem em pão, mas na experiência imediata da presença de Deus. Assim, hoje cada crente recebe a graça salvadora em sua experiência pessoal.

Os batistas pregam a justificação pela graça mediante a fé (Ef 2: 8,9). O meio da graça é a fé. Lutero ensinou corretamente que a salvação é pela graça, mas ele ainda guardou os dois baluartes de toda igreja estatal - o batismo infantil e a graça sacramental. Os anabatistas e seus sucessores sempre rejeitaram a igreja estatal, e acabaram se organizando em igrejas de crentes, batizados sob profissão de fé. Para eles, a salvação não depende das obras. Em última análise, o Batismo e a Ceia do Senhor são, também, boas obras. A salvação é pela graça de Deus, operando soberana e misteriosamente na vida de cada indivíduo, pela ação do Espírito Santo. O batista entende a graça divina como graça imediata - graça recebida na experiência direta com Deus.

Notas
1 LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, Quarta Parte.

Versículo do texto (como auxílio para leitura):
(Efésios 2:8)  Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

(Efésios 2:9)  não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Fonte: "Teologia dos Princípios Batistas" da Editora JUERP

domingo, 15 de abril de 2012

Louis Berkhof - Aliança das obras


HOUVE PROMESSA DE VIDA ETERNA

Alguns negam a existência de qualquer prova bíblica de tal promessa. Pois bem, é certo que não há registro explícito dessa promessa, mas ela está claramente implícita na alternativa da morte como o resultado da desobediência. A clara implicação do castigo anunciado é que, em caso de obediência, a morte não entraria no mundo, e isto só pode significar que a vida teria continuídade. Tem-se objetado que isto significa apenas a continuação da vida natural de Adão, e não daquilo que a Escritura chama de vida eterna. Mas a idéia bíblica de vida é vida em comunhão com Deus; e esta é a vida que Adão tinha, embora no caso dele ainda pudesse ser perdida. Se Adão se saísse bem da prova, esta vida não somente seria mantida, mas também deixaria de estar sujeita a ser perdida e, portanto, seria elevada a um plano mais alto. Paulo diz-nos expressamente em Rm 7.10 que o mandamento, que é a lei, era para a vida. Comentando este versículo, Hodge diz: “A lei foi destinada e adaptada para assegurar a vida, mas de fato veio a ser a causa da morte”. Isso está claramente indicado também em passagens como Rm 10.5; G1 3.13. Ora, admite-se geralmente que esta gloriosa promessa de vida perene de modo nenhum estava implícita na relação natural de Adão com Deus, mas tinha base diferente. Mas admitir a existência de algo positivo aí, uma complacência especial de Deus, é aceitar o princípio da aliança. Pode continuar havendo alguma dúvida quanto à propriedade do nome “aliança das obras”, mas não pode haver quaisquer objeções válidas à idéia de aliança.

Versículos do texto (como auxílio para leitura):
(Romanos 7:10) e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte.

(Romanos 10:5) Porque Moisés escreve que o homem que pratica a justiça que vem da lei viverá por ela.

(Gálatas 3:13) Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.

Fonte: “Teologia Sistemática” da Editora Cultura Cristã

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Wayne Grudem - Deus existe eterna e necessariamente como Trindade


Quando o universo foi criado, Deus Pai proferiu as potentes palavras criadoras que o geraram; Deus Filho foi o agente divino que executou essas palavras (Jo 1.3; 1Co 8.6; Cl 1.16; Hb 1.2) e o Espírito de Deus "pairava por sobre as águas" (Gn 1.2). Então é como seria de esperar: se os três membros da Trindade são igual e plenamente divinos, então todos eles existiram desde a eternidade, e Deus sempre existiu eternamente como Trindade (cf. também Jo 17.5, 24). Além disso, Deus não pode ser diferente do que é, pois é imutável. Portanto, parece correto concluir que Deus existe necessariamente como Trindade - não pode ser diferente do que é.

Versículos do texto (como auxílio para leitura):
(Jo 1:3)  Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

(1Co 8:6)  todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também.

(Cl 1:16)  porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.

(Hb 1:2)  nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo;

(Gn 1:2)  A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

(Jo 17:5)  Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

(Jo 17:24)  Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para verem a minha glória, a qual me deste; pois que me amaste antes da fundação do mundo.

Fonte: "Teologia Sistemática" da Editora Vida Nova