domingo, 27 de maio de 2012

Richard Baxter - O cuidado de si mesmo



...tem cuidado de ti mesmo. Assegura-te de que hás sido verdadeiramente convertido. Toma cuidado de não estares pregando acerca de Cristo a outros, enquanto que tu mesmo estejas sem Cristo. Foi prometida aos fiéis pregadores do Evangelho uma recompensa gloriosa, mas tu jamais desfrutarás desta recompensa, a menos que tu mesmo tenhas recebido primeiro o Evangelho. Há muitos pregadores que estão agora no Inferno, os quais advertiam, muitas vezes, os seus ouvintes da necessidade de escapar dele. Talvez esperes que Deus te salve a ti por teres oferecido o Evangelho a outros, enquanto que tu o rechaças? Deus nunca prometeu salvar os pregadores, sem importar quão dotados fossem, a menos que eles fossem convertidos.

Ser não convertido é terrível, mas ser um pregador não convertido é muito pior. Não terás medo de abrir a tua Bíblia e leres acerca da tua própria condenação? Quando pregas o Evangelho, não te dás conta que estás incrementando a tua própria culpa, ao rechaçares o Salvador que proclamas? Contudo, é comum que um pregador não convertido não se precate da sua própria condição. Diariamente tem contacto com as verdades preciosas e exteriormente vive uma vida santa. Ele denuncia o pecado nos outros e anima-os a viver uma vida santa. Quão trágico é morrer de fome tendo o pão da vida nas mãos e estar animando a outros para que comam dele. Se isto for verdade acerca de ti, então aconselho-te a que pregues para ti mesmo antes de continuares pregando aos outros. Ajudar-te-á no dia do juízo dizeres: “Senhor, Senhor, preguei em Teu nome”, somente para escutares as terríveis palavras “aparta-te de Mim, não te conheço”? Aconselho-te a que confesses os teus pecados diante da tua grei e lhes peças que orem pela conversão do seu ministro.

Fonte: Trecho de “O pastor aprovado” da PES

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jonathan Edwards - Inferno?! Pregue acreditando!



Quando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que ele é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, como observei anteriormente, as ações também têm sua própria linguagem. Se o sermão de um pregador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, ao mesmo tempo que seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso – mostrando que ele não pensa assim - , tal ministro vai contra seu próprio objetivo, porque nesse caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras.

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Pergunto a qualquer um: não é este mesmo o caminho que os homens tomariam se corressem perigo de uma grande calamidade natural? Suponhamos que algum de vocês que são chefes de família visse um de seus filhos dentro de uma casa totalmente em chamas; se, na iminência de ser consumida pelo fogo, a criança estivesse completamente inconsciente do perigo e não fizesse nenhuma tentativa para fugir depois de você lhe ter gritado, você passaria a falar com ela de maneira apenas fria e indiferente? Você não gritaria bem alto, chamando-a com seriedade do modo mais vigoroso possível, mostrando-lhe o perigo em que se encontra e sua insensatez em se demorar? Será que sua própria natureza não lhe ensinaria isso, obrigando-o a tomar tal atitude?

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Alguns dizem que é ilógico usar o medo a fim de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para afugentar as pessoas do inferno, em cuja margem elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem dar conta do perigo. Não seria justo afugentar alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico.

Fonte: Trechos extraídos de “A verdadeira obra do Espírito” da Editora Vida Nova

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Santo Agostinho - O perdão



"Como agradecerei ao Senhor" o ter-se a minha memória recordado destes fatos e a minha alma não ter sentido temor? Amar-Vos-ei, Senhor, dar-Vos-ei graças e confessarei o vosso nome, porque me perdoastes ações tão más e tão indignas. Atribuo à vossa graça e à vossa misericórdia o terdes-me dissolvido, como gelo, os pecados. À vossa graça devo também o ter fugido do mal que não pratiquei. Oh! de que não era eu capaz, se até amei, sem recompensa, o pecado?!

Confesso que tudo me foi perdoado: o mal que de livre vontade cometi e o que não pratiquei graças à vossa ajuda. Que homem há que, refletindo na sua enfermidade, ouse atribuir às próprias forças a sua castidade e inocência para Vos amar menos, como se lhe fosse pouco necessária a misericórdia com que perdoastes os pecados aos que se voltam para Vós? Aquele que, a vosso convite, seguiu o chamamento e evitou as faltas — que agora lê em mim, quando as recordo e confesso — não se ria de eu ter sido curado da minha doença por Aquele médico. Por Ele foi-lhe concedido não cair na mesma doença, ou antes, fez com que enfermasse com menos gravidade. Por conseguinte, ame-Vos ele outro tanto. Mas que digo eu? ame-Vos ainda mais, por me ver a mim livre de tão grande enfermidade, graças Àquele por quem, do mesmo modo, se vê desenredado de tão grande languidez de pecados.

Fonte: “Santo Agostinho” – Coleção Os Pensadores. Editora Abril

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dr. Sam Storms - Hebreus 6:4-6 e a Possibilidade de Apostasia

Esta é indubitavelmente uma das mais controversas e freqüentemente debatidas passagens em toda a Escritura. Não seria errado dizer que aqueles que crêem que um crente genuíno pode perder sua salvação apelam a esta passagem com mais freqüência que qualquer outra. Leia a passagem atentamente.

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.

Quem são aquelas pessoas que uma vez foram iluminadas, provaram do dom celestial, se tornaram participantes do Espírito Santo, provaram da boa Palavra de Deus e dos poderes do século futuro, e então recaíram? É importante que saibamos, pois é impossível renová-las outra vez para o arrependimento, uma vez que elas novamente crucificaram o Filho de Deus e o expuseram ao vitupério.

Existem provavelmente mais de doze opções interpretativas a essa passagem, que podem ser encontradas em comentários ou periódicos. Não é meu propósito interagir com eles. Pelo contrário, estou focando somente na questão de se a terminologia nos versos 4 e 5 nos levaria a concluir que estes indivíduos são nascidos de novo, justificados, crentes.

Estas pessoas são homens e mulheres cristãos nascidos de novo? Se forem, destrói-se a doutrina da segurança eterna. Ou é possível para alguém experimentar alguma forma de iluminação espiritual, provar bênçãos espirituais, partilhar do Espírito Santo e ainda assim nunca ter conhecido Jesus de um modo salvífico? Creio que a resposta para esta última questão é Sim. Deixe-me começar dando seis razões do próprio livro de Hebreus para mostrar que as pessoas que apostataram não são nascidas de novo.

Primeiramente, a situação descrita nos versos 4-6 é ilustrada nos versos 7-8. Lá nós lemos, “Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela [este beber chuvas freqüentes refere-se às bênçãos dos versos 4-5: iluminação, participar do Espírito, provar bênçãos espirituais, etc.], e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos [isto corresponde à queda do v.6a], é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.

A chuva cai em todos os tipos de solo, mas não se pode dizer, apenas com base nisso, que tipo de vegetação, se haverá alguma, aparecerá. A figura aqui não é de um solo que recebe chuva freqüente, dá vida e vegetação, e então a perde. A figura é sobre dois tipos de solo juntos. Um responde à chuva [bênçãos e oportunidades espirituais] por produzir vegetação abundante, enquanto o outro é estéril, sem vida e, assim condenado. Da mesma forma, pessoas que ouvem o evangelho e respondem com fé salvífica manifestam vida. Outras, entretanto, que sentam na igreja, ouvem a verdade e são abençoadas pelo ministério do Espírito Santo mas que eventualmente viram suas costas a tudo isso, são como um campo em que nunca floresce vegetação e assim vão a julgamento.

Como Wayne Grudem nota,
A idéia de terra que uma vez deu bons frutos e agora traz espinhos não é compatível com esta figura. A implicação é esta: enquanto as experiências positivas listadas nos versos 4-6 não nos dão informação suficiente para saber se as pessoas são verdadeiramente salvas ou não, a atitude de apostasia e expor Cristo à vergonha revelam a verdadeira natureza daqueles que caíram: todos eles são como um solo ruim que pode dar apenas frutos maus. Se a metáfora da terra de espinhos explica os versos 4-6 (como certamente o faz), então sua queda mostra que primeiramente eles nunca foram salvos (Perseverance of the Saints: A Case Study from Hebrews 6:4-6 and the Other Warning Passages in Hebrews, in Still Sovereign, Baker; 156-57).
Segundo: em 6.9 lemos um contraste significante: Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. As coisas melhores em vista são listadas em 10-12, coisas como trabalho, amor, serviço, diligência, completa certeza da salvação e fé, paciência, herança das promessas. Estas coisas são melhores que as experiências dos versos 4-6 precisamente porque elas pertencem à ou são acompanham a salvação . Em outras palavras, o autor diz que está confiante de que muitos de seus leitores têm coisas melhores que as pessoas descritas nos versos 4-6, e estas coisas são melhores, pois seus leitores têm coisas que pertencem à salvação. Isto implica que as bênçãos nos versos 4-6 não são coisas que pertencem à salvação (Grudem, 159).

Antes de seguir adiante, vamos resumir os versos 7-12. Os versos 7-8 descrevem as pessoas nos versos 4-6 como terra infrutífera que repetidamente produz espinhos e abrolhos, e, portanto indica que elas nunca foram salvas. Versos 9-12 dizem que os leitores, em geral, têm coisas melhores que as experiências temporárias dos versos 4-6, e que estas coisas melhores incluem a salvação. Portanto, tanto os versos 7-8 como verso 9 indicam que as pessoas nos versos 4-6, que caíram, nunca tiveram salvação (Grudem, 160).

Terceiro, de acordo com Hebreus 3.14 (e 3.6), nós nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Note bem: ele diz que nós nos tornamos participantes de Cristo, não que nos tornaremos ou somos agora participantes, se perseverarmos na fé. Em outras palavras, se reter firmemente a fé, i.e., perseverar, isto prova que você se tornou parceiro de Cristo no passado. Falhar em sustentar a fé, u.e., apostatar da fé, prova que você nunca foi um participante de Cristo. Apostasia ou cair (6.6a) não significa que uma vez você estava, mas agora caiu da participação em Cristo. Significa que você nunca foi ou nunca se tornou um participante.

Fonte: Leia o texto integral em Monergismo

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A. A. Hodge - Princípio geral da alma humana



A alma do homem é um só agente indivisível, e não um conjunto organizado constando de diversas partes; em conseqüência, aquilo que descrevemos como suas diversas faculdades é, antes, a capacidade desse agente único para desempenhar, simultânea ou sucessivamente, as diversas funções envolvidas, e nunca devemos concebê-las como se fossem partes ou órgãos que existem separadamente. Essas diversas funções exercidas pela alma são tão variadas e complexas que é necessário que se faça uma análise minuciosa delas, para que tenhamos uma idéia definida da sua natureza. Ao mesmo tempo, convém que estejamos lembrados de que grande parte dos erros em que caíram os filósofos em suas interpretações da constituição moral do homem, foram o resultado do abuso desse mesmo processo de análise. Isso é verdade especialmente com respeito à interpretação dos atos voluntários da alma humana. Na prossecução da sua análise, o filósofo chega a reconhecer separadamente as diferenças e as semelhanças dessas várias funções da alma, e muitas vezes não se lembra de que essas mesmas funções nunca estão assim em operação isoladamente, e sim concorrentemente, por ser a alma um só agente indivisível, e que, por isso, as suas funções diversas sempre se restringem mutuamente. Assim também não é, de fato, verdade que a inteligência raciocina, que o coração sente, a consciência aprova ou condena e a vontade decide do mesmo modo como os diversos membros do corpo operam juntos, e os diversos membros de um conselho deliberam e decidem mediante ação conjunta de suas partes; porém a verdade é que a alma, que é uma só e indivisível, racional, sensível, moral e autodeterminante, raciocina, sente, aprova ou condena e decide.

O poder autodeterminante da vontade, como faculdade abstrata, é um absurdo como doutrina, e seria funesto como experiência; mas o poder autodeterminante da alma humana como um agente fatual, racional e sensível, é um fato de consciência universal e uma doutrina fundamental da filosofia moral e da teologia cristã. A questão real não versa sobre a liberdade da vontade, e sim sobre a liberdade do homem em determinar-se ou em escolher. É óbvio que somos livres se temos a liberdade de nos determinarmos como nos convém, isto é, segundo nos parece bem, tomando tudo em consideração.

Fonte: “Esboços de Teologia” da PES

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Phillip R. Johnson - Supralapsarianismo & Infralapsarianismo

Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Romanos 9:21).
 
Este artigo considera quatro dos principais modos de ordenação dos elementos sotereológicos do decreto eterno de Deus — com um foco particular sobre as diferenças entre o supralapsarianismo e o infralapsarianismo. Eu resumi as diferenças no quadro comparativo abaixo. As notas explanatórias seguem logo abaixo do mesmo. 

Sumário das Visões

Supralapsarianismo
Infralapsarianismo
Amyraldismo
Arminianismo
1. Eleger alguns, reprovar o restante. 1. Criar. 1. Criar. 1. Criar.
2. Criar. 2. Permitir a Queda. 2. Permitir a Queda. 2. Permitir a Queda.
3. Permitir a Queda. 3. Eleger alguns, ignorar o restante. 3. Providenciar salvação suficiente para todos. 3. Providenciar salvação para todos.
4. Providenciar salvação para os eleitos. 4. Providenciar salvação para os eleitos. 4. Eleger alguns, ignorar o restante. 4. Chamado de todos à salvação.
5. Chamado do eleito à salvação. 5. Chamado do eleito à salvação. 5. Chamado do eleito à salvação. 5. Eleger aqueles que crêem.
 
A distinção entre o infralapsarianismo e o supralapsarianismo tem a ver com a ordem lógica dos decretos eternos de Deus, não com o momento da eleição. Nenhum deles sugere que os eleitos foram escolhidos após Adão pecar. Deus fez Sua escolha antes da fundação do mundo (Efésios 1:4) — bem antes de Adão pecar. Tantos os infra como os supra (e até mesmo muitos arminianos) concordam sobre isto.

SUPRALAPSARIANISMO é a visão de que Deus, contemplando o homem ainda não-caído, escolheu alguns para receber a vida eterna e rejeitou todos os outros. Assim, um supralapsariano diria que o reprovado (não-eleito) — vaso de ira preparado para destruição (Romanos 9:22) — foram primeiramente ordenados para este fim, e então os meio pelo qual eles cairiam em pecado foi ordenado. Em outras palavras, o supralapsarianismo sugere que o decreto de eleição de Deus logicamente precede Seu decreto de permitir a queda de Adão — de forma que sua condenação é, antes de tudo, um ato de soberania divida, e somente secundariamente um ato de justiça divina.

O supralapsarianismo é algumas vezes, de forma errônea, considerado o mesmo que “dupla predestinação”. O próprio termo “dupla predestinação” é freqüentemente usado duma forma equivocada e ambígua. Alguns usam-no querendo dizer nada mais do que a visão de que o destino eterno, tanto do eleito como do reprovado, é determinado pelo decreto eterno de Deus. Neste sentido do termo, todo calvinista genuíno sustenta a “dupla predestinação” — e, o fato de que o destino do reprovado está eternamente determinado, é uma doutrina claramente bíblica (cf. 1 Pedro 2:8; Romanos 9:22; Judas 4). Mas mais freqüente ainda, a expressão “dupla predestinação” é empregada como um termo pejorativo para descrever a visão daqueles que sugerem que Deus é tão ativo em manter o réprobo fora do céu como Ele é em colocar os eleitos dentro dele (Há uma forma ainda mais sinistra de “dupla predestinação”, que sugere que Deus é tão ativo em manter o réprobo mau como Ele o é em manter o eleito santo).

Esta visão (de que Deus é tão ativo na reprovação do não-eleito como Ele o é na redenção do eleito) é mais propriamente chamada de “igualdade última” (cf. R.C. Sproul, Chosen by God [Eleitos de Deus], 142). Ela é realmente uma forma de hiper-calvinismo e não tem nada a ver com o verdadeiro e histórico calvinismo. Embora todos os que sustentem tal visão também sustentem o esquema supralapsariano, a visão em si mesma não é necessariamente uma ramificação do supralapsarianismo.

O supralapsarianismo é também algumas vezes, erroneamente, considerado o mesmo que hiper-calvinismo. Todos os hiper-calvinistas são supralapsarianos, embora nem todos os supralapsarianos sejam hiper-calvinistas. O supralapsarianismo é algumas vezes chamado de “high” calvinismo, e seus aderentes mais extremos tendem a rejeitar a noção de que Deus tenha algum grau de sincera boa-vontade ou significante compaixão para com os não-eleitos. Historicamente, uma minoria de calvinistas têm sustentado esta visão.

Mas, o comentário de Boettner de que “não mais que um calvinista dentre cem sustenta a visão"supralapsariana”, é, sem dúvida, um exagero. E, na década passada ou aproximadamente, a visão supralapsariana parece ter ganhado popularidade.

O INFRALAPSARIANISMO (também conhecido como “sub-lapsarianismo”) sugere que o decreto de Deus permitir a queda precede logicamente Seu decreto de eleição. Assim, quando Deus escolheu o eleito e ignorou o não-eleito, Ele estava contemplando todos eles como criaturas caídas.

Estas são as duas principais visões calvinistas. No esquema supralapsariano, Deus primeiro rejeitou os réprobos, como resultado de Seu soberano beneplácito; então Ele ordenou os meios de sua condenação através da queda. Na ordem infralapsariana, os não-eleitos foi primeiramente visto como indivíduos caídos, e eles foram condenados somente por causa do seu próprio pecado. Os infralapsarianos tendem a enfatizar o fato de Deus “ignorar” os não-eleitos (preterição) em Seu decreto de eleição.

Robert Reymond, ele mesmo um supralapsariano, propõe a seguinte redefinição da visão supralapsariana:

O Supralapsarianismo Modificado de Reymond
1. Eleger alguns homens pecadores, reprovar o restante.
2. Aplicar os benefícios redentores aos eleitos.
3. Providenciar salvação para os eleitos.
4 Permitir a Queda.
5. Criar.

Note que, em acréscimo à re-ordenação dos decretos, a visão de Reymond deliberadamente enfatiza que no decreto de eleição e reprovação, Deus estava contemplando os homens como pecadors. Reymond escreve, “Neste esquema, diferentemente do anterior (a ordem supralapsariana clássica), Deus é representado como discriminando entre homens vistos como pecadores, e não entre homens vistos simplesmente como homens (Veja Robert Reymond, Systematic Theology of the Christian Faith [Teologia Sistemática da Fé Cristã], 489). O refinamento de Reymond evita o criticismo comumente levantado contra o supralapsarianismo — que o supralapsariano tem Deus condenado os homens à perdição antes dEle nem mesmo contemplá-los como pecadores. Mas a visão de Reymond também deixa a questão não-respondida de como e porque Deus deveria considerar todos os homens como pecadores, antes que fosse determinado que a raça humana cairia (Alguns podem até mesmo argumentar que os refinamentos de Reymond resultam numa posição que, até onde diz respeito à distinção chave, é implicitamente infralapsariana).

Todos os principais Credos Reformados, ou são explicitamente infralapsarianos, ou evitam cuidadosamente uma linguagem que favorece uma ou outra visão. Nenhum credo importante toma a posição supralapsariana (Todo este assunto foi veementemente debatido durante toda a Assembléia de Westminster. William Twisse, um ardoroso supralapsariano e presidente da Assembléia, defendeu habilmente sua visão. Mas, a Assembléia optou pela linguagem que claramente favorece a posição infralapsariana, embora sem condenar o supralapsarianismo).
“Bavinck assinalou que a apresentação supralapsariana 'não foi incorporada a nenhuma Confissão Reformada', mas que a posição infralapsariana recebeu um lugar oficial nas Confissões das igrejas” (Berkouwer, Divine Election, 259).
A discussão de Louis Berkhof das suas visões (em sua Teologia Sistemática) é útil, embora ele pareça favorecer o supralapsarianismo. Eu tomo a visão infralpasariana, como Turretin, a maioria dos teólogos de Princeton, e a maioria dos líderes do Seminário de Westminster (por exemplo, John Murray). Estes assuntos foram o cerne da controvérsia da “graça comum” na primeira metade do século XX. Herman Hoeksema e aqueles que seguiram-no tomaram uma posição supralapsariana tão rígida que eles, no final das contas, negaram o próprio conceito de graça comum.
Finalmente, veja o quadro abaixo, que compara estas visões com o Amyraldianismo (um tipo de calvinismo de quatro-pontos) e o Arminianismo. Minhas notas em cada visão (abaixo), identifica alguns dos maiores defensores de cada visão.


NOTAS SOBRE A ORDEM DOS DECRETOS
© 1994, 1997, 2000 by Phillip R. Johnson


Fonte: Para ler o artigo completo, acesse Monergismo