sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

B. B. Warfield - Breve declaração da fé reformada


1. Creio que Deus, desde a criação do Seu mundo, tem claramente revelado, através das coisas que Ele tem feito, o Seu eterno poder e Sua natureza divina, e os requisitos de Sua lei, de modo que não há desculpa para a descrença ou a desobediência por parte de qualquer homem; ainda, contudo, que gloriosa, esta revelação não é suficiente para revelar aquele conhecimento de Deus e da Sua vontade que é necessário para a salvação.

2. Creio que o meu único objetivo na vida e na morte deve ser o de glorificar a Deus e gozá-lo para sempre; e que Deus me ensina a glorificá-Lo e gozá-Lo na Sua Palavra inerrante, ou seja, a Bíblia, que Ele deu pela infalível inspiração do Seu Espírito Santo para que eu possa saber com certeza em que devo crer acerca dEle e dos deveres que Ele requer de mim.

3. Creio que todo o conselho de Deus sobre todas as coisas necessárias à sua própria glória, à salvação do homem, à fé e à vida, ou está expressamente declarado nas Escrituras, ou pela boa e necessária conseqüência, pode ser deduzido das Escrituras; sobre a qual, nada, em qualquer tempo, pode ser acrescentado, seja por alegação de novas revelações do Espírito ou pelas tradições dos homens.

4. Creio que Deus autenticou Seus profetas e apóstolos como agentes da revelação por atos poderosos do Seu poder, empregados por Ele como sinais pelos quais todos os homens deveriam confessar, com relação àqueles que são dotados de tal poder, "sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”; e creio que o grande derramamento de tais milagres, exibidos no ministério de Cristo e de Seus apóstolos, significou a entrada, na história, do prometido reino de Deus, reino que, quando estabelecido em sua plenitude, resultará na miraculosa restauração de toda a criação; e que até aquele momento, Deus está em ação, trazendo homens e mulheres para esse reino através do trabalho sobrenatural da regeneração.

5. Creio que, porque Deus completou Sua revelação em Jesus Cristo, os antigos modos de revelar Sua vontade agora cessaram; e porque o estabelecimento final e manifesto do Seu reino ainda está por vir, Deus optou por não exibir publicamente o Seu poder miraculoso. Creio, contudo, que Deus está sustentando e governando diretamente a Sua criação, momento a momento; que Deus supre fielmente as necessidades do Seu povo através do Seu cuidado providencial constante, e que muitas vezes o abençoa com providências especiais, através das quais reforça a sua fé e exibe ao mundo o Seu amor especial por Seu povo.

6. Creio que Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade; incomparável em tudo o que Ele é; um Deus, mas três pessoas, o Pai, o Filho e do Espírito Santo, meu Criador, meu Redentor e meu Santificador; em cujo poder, sabedoria, justiça, bondade e verdade posso seguramente colocar a minha confiança.

7. Creio que Deus detém toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança, em Si e de Si; e que é totalmente auto-suficiente, não necessitando de mim, ou derivando qualquer glória de mim, mas apenas manifestando Sua própria glória em mim, por mim, para mim e sobre mim em Cristo Jesus; e que Ele tem o mais soberano domínio sobre mim, para fazer através mim, para mim, ou sobre mim tudo o que Lhe agrada.

8. Creio que Deus, por toda a eternidade, pelo mais sábio e santo conselho de Sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece; ainda assim, nem Deus é o autor do pecado, nem a violência é realizada à vontade da criatura; e confiando no decreto de Deus, eu que sou chamado segundo o Seu propósito, posso ter a certeza de que todas as coisas cooperam para o meu bem.

9. Creio que os céus e a terra, e tudo o que neles há, são as obras das mãos de Deus; e que tudo o que Ele fez, Ele dirige e governa em todas as Suas ações, de forma que cumpram o fim para o qual foram criados, e eu que confio nEle, não serei confundido, mas poderei descansar seguramente na proteção do Seu amor todo-poderoso.

10. Creio que Deus criou o homem à Sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade, e que todos os homens devem ações de graças e adoração ao seu Criador; contudo, Deus condescendeu fazendo um pacto com o homem para que os homens pudessem conhecer a Deus, não apenas como Criador, mas como a sua bem-aventurança e recompensa. E creio que, embora a exigência deste pacto, com origem em Adão, fosse a obediência, agradou a Deus, conforme o Seu sábio e santo conselho, permitir que o homem desobedecesse, tendo proposto ordená-lo para a Sua própria glória; de modo que foi por voluntariamente pecar contra Deus que eu, em Adão, perdi as retribuições de um cumpridor do pacto, e sofro as maldições devidas a um transgressor do pacto. Portanto minha única esperança de salvação está no fato de que Cristo, o segundo Adão, cumpriu o pacto, garantindo as suas recompensas para os eleitos, entre os quais, pela graça, estou incluído.

11. Creio que, tendo caído em Adão, meu primeiro pai, sou por natureza um filho da ira, sob a condenação de Deus e corrompido no corpo e na alma, propenso ao mal e sujeito à morte eterna; estado terrível do qual não posso me livrar, mas salvo mediante a graça imerecida de Deus, meu Salvador.

12. Creio que Deus não deixou o mundo perecer em seu pecado, mas a partir do grande amor com que Ele nos amou, graciosamente escolheu para Si, desde toda a eternidade, uma multidão que nenhum homem pode numerar, para livrá-la de seus pecados e miséria, e deles reconstruir no mundo o Seu reino de justiça; reino no qual eu posso ter a certeza de que tenho a minha parte, se me mantiver apegado a Cristo, o Senhor.

13. Creio que Deus redimiu o Seu povo para Si mesmo através de Jesus Cristo, nosso Senhor; que, embora Ele fosse, e continue a ser sempre o eterno Filho de Deus, mesmo assim nasceu de uma mulher, nascido sob a lei, a fim de que pudesse redimir aqueles que estão sob a lei; creio que Ele suportou a penalidade dos meus pecados em Seu próprio corpo sobre o madeiro, e cumpriu em Sua própria pessoa a obediência que devo à justiça de Deus, e que agora me apresenta ao Seu Pai como Sua propriedade comprada para o louvor da glória da Sua graça para sempre; portanto, renunciando a todo o mérito de mim mesmo, coloco toda a minha confiança apenas no sangue e na justiça de Jesus Cristo, meu Redentor.

14. Creio que Jesus Cristo, meu redentor, que morreu por minhas ofensas, foi ressurreto para a minha justificação, e subiu aos céus, onde Ele Se assenta à direita do Pai Todo-Poderoso, intercedendo continuamente por Seu povo e governando o mundo inteiro como cabeça sobre todas as coisas para a Sua Igreja; de modo que não preciso temer nenhum mal e posso saber, com certeza, de que nada pode me arrebatar das Suas mãos e nada pode me separar do Seu amor.

15. Creio que a redenção realizada pelo Senhor Jesus Cristo é eficazmente aplicada a todo o Seu povo pelo Espírito Santo, que opera a fé em mim e assim me une a Cristo, me renova em um homem completo conformado à imagem de Deus, e me permite morrer mais e mais para o pecado e viver para a justiça; até que Sua obra graciosa seja concluída em mim, e serei recebido na glória; na qual permanecendo a grande esperança, devo me empenhar sempre para aperfeiçoar a santidade no temor de Deus.

16. Creio que Deus exige de mim primeiramente, sob o evangelho, que a partir de uma verdadeira percepção do meu pecado e miséria, e apreensão de Sua misericórdia em Cristo, deva me desviar do pecado com tristeza e aversão, e receber e descansar somente em Jesus Cristo para a salvação; para que, assim unido a Ele, possa receber o perdão de meus pecados e ser aceito como justo aos olhos de Deus, apenas pela justiça de Cristo imputada a mim, e recebida pela fé somente; assim, e somente assim, creio poder ser recebido na multidão e ter o direito a todos os privilégios dos filhos de Deus.

17. Creio que, tendo sido perdoado e aceito por causa de Cristo, é, além disso, exigido de mim que eu ande no Espírito a quem Ele enviou a mim, e por quem o amor é derramado em meu coração, executando a obediência que devo a Cristo meu Rei; realizando fielmente todos os deveres estabelecidos sobre mim pela santa lei de Deus, meu Pai celeste; e sempre refletindo em minha vida e conduta o exemplo perfeito que me foi definido por Cristo Jesus, meu líder, que morreu por mim e me concedeu o Seu Espírito Santo para que eu possa fazer as boas obras que Deus, de antemão, preparou para que andássemos nelas.

18. Creio que Deus estabeleceu a Sua Igreja no mundo, uma e a mesma em todas as eras e, agora, sob o Evangelho, dotou-a com o ministério da Palavra e as santas ordenanças do Batismo, da Ceia do Senhor e a oração; para que através destes meios, as riquezas da Sua graça no evangelho sejam conhecidas do mundo, e pela bênção de Cristo e pelo trabalho do Seu Espírito naqueles que pela fé os recebem, os benefícios da redenção possam ser comunicados ao Seu povo; portanto também é exigido de mim que me ocupe desses meios da graça com diligência, preparação e oração, para que através deles eu possa ser instruído e fortalecido na fé e na santidade de vida e no amor; e que eu me utilize dos melhores esforços para levar o evangelho e transmitir esses meios da graça ao mundo inteiro.

19. Creio que a Igreja visível é constituída por todos aqueles que estão unidos a Cristo, o Cabeça da Igreja, pela sua profissão de fé, juntamente com seus filhos e que a unidade visível do corpo de Cristo, embora obscurecida, não é destruída por sua divisão em diferentes denominações cristãs. Portanto, creio que todos esses que mantêm a Palavra e os Sacramentos em sua integridade fundamentais devem ser reconhecidos como verdadeiros ramos da Igreja de Jesus Cristo.

20. Creio que somente Deus é Senhor da consciência e a deixou livre das doutrinas e mandamentos de homens que sejam de qualquer forma contrários à Sua Palavra, ou além dela em questões de fé ou adoração. Creio, portanto, que os direitos do julgamento privado em todos os assuntos concernentes à religião são universais e inalienáveis e que nenhuma constituição religiosa deve ser sustentada pelo poder civil, além do que pode ser necessário para a proteção e segurança iguais e comuns a todas as outras.

21. Creio que a Igreja é ministro espiritual de Deus para os propósitos da redenção e que o Estado é ministro providencial de Deus para os propósitos da ordem secular. O poder da Igreja é exclusivamente espiritual; que o poder do Estado inclua o exercício da força. A constituição da Igreja deriva exclusivamente da revelação divina, a Constituição do Estado deve ser determinada pela razão humana e o curso dos acontecimentos providenciais. Creio, portanto, que a Igreja não tem o direito de construir ou modificar um governo para o Estado, e o Estado não tem o direito de formatar um credo ou regime para a Igreja.

22. Creio que os discípulos de Jesus Cristo são chamados para ser Suas testemunhas no mundo, proclamando a justiça e a misericórdia de Deus a todos os homens, e tornando evidente seu governo sábio e justo sobre cada aspecto da cultura humana. Por isso, é minha obrigação examinar as Escrituras com todas as habilidades com que Deus me dotou, e procurar, dentro dos limites da minha vocação, aplicar a minha compreensão da Sua Palavra a toda a ordem criada, e a todas as elaborações da Sua mais sábia providência. E creio que é meu privilégio e dever perseguir uma vocação neste mundo que empregue os meus dons para a glória de Deus, e para o bem da minha família, minha congregação, a minha comunidade, e, conforme a oportunidade trazida por Deus, a qualquer que esteja em necessidade.

23. Creio que, como Jesus Cristo veio uma vez em graça, assim também Ele virá uma segunda vez em glória, para julgar o mundo com justiça e atribuir a cada um a sua recompensa eterna; os ímpios terão a terrível, mas justa sentença de condenação pronunciada contra eles, onde as suas consciências estarão inteiramente de acordo, e eles serão lançados no inferno, para serem punidos com tormentos indizíveis, tanto no corpo quanto na alma, com o diabo e seus anjos para sempre. Os justos em Cristo serão arrebatados com Cristo e abertamente reconhecido e absolvido; serão recebidos no céu, onde serão totalmente e para sempre libertos de todo o pecado e miséria, cheios de alegria inconcebível, tornados perfeitamente santos e felizes em corpo e alma, na grande companhia de todos os santos de Deus e dos santos anjos, mas, especialmente, na presença imediata de Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, para toda a eternidade.

24. Creio que se eu morrer em Cristo, a minha alma será, na morte, aperfeiçoada em santidade e irá para casa, para o Senhor, e quando Ele retornar em sua majestade, serei ressuscitado em glória e perfeitamente bendito no pleno gozo de Deus para toda a eternidade; encorajado por essa abençoada esperança, é exigido de mim que voluntariamente tome parte nas sofridas dificuldades aqui como um bom soldado de Cristo Jesus, estando certo de que, se eu morrer com Ele, também com Ele viverei, se eu sofrer, eu também reinarei com Ele.

E a Ele, meu Redentor, com o Pai, e o Espírito Santo, três pessoas, um Deus, seja a glória para sempre, mundo sem fim, Amém e Amém!


domingo, 20 de janeiro de 2013

João Calvino - Duas espécies de arrependimento


Outros, vendo na Escritura diferentes nomes para o que estudamos aqui, falam em duas espécies de arrependimento. E, para distinguir entre elas, a um chamam legal, pela qual o pecador, angustiado pelo duro castigo imposto ao seu pecado, e como que partido ou quebrantado pelo terror da ira de Deus, permanece preso a essa perturbação, sem poder se desentravar. A outra espécie eles chamam de arrependimento evangélico, pelo qual o pecador, estando lamentavelmente ensimesmado e aflito, não obstante levanta-se e eleva-se, abraçando a Jesus Cristo como remédio para a sua chaga, o consolo para o terror que o abate, o bom porto para o abrigar em sua miséria. Caim, Saul, Judas são exemplos do arrependimento legal. Quando a Escritura nos descreve o arrependimento deles, ela entende que, depois de conhecerem a gravidade do seu pecado, temeram a ira de Deus, mas, só pensando na vingança e no juízo de Deus, deixaram-se dominar por esse pensamento. Portanto, o seu arrependimento não é nada mais nada menos que o portal do inferno. Nele entrando desde a presente existência, já começaram a sofrer o peso da ira da majestade de Deus.

Fonte: "As Institutas" da Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Joel Beeke - Proposta ingênua


Alguns sugerem que o calvinismo e o arminianismo deveriam reconciliar-se, porque a Bíblia afirma tanto a soberania divina como a responsabilidade humana. Temos de ser calvinistas quando de joelhos e arminianos quando de pé, dizem eles. Mas essa proposta é ingênua. O calvinismo afirma o papel da responsabilidade humana tanto como o faz o arminianismo. O calvinismo e o arminianismo não podem ser unidos por causa das seguintes diferenças irreconciliáveis:
·        A iniciativa da salvação é de Deus ou do homem.
·        A depravação é total ou parcial.
·        A eleição é incondicional ou condicional.
·        A expiação é específica ou universal.
·        A graça salvadora é irresistível ou resistível.
·        Os santos têm de perseverar na fé ou têm de cair da graça.
Essas diferenças não são apenas questões de ênfase; representam sistemas de pensamento diferentes. No fim, os cinco pontos do calvinismo são bíblicos e precisam ser proclamados com ousadia e vigor.

Fonte: “Vivendo para a glória de Deus” da Editora Fiel

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

William Lane Craig - A existência do mal implica a existência de Deus


1. Se Deus não existe, então os valores morais objetivos não existem.
2.   O mal existe.
3.   Portanto, os valores objetivos morais existem.
4.   Portanto, Deus existe.
O ponto 1 foi o ponto que eu estava argumentando e que é acordado por muitos cristãos e ateus igualmente. O ponto 2 é a premissa fornecida pelo problema do mal em si. O ponto 3 é a conclusão suprida pelos estudantes universitários, que viram que os males morais que existem no mundo são objetivamente errados. E o ponto 4 é a conclusão lógica do argumento: visto que os valores morais objetivos não podem existir sem Deus e que os valores objetivos realmente existem (como mostrado pelo mal moral no mundo), conclui-se que Deus existe. Portanto, o mal realmente prova que Deus existe.

Se este argumento é correto – e acredito que seja -, ele se constitui numa refutação decisiva do problema do mal. Observe que ele faz isso sem tentar dar qualquer explicação para o mal – nós, semelhantemente a Jó, podemos ser totalmente ignorantes disso -, mas ele, não obstante, mostra que a real existência do mal no mundo implica a existência de Deus.

Fonte: “Apologética para questões difíceis da vida” da Editora Vida Nova

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Stuart Olyott - O uso correto do Dia do Senhor

As pessoas não-convertidas não têm grande interesse no uso correto do Dia do Senhor, e inúmeros crentes se mostram confusos a respeito deste assunto. Esta confusão permanecerá enquanto não levarmos em conta os seguintes fatos importantes.

Quais são estes fatos?

1. Quando a Bíblia usa o termo “sabbath”, ele não significa “sábado”. “Sabbath” não é o nome de um dia da semana. A palavra é usada para descrever um tipo de dia, um dia de descanso do trabalho. Em todo o Antigo Testamento, os anos tinham 365 dias, e todo ano começava em um dia de “sabbath” (Lv 23.4-16). Outras datas fixas nunca podiam ser “sabbath” (Êx 12.1-28; Lv 23.15). Para fazer com que isso acontecesse, o calendário tinha de ser ajustado regularmente. A História nos ensina que isso era feito por acrescentar ao ano “sabbaths” extras que ocorriam consecutivamente. Identificar “sabbath” com o dia de sábado é um erro. Foi apenas depois do ajuste definitivo do calendário judaico, em 359 D.C, que os “sabbaths” dos judeus passaram a cair sempre no dia que agora chamamos de “sábado”.

2. O “sabbath” [descanso] não é uma instituição judaica. Deus o instituiu na criação (Gn 2.1-3). É um dom de Deus para a humanidade (Mc 2.27).

3. Em certo aspecto, os Dez Mandamentos são diferentes de todas as outras leis encontradas nas Escrituras. Deus os escreveu com o seu próprio dedo. O Quarto Mandamento dEle é positivo, o mais comprido e o mais detalhado dentre os dez, fazendo uma ligação entre os aspectos divino e humano, moral e cerimonial da Lei (Êx 20.8-11; 31.18).

4. O “sabbath” era importante para nosso Senhor Jesus Cristo. A Bíblia não nos fala muito sobre os hábitos de Jesus, mas diz que Ele tinha o costume de ir à sinagoga no “sabbath” (Lc 4.16). Jesus anunciou que era Senhor do dia de “sabbath” (Mc 2.28). Dizer que o “sabbath” não existe mais é uma negação do senhorio de Cristo.

5. O Senhor do “sabbath” transferiu este dia para o primeiro dia da semana. Este foi o dia em que Ele ressuscitou dos mortos (Jo 20.1-18), apareceu aos discípulos (Jo 20.19, 26) e derramou o seu Espírito (At 2.1).

6. Os apóstolos e a igreja primitiva guardavam com distinção o primeiro dia da semana (At 20.7; 1 Co 16.2). Para evitar confusão, o Novo Testamento Grego chama o sábado judaico de “sabbath” e o primeiro dia da semana de “o primeiro dos sabbaths” (na tradução em português “o primeiro dia da semana” - Mt 28.1; Mc 16 2, 9; Lc 24.1; Jo 20.1,19; At 20.7; 1 Co 16.2). Algumas pessoas crêem que isto é apenas uma expressão idiomática grega significando apenas “o primeiro dia do ciclo da semana”. Contudo, não existe quase nenhuma evidência para isto. Temos de encarar os fatos: o primeiro dia da semana é um “sabbath”. Também conhecido como “o dia do Senhor” (Ap 1.10).

7. Durante toda a história da igreja, o domingo tem sido observado como o “sabbath” dos cristãos. A evidência documental é unânime e retrocede a 74 D. C. Durante as piores perseguições, perguntava-se aos suspeitos de serem cristãos: “Dominicum Servasti?” (Você guarda o dia do Senhor?) Os verdadeiros crentes respondiam: “Eu sou um cristão, não posso deixar de fazer isso!” O que os crentes responderiam hoje?

8. É realmente imoral não guardar o Dia do Senhor. O Quarto Mandamento, que nos recorda isso, está em um código que proíbe a idolatria, o assassinato, o furtar, o mentir e o cobiçar. O Quarto Mandamento nunca foi anulado, e nunca o será (Mt 5.18). Quebrar um mandamento da Lei significa tornar-se culpado de todos os demais (Tg 2.10). A violação do dia de descanso traz o juízo de Deus (Ne 13. 15-22).

9. O domingo, o dia do Senhor, é um dia de regozijo e satisfação (Sl 118.24; 112.1). A Palavra de Deus chama-o de deleite (Is 58.13). Deus nos deu esse dia como uma bênção para todos nós (Mc 2.27-28). Falando sobre a época evangélica, Isaías diz: “Bem-aventurado o homem que... se guarda de profanar o sábado” (Is 56.2).

10. As bênçãos do Dia do Senhor são visíveis a todos: recorda aos homens e mulheres caídos que existe um Deus a quem eles devem adorar; dá aos crentes a oportunidade de se reunirem ao redor da Palavra e, assim, mantém a vida espiritual deles; fornece oportunidades para a pregação do evangelho; fortalece os laços familiares; permite que toda a nação descanse; promove a saúde... e a lista poderia continuar.

11. No Antigo Testamento, homens piedosos, como Moisés, Amós, Oséias, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Neemias, contenderam com as pessoas por causa do dia de descanso. A história da igreja está repleta de outros que fizeram o mesmo. O que nos impede de seguir o exemplo deles?

Como devemos usar o domingo?

Com estes fatos em mente, podemos ver que, para nós, o domingo é o dia de descanso ordenado por Deus. É o dia que incorpora tudo o que é permanente e universal no Quarto Mandamento. Então, como devemos usá-lo? Para responder esta pergunta, temos de falar tanto negativa como positivamente.

O que não devemos fazer

Não devemos imitar os fariseus.
O dia de descanso tem sua origem na Criação. Por um tempo, usou as vestes do Antigo Testamento. No entanto, agora está com uma roupagem do Novo Testamento. Isto significa que não podemos impor ao dia de descanso as regras mosaicas que já passaram, tais como as que encontramos em Êxodo 35.2-3 ou Números 15.32-36. Não devemos ter em mente uma lista de faça e não faça, tal como se lê em Mateus 12.1-2. À legislação de Moisés, os fariseus acrescentaram todo tipo de regras deles mesmos. Para os fariseus, esfregar o grão na mão era o mesmo que debulhá-lo. Eles também tinham regras a respeito de quanto peso se devia carregar e quão distante se podia caminhar no dia de descanso. Por trás de todas as regras dos fariseus, havia uma mentalidade que não tem qualquer lugar na vida de um crente do Novo Testamento.

Não devemos trabalhar.
Na Bíblia, a palavra “trabalhar” significa muito mais do que ganhar a vida. Também se refere aos deveres de nosso dia-a-dia, à nossa recreação e ao pensamento que motiva estas coisas. Quanto for possível, todas estas coisas têm de ser colocadas de lado, tanto por nós como por aqueles pelos quais somos responsáveis. Devem ser colocadas de lado não porque somos pecadores ou impuros, e sim porque Deus nos ordenou que as fizéssemos nos outros seis dias da semana (Êx 20.8-11).

Não devemos ficar ociosos.
O descanso de Deus, após a Criação, não foi inatividade, e sim o cessar um tipo de atividade (Jo 5.17). O domingo deve ser um descanso santo que nos faz cessar um conjunto de objetivos, para que sigamos outro conjunto de objetivos bastante diferentes. Não é um dia para vadiarmos por aí.

O que devemos fazer

Devemos nos reunir com outros crentes.
Devemos nos reunir, tanto formal como informalmente (At 2.1; 20.7; Jo 20.26). A Bíblia não delineia algum tipo de lista de atividades para o domingo, mas o princípio é claro. O domingo não é um dia para gastarmos sozinhos ou somente com a família.
Devemos nos reunir especificamente para a edificação, ou seja, para edificarmos uns aos outros nas coisas de Deus. De tudo o que fizermos com este objetivo, o ensino da Palavra e a Ceia do Senhor são o mais importante (Atos 20.7).

Devemos evangelizar.
O Dia de Pentecostes começou com uma assembléia que visava à ajuda e ao encorajamento mútuos, mas a vinda do Espírito também consagrou aquele dia à evangelização. A vinda do Espírito Santo pode ser vista como um penhor de sua bênção nesta conexão (At 2).

Devemos nos envolver em obras de misericórdia.
É lícito fazer o bem no domingo, especialmente salvar vidas, curar e trabalhar pelo bem-estar espiritual dos outros (Lc 6.9; Mt 12.5; Lc 13.10-17; 14.1-6; Jo 5.6-9, 16-17). O domingo comemora o maior ato de misericórdia de todos os tempos. Todos podemos pensar em incontáveis maneiras de fazer o bem às pessoas, mas este aspecto da observação do domingo é amplamente esquecido. Aqueles que acham o domingo “monótono” quase sempre são pessoas que se tornaram egoístas.

Devemos nos envolver em obras necessárias.
Não podemos limitar isso apenas àquelas coisas necessárias à nossa sobrevivência, visto que, se assim fosse, passaríamos o dia somente respirando. O dia de descanso foi criado para o homem — em outras palavras, foi criado para o bem-estar do homem. Não há qualquer conflito entre guardar o domingo e seguir os nossos melhores interesses (Mt 12.1-8, 11-12). Continue, desfrute do domingo! Além das atividades já mencionadas, reúna-se com os amigos, prepare boa refeição para eles, converse, caminhe, sorria, ore, admire a criação de Deus e vá para a cama tendo um coração grato e contente.

Fonte: Editora Fiel

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

R. C. Sproul - A santidade da vida e o aborto


No ensino de Jesus nós vemos outro forte reforço sobre a santidade da vida. O assassinato de coração (intenção), tanto como a difamação, podem ser descritos como assassinatos “em potencial”. É um assassinato em potencial porque, como a raiva e a difamação, possui o potencial de conduzir ao ato físico do assassinato. Claro que eles não conduzem sempre a esse resultado. A raiva e a difamação são proibidas não somente pelo que elas podem resultar, mas por causa do real prejuízo à qualidade de vida.

Quando nós ligamos a discussão da santidade da vida ao aborto, nós fazemos uma sutil, mas relevante conexão. Mesmo se não puder ser provado que um feto é um ser humano vivo, não há dúvidas que ele é um ser humano vivo em potencial. Em outras palavras, um feto é uma pessoa em desenvolvimento. Não está num estado congelado de potencialidade. O feto está num processo dinâmico – sem interferência ou fatos inesperados – de se tornar um ser humano completo e real.

Jesus Cristo entende a lei contra o assassinato não somente pelo ato de assassinato, mas também pelas ações de potencial assassinato. Jesus ensinou que é ilícito (descumprir a lei) cometer um assassinato em potencial à vida humana. Então, quais são as implicações de cometer a destruição real de uma vida em potencial?

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Uma proibição negativa contra o assassinato em potencial e real implicitamente envolve um mandato positivo de trabalhar pela proteção e manutenção da vida. O oposto de assassinato é promover vida. Qualquer coisa que o aborto faça, ele não promove a vida de uma criança por nascer. Embora algumas pessoas possam argumentar que o aborto promove a qualidade de vida daqueles que não desejam descendentes, o aborto não promove a vida do sujeito em questão, ou seja, a criança (por nascer) que está em desenvolvimento.

Fonte: trechos de “Abortion: A rational look at an emotion issue”
Tradução: Eric N. de Souza

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

João Calvino - Três pontos sobre o 3º mandamento



É necessário observar diligentemente estes três pontos: primeiro, que tudo quanto concebermos sobre Deus, ou que a nossa língua falar, esteja em harmonia com a sua excelência e com a santidade de seu nome, e se preste para exaltar a sua grandeza. Segundo, que não abusemos temerariamente da sua santa Palavra, e que não alteremos os seus mistérios para servir à nossa avareza, ou à nossa ambição, ou as nossas loucuras. Mas como a dignidade do seu nome está impressa em sua Palavra e em seus mistérios, que os tenhamos sempre em honra e em alta estima. Finalmente, não falemos mal de suas obras nem as depreciemos, como fazem alguns ímpios que delas costumam falar de forma ultrajante, mas, tudo o que reconhecermos que provém do Senhor, louvemos pela sabedoria, justiça e poder que manifesta. É assim que se santifica o nome de Deus.

Fonte: “As Institutas” da Editora Cultura Cristã