quinta-feira, 17 de maio de 2012

Santo Agostinho - O perdão



"Como agradecerei ao Senhor" o ter-se a minha memória recordado destes fatos e a minha alma não ter sentido temor? Amar-Vos-ei, Senhor, dar-Vos-ei graças e confessarei o vosso nome, porque me perdoastes ações tão más e tão indignas. Atribuo à vossa graça e à vossa misericórdia o terdes-me dissolvido, como gelo, os pecados. À vossa graça devo também o ter fugido do mal que não pratiquei. Oh! de que não era eu capaz, se até amei, sem recompensa, o pecado?!

Confesso que tudo me foi perdoado: o mal que de livre vontade cometi e o que não pratiquei graças à vossa ajuda. Que homem há que, refletindo na sua enfermidade, ouse atribuir às próprias forças a sua castidade e inocência para Vos amar menos, como se lhe fosse pouco necessária a misericórdia com que perdoastes os pecados aos que se voltam para Vós? Aquele que, a vosso convite, seguiu o chamamento e evitou as faltas — que agora lê em mim, quando as recordo e confesso — não se ria de eu ter sido curado da minha doença por Aquele médico. Por Ele foi-lhe concedido não cair na mesma doença, ou antes, fez com que enfermasse com menos gravidade. Por conseguinte, ame-Vos ele outro tanto. Mas que digo eu? ame-Vos ainda mais, por me ver a mim livre de tão grande enfermidade, graças Àquele por quem, do mesmo modo, se vê desenredado de tão grande languidez de pecados.

Fonte: “Santo Agostinho” – Coleção Os Pensadores. Editora Abril