sábado, 25 de agosto de 2012

Abraham Kuyper - Religião e intelecto



Os homens sábios de nossa geração sustentam que a religião deve retirar-se do recinto do intelecto humano. Deve procurar expressar-se por meio de sensações místicas, ou então, por meio de vontade prática. No campo da religião as inclinações místicas e éticas são saudadas com entusiasmo, mas neste mesmo campo o intelecto, como conduzindo a alucinações metafísicas, deve ser amordaçado. A Metafísica e a Dogmática são cada vez mais declaradas tabus, e o Agostinianismo é aclamado sempre mais espalhafatosamente como a solução do grande enigma. Sobre os rios do sentimento e da emoção, a navegação é feita livremente, e a atividade ética está se tornando a única pedra de toque para testar o ouro religioso; mas a metafísica é evitada como afogando-nos em um pântano. Tudo quanto se anuncia com a pretensão de um dogma axiomático é rejeitado como contrabando irreligioso. E embora este mesmo Cristo, que muitos eruditos honram como um gênio religioso, tenha nos ensinado enfaticamente: “Tu amarás a Deus, não apenas com todo teu coração e com toda tua força, mas também com toda tua mente”, todavia eles, pelo contrário, aventuram-se a dispensar nossa mente, ou intelecto, como inapta para uso neste campo santo, e como não preenchendo os requerimentos de um órgão religioso.

Fonte: “Calvinismo” da Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Filipe Machado - O cristão e a pirataria


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Amado Cornélio, sinto-me compelido a lhe escrever - ainda que brevemente - sobre uma questão que está muito na "moda" nos dias de hoje, isto é, o contribuir-se para a pirataria (ou como dizem, "ser contra o sistema" - já escrevi sobre isso, aqui).

Lembro-me de quando você conversou comigo e falou que não conseguia entender o porquê ser errado comprar cd's piratas, baixar músicas, filmes, jogos, pois segundo seu entendimento, não precisamos seguir "as regras" do jogo quando elas são injustas. O problema, meu estimado irmão, é que mesmo fazendo sentido sua argumentação, tanto na questão de que o governo nos aflige com altas doses de impostos, como sobre a licitude de tomar para si aquilo que não conseguimos de outra maneira, a Bíblia não dá apoio para sua prática, aliás, a condena.

As Escrituras nos ensinam a dar bom testemunho dos frutos do Espírito Santo em nossa vida - "Em tudo te dá por exemplo de boas obras" (Tt 2.7). Estamos vivendo em dias onde a pirataria está sendo veemente combatida. Organizações mundiais estão desejando acabar com o furto eletrônico e assim dar o que é devido aos fabricantes, contudo, veja que você e muitos cristãos estão querendo caminhar justamente na corrente contrária, isto é, querem legalizar a pirataria e que "danem-se" os direitos autorais. Concordo com você que os preços são abusivos e que não dão a mínima chance para que todos tenham acesso, porém não é igualmente verdadeiro que se todos cooperassem, os preços iriam baixar? Ademais, você como jovem cristão e com disposição "de sobra", já pensou em começar um movimento que estimule a compra de produtos originais, a fim de viabilizar o mercado para todos?

Fonte: Leia o texto na íntegra acessando o Blog 2Timóteo 3.16

domingo, 19 de agosto de 2012

William O. Einwechter - Igreja e Estado



A teonomia também defende a separação da igreja e o Estado. A igreja e o Estado são instituições distintas, cada uma tendo o seu próprio ministério claramente definido por Deus. O Estado é um ministro de justiça civil para assegurar os direitos dos seus cidadãos e para punir os malfeitores (Dt 19.13; 25.1-2; Rm 13.1-4; 1Pe 2.14). A igreja é um ministro da graça através da pregação da Palavra de Deus e a administração dos sacramentos (Mt 28.19-21; 26.26-28; 1Tm 3.15; 4.13). O Estado não deve controlar (governar) a igreja, nem deve a igreja controlar (governar) o Estado. Contudo, ambos, igreja e Estado, devem agir sob a autoridade e lei de Cristo; ambos, igreja e Estado, devem servir ao reino de Deus cumprindo suas respectivas comissões; ambos devem assistir um ao outro e influenciar um ao outro para o bem.

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A teonomia condena fortemente a visão secular atual da separação da igreja e do Estado, que na verdade promove a separação do Estado e de Deus e a autoridade de sua lei. Essa perversão secular da doutrina bíblica da separação institucional da Igreja e do Estado é na verdade uma tentativa do homem autônomo deificar o Estado, e fazer da palavra do Estado a lei da nação em lugar da Palavra de Deus, que deveria ser a lei da nação.

Fonte: “Ética & a Lei de Deus” da Editora Monergismo

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Carl F. Ellis Jr. - O mistério do sofrimento



De muitas maneiras o sofrimento é um mistério. Sinto-me confortado com o que Francis Schaeffer me disse muitas vezes: “Agora vemos apenas o lado devedor da fatura. Ainda não vemos o lado do crédito. Quando virmos toda a fatura, então diremos: ‘Por que não vi as coisas desta maneira antes?’”. Essa é a razão por que a Bíblia nos ensina a enxergar agora pela fé. Embora o sofrimento seja um mistério para nós, ele não é um mistério para Deus. Os mistérios podem ser dolorosos, mas não deveriam nos deixar perplexos. Para Deus não há mistério. Ele está satisfeito porque vê a fatura toda. Também ficaremos satisfeitos quando virmos todas as coisas com base na perspectiva de Deus. Até lá, devemos aprender a nos contentar com a satisfação de Deus. Se fizermos isso, teremos paz.

Fonte: “O sofrimento e a soberania de Deus” de John Piper e Justin Taylor

sábado, 11 de agosto de 2012

Zacarias Ursinus - Lei e Evangelho



A doutrina da igreja consiste de duas partes: a Lei e o Evangelho, nas quais temos compreendido a soma e substância das sagradas Escrituras... Portanto, a lei e o evangelho são as principais e gerais divisões das Escrituras sagradas, e compreendem toda a doutrina nelas contida... pois a lei é o nosso tutor, que nos conduz a Cristo, constrangendo-nos a correr para ele, e monstrando-nos o que é justiça, o que ele fez e agora oferece a nós. O evangelho, porém, declaradamente trata da pessoa, do ofício e dos benefícios de Cristo. Temos, portanto, na lei e no evangelho, toda a Escritura compreendendo a doutrina revelada do céu para a nossa salvação... A lei prescreve e ordena o que deve ser feito, e proíbe o que deve ser evitado, enquanto o evangelho anuncia a livre remissão dos pecados, por meio de Cristo e por amor de Cristo... A lei é conhecida a partir da natureza; o evangelho é revelado divinamente... A lei promete vida sob condição de perfeita obediência; o evangelho, sob condição de fé em Cristo e o início de uma nova obediência.

Fonte: citação contida em “O Deus da promessa” de Michael Horton

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

John Piper - O prazer na oração


Uma das evidências de que a busca da nossa alegria e a busca da glória de Deus devem ser a mesma coisa é o ensino de Jesus sobre oração no Evangelho de João. As duas declarações-chave estão em João 14.13 e 16.24. Uma mostra que a oração é a busca da glória de Deus. A outra mostra que a oração é a busca da nossa alegria.

Em João 14.13, Jesus diz: “Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”. E em João 16.24 ele diz: “Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”. A união desses dois objetivos – a glória de Deus e a alegria dos seus filhos – é claramente preservada no ato da oração. Por isso, o cristão que busca o prazer será, acima de tudo, uma pessoa consagrada à oração séria. Assim como o cervo sedento se ajoelha para beber no riacho, a postura característica do cristão que busca prazer é de joelhos.

Olhemos mais de perto a oração como busca da glória de Deus e como busca da nossa alegria, nessa ordem.

Fonte: “Em busca de Deus” da Shedd Publicações

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Moisés C. Bezerril - A Excelência dos atos de Cristo



Ele não veio ao mundo para ser um milagreiro, mas sim, o Salvador. É isso que precisa ser enfatizado agora, mais do que nunca. Nos dias de hoje em que até mesmo as igrejas históricas estão mudando o foco do evangelho para o curandeirismo, essa palavra é muito mais do que atual. Não há sequer um único versículo na Bíblia que ensine um suposto ministério de curas. O arrependimento para a remissão dos pecados foi o tema do ministério que Jesus deu aos seus apóstolos. Se alguém quiser imitar os apóstolos de Cristo, deveria pregar o evangelho, e não inventar ministério de cura divina. Todas as curas do Novo Testamento estavam voltadas para testificar a verdade messiânica e a escrituração da Palavra de Deus no período apostólico.
Hoje em dia ouve-se falar em curas, mas ninguém diz ter visto alguém curar na frente das pessoas como fizeram Jesus e os apóstolos. Isso é assim porque ninguém tem hoje esse poder de Cristo. Essa é uma glória que pertence somente aos Messias e seus apóstolos; a ninguém mais Deus deu essa glória.
Uma das preciosas lições deste texto é que o Mestre tinha sua maneira própria de fazer as coisas; não havia padrão de curar as pessoas, não havia correntes de fé, não havia sessões de hora marcada, não havia métodos repetidos pelo Salvador, nem Jesus nunca responsabilizou ninguém por algum milagre falho, porque ele nunca falhou. Ele e só ele era livre para curar como queria. Ele era Deus e tudo obedecia à sua ordem.

Fonte: Veja o texto completo em Teologia Hoje