terça-feira, 28 de maio de 2013

Rousas John Rushdoony - A importância da família para a criança

A educação e a intervenção estatal na vida familiar conduz, gradualmente, à destruição da família. Não admira que o princípio de autoridade está em jogo na família.
A família não é apenas o primeiro ambiente da criança, mas também sua primeira escola, de onde recebe a sua educação básica; sua primeira igreja, de onde é ensinado as suas primeiras lições fundamentais a respeito de Deus e sobre a vida; seu primeiro Estado, de onde se aprende os elementos da lei e ordem e os obedece; sua primeira vocação, em que se dá um trabalho a fazer e responsabilidades. O mundo essencial de uma criança pequena é a família, seu pai e sua mãe, em particular. Meredith resumiu a questão acertadamente: “Para a olhos de uma criança pequena, o pai está no lugar do próprio Deus! Porque o pai é o provedor, o protetor, aquele que ama, o professor e legislador da criança”1.

Legenda:
1. Roderick C. Meredith, The Ten Commandments, p. 35.
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Fonte: “La Institución de la Ley Bíblica”
Tradução: Eric N. de Souza

sábado, 25 de maio de 2013

Morton H. Smith - Seguindo Cristo no Batismo

É frequentemente sugerido que devemos estar dispostos a seguir Cristo no batismo. O pensamento é que ele foi imerso, e que nós deveríamos segui-Lo nisto. Nós já mencionamos que não é demonstrável que Ele tenha sido imerso. Na verdade, todas as cerimônias do Antigo Testamento, tanto de purificação quanto de consagração, foram executadas por aspersão ao invés de imersão. Jesus considerou o seu batismo com um cumprimento de toda a justiça (Mt 3:15). Como o Seu batismo completamente justo não seria perfeitamente realizado? Duas sugestões têm sido oferecidas e que podem, certamente, ser aplicadas. Números 19:11-13 fala da limpeza cerimonial de tocar o corpo de um homem morto através da aspersão de água sobre o imundo. Segunda, a consagração de vários oficiais no Antigo Testamento foi realizada pelo derramamento de óleo sobre eles e, no caso dos sacerdotes, havia também derramamento de sangue e água (Lv 8). Assim, o batismo de Jesus poderia ter sido a unção para o ofício. Na verdade, as duas ideias podem ser combinadas. De uma forma, Ele foi identificado conosco e assim precisou de uma limpeza cerimonial; de outra, o batismo era sobre o início de Seu ministério e Ele estava sendo consagrado para o ofício. O batismo de João poderia ter servido a este duplo propósito para Ele. Aspersão, e não imersão, seria a melhor combinação nessas prescrições.
Nós já temos observado, portanto, que nós somos batizados, não para seguir o exemplo de Jesus, mas em obediência a Sua ordem. Assim o apelo de segui-Lo no batismo não é realmente aplicável.

Fonte: “Systematic Theology – Volume Two”, p. 672, de GPTS Press
Tradução: Eric N. de Souza

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Morton H. Smith - O significado do Batismo Infantil


Se o batismo infantil é Escriturístico, assim como nós acreditamos, devemos mostrá-lo como tal. A questão que pode ser mencionada é sobre o seu significado. Do ponto de vista bíblico, não há benção inerente no sacramento em si mesmo e, portanto, não resulta em que todos que receberam o sinal são possuidores da graça real sinalizada. Isto é tão verdadeiro no batismo de adultos como é no de infantes (crianças). Deveria ser dito, portanto, que o batismo não é apenas um sinal de uma relação externa com a igreja. Ele é o sinal do Pacto espiritual da Graça.

A administração do rito não é baseada no nosso conhecimento dos decretos secretos de Deus; se fosse, em alguns casos, o batismo poderia ser administrado para aqueles que somente tem uma relação externa com a igreja visível, embora o batismo em si mesmo seja um sinal da relação espiritual. A base do batismo não é presumir eleição, regeneração ou salvação. A base é encontrada no mandamento de Deus de que os pais do Pacto e seus filhos devem ser selados com o sinal do Pacto. Não é algo sem importância ignorar o mandamento de Deus neste ponto. Moisés foi disciplinado por isso (Ex 4:24-26).

O Diretório para o Culto Público de Deus preparado pela Assembleia de Westminster sumarizou esta matéria assim: "Que a Promessa é feita aos crentes e sua semente, e que a semente e posteridade dos fiéis nascida dentro da Igreja, sob o Evangelho, não menos do que os Filhos de Abraão no tempo do Antigo Testamento; o Pacto da Graça, em substância, sendo o mesmo; e a graça de Deus e a consolação dos Crentes, mais abundante do que antes... Que as crianças, por batismo, são solenemente recebidas no seio da igreja visível, distinguidas do mundo e daqueles que estão fora, e unidas com os crentes; e que todos os que são batizados em o Nome de Cristo renunciam ao Diabo, ao mundo e à carne e pelo seu batismo estão obrigados a lutar contra eles; Que são cristãos, e santos por estarem ligados já antes do batismo, e consequentemente são batizados."

Fonte: "Systematic Theology - Volume Two", p. 668-669, de GPTS Press
Tradução: Eric N. de Souza

segunda-feira, 13 de maio de 2013

John Piper - De Israel para o mundo: Missões em Perspectiva


Por que Deus focou em Israel por 2.000 anos antes de enviar Cristo?

Basta pensar nisso. O Deus do universo focou a sua revelação especial e obra redentora em um pequeno povo étnico, Israel, por 2.000 anos - desde o chamado de Abrão em Gênesis 12 até a vinda de Cristo. Por todo esse tempo "ele permitiu que todas as nações seguissem os seus próprios caminhos" (At 14:16).
Em seguida, com a entrada de seu Filho no mundo, tudo isso mudou.
Enquanto Jesus subia ao céu, ele disse: "E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações" (Lc 24:47). "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações" (Mt 28:19). Esta foi uma mudança fundamental na história da humanidade.
Mas o mandamento de discipular todas as nações não era uma reflexão tardia (plano substituto). Este era o plano desde o momento que Deus escolheu Israel. Deus disse a Abrão: "e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12:3).
Então Paulo aplicou isto ao Evangelho da justificação pela fé em Cristo: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti." (Gl 3:8). Então, Deus, quando ele escolheu Abrão 2000 anos antes de Cristo vir, estava preparando para alcançar as nações com o Evangelho de Cristo.
Por que, então, tanta demora, antes de Cristo vir e a Grande Comissão ser dada em seu nome?
Porque, na sabedoria de Deus, ele sabia que as nações do mundo compreenderiam bem melhor a natureza de Cristo e sua obra valendo-se do contexto de dois mil anos da história de Israel de lei e graça, fé e fracasso, sacrifício e expiação, sabedoria e profecia, misericórdia e julgamento.
Aqui está a forma como Paulo colocou em Romanos 3:19-20: "Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." (Romanos 3:19-20). Em outras palavras, Deus falou por 2.000 anos à Israel para que o "mundo inteiro" percebesse que não há esperança de se acertar com Deus por meio de "obras feitas por nós em justiça" (Tito 3:5).
A história de Israel não é apenas sobre Israel. Trata-se de "toda a boca" e "todo o mundo." Não foi um desvio de 2 mil anos. Deus estava escrevendo um livro com lições para as nações. Não é por acaso que a nossa Bíblia tem o Antigo Testamento na sua formação.
Quando Paulo pregou aos não-judeus gregos no Aerópago, ele disse que até aquele momento os "tempos da ignorância" haviam dominado, Deus os tinha deixado seguirem seu próprio caminho. Mas, agora não: "Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (Atos 17:30-31).
Este é o "agora" que nós vivemos. E é um excitante "agora". "Agora Deus ordena que todos, em todos os lugares se arrependam." O Cristo ressuscitado autoriza esta ordem. Ele estará conosco em seu cumprimento.
Fonte: http://crosscon.com/blog/. Acesse o texto original e completo aqui.
Tradução: Eric N. de Souza

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dr. Robert B. Sloan Jr - Aprendendo o contentamento


Nossas mentes, nossos corações e nosso eu interior estão constantemente sob ataque. Estes ataques podem proceder de circunstâncias físicas, de relacionamentos desfeitos, dos problemas do presente século mau ou simplesmente das preocupações que nós permitimos entrar em nós mesmos.

Em um dos meus últimos posts, eu te disse que a palavra "paz" nas Escrituras significava muito mais do que você pode ter percebido. Felizmente, o apóstolo Paulo escreveu sobre vários hábitos que podem nos ajudar a compreender e experimentar a paz de Deus.

Nossa vida interior é muito poderosa, tanto para o bem quanto para o mal. Todos sabem o quão poderosa a mente pode ser em pensamentos criativos, na produção literária ou em esportes. A mente tem uma grande capacidade de imaginar e criar.

Por outro lado, a mente também tem uma enorme capacidade de estar fora de controle. Quando nossas mentes estão fora de controle, os nossos corpos, os nossos comportamentos e as nossas emoções também podem ficar fora de controle. Em vez de nos permitirmos ficar inundados no pânico, no medo e no estresse, Paulo diz

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Filipenses 4:6)

Primeiro de tudo, em vez de estar ansioso, devemos nos submeter a Deus em oração. Quando fazemos isso, Paulo escreve:

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.(Filipenses 4:7)

Paulo segue explicando outra prática espiritual:

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.(Filipenses 4:8)

Paulo está se referindo a uma disciplina da mente em que nós nos recusamos a permitir que as coisas que são odiosas, desprezíveis, estressantes ou imorais assumam o controle de nossas mentes.

Paulo também ensina um terceiro hábito.

“Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês.” (Filipenses 4:9)

Ou seja, praticar os comportamentos que você sabe que são certos. Ele está se referindo às tradições do evangelho, as tradições da teologia e as tradições do comportamento cristão que seus leitores aprenderam.
Paulo cultivou esses hábitos em si mesmo, e ele sabia o que ele estava falando:

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. (Filipenses 4:11)

Observe a palavra "aprendi". Paulo não estava automaticamente adaptado em todas as circunstâncias, foi uma habilidade que ele teve que aprender. Ele desenvolveu o hábito de confiar em Deus. Há um mistério aqui que ele aprendeu através da experiência da oração, da submissão de sua mente e coração, de deixar sua mente cheia das coisas certas e da experiência de confiança. Ele aprendeu a estar satisfeito, adaptado.

A palavra "adaptar" aqui é incomum. Paulo não a usa muitas vezes em seus escritos, e não é normalmente considerada como um termo cristão. É o termo a partir do qual obtemos a palavra inglesa "autonomia" ou autogoverno. Era um termo favorito usado pelos estóicos. Os filósofos estóicos tinham por objetivo o contentamento (adaptabilidade), o que significava controlar suas paixões, especialmente as emoções como o medo, a inveja ou até mesmo o amor. Eles não queriam ser controlados por suas emoções. Hoje, nós usamos o termo "estóico" para se referir a alguém que não permite que suas emoções sejam tão proeminentes.

Paulo usou a mesma palavra, mas mudou o foco estóico sobre si mesmo para um foco em Cristo. Ele aprendeu que ele poderia fazer todas as coisas através de Cristo, Aquele que o fortalecia. (Filipenses 4:13) Paulo sabia que ele vivia na presença do ressurreto e vivo Senhor do universo. Ele aprendeu hábitos de comportamento, hábitos da mente e hábitos de confiança, de modo que, quando ele era tentado a ceder aos seus medos ou ficar ansioso, ele era capaz de não estar "ansioso por coisa alguma", deixando seus pedidos conhecidos a Deus em tudo com a oração e súplica. (Filipenses 4:06) Ele aprendeu a experimentar o contentamento através da submissão ao Senhor Jesus Cristo. Temos de aprender a mesma coisa.

Se isso é difícil para você, pense nisso: o eterno Filho de Deus teve que confiar no Pai, de forma que se ele sacrificasse a Sua vida, o Pai o levantaria novamente. Jesus confiava no Pai. Ele se permitiu ser tomado pela morte. Ele se submeteu as cadeias da morte, confiando que o Pai o libertaria.

Quando aprendemos os hábitos de submissão, de humildade, de oração com súplicas, de praticar as coisas que são certas, de fazer o que nos foi ensinado, mesmo quando não nos é favorável, Deus não irá se esquecer. Deus vai nos redimir, e Ele nos reivindicará através de Jesus Cristo.

A vida do discípulo de Jesus Cristo é uma vida de confiança. Você quer agarrar tudo aqui e agora, ou você quer confiar que, no final, o Deus do universo justificará todos aqueles que O conhecem e O seguem através de Jesus Cristo?

Fonte: “Learning Contentment” de Dr. Robert B. Sloan, Jr. Extraído do original em robertbsloan.com
Tradução: Eric N.de Souza

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Richard Gaffin - A Questão da Cessação


É visão amplamente difundida hoje que todos os dons mencionados em Romanos 12, I Coríntios 12, e Efésios 4 foram dados para permanecer na igreja até o retorno de Cristo. A percepção de que certos dons cessaram é vista como um estratagema desesperado, em flagrante descuido para com o claro ensino bíblico, algo pouco convincente, uma racionalização a posteriori de uma igreja embaraçada pela ausência destes dons em seu meio. Não obstante, há várias linhas de ensino do Testamento Novo que, na sua convergência, apontam para a conclusão de que a profecia e as línguas foram designadas para cessar antes do retorno de Cristo, e de fato cessaram. Neste capítulo, serão esboçadas estas linhas, algumas delas mais completamente que outras. 

A. A Natureza Temporária do Apostolado 
Passando por sobre os detalhes do debate que tem envolvido muito os eruditos bíblicos sobre o papel do apóstolo, é uma generalização justa dizer que no Novo Testamento o termo tem uma de duas referências básicas: (1) pode se referir ao representante de uma igreja em particular, a quem temporariamente foi delegada uma tarefa específica (II Cor. 8.23; Fp 2.25; talvez Atos 14.4, 14). (2) A mais importante e dominante referência, tal como aparece em I Coríntios 12.28, 29 e Efésios 4.11, é quanto aos apóstolos de Cristo. Neste último sentido, os apóstolos são limitados em número (quantos, pode permanecer uma questão aberta aqui), e confinados à primeira geração da história da igreja. Este caráter temporário do apostolado pode ser visto de vários ângulos: (1) uma exigência era que o apóstolo fosse uma testemunha ocular e auditiva do Cristo ressuscitado (João 15.27; Atos 1.8, 22; 10.41). Paulo considera esta exigência como tendo sido atendida no caso dele pelo aparecimento de Cristo a ele na estrada de Damasco (I Co 9.1; 15.8e.d.; cf. Atos 9.3-8; 22.6-11; 26.12-18). (2) Paulo sugere que ele é o último dos apóstolos (I Co 15.8e.d.: “... último de todos... o menor dos apóstolos...”; talvez também 4.9: “...a nós, os apóstolos, em último lugar,” onde, provavelmente, “nós” não inclui Apolo [v. 6] mas é limitado a Paulo, desde que as experiências atribuídas a “nós” nos versos imediatamente seguintes [9b-13] são melhor compreendidas como a própria experiência individual de Paulo).

Fonte: Projeto Os Puritanos. Acesse o texto completo aqui.