quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ravi Zacharias - Direito moral da criação ou de Deus (criador)?


… Em todo o seu discurso ela insistiu reiteradamente: “É meu direito moral fazer o que eu decidir fazer com o meu corpo!”.

Por fim, quando ela parou para tomar fôlego, eu disse: “Tudo bem, senhora. Já que a senhora falou sobre o assunto, eu gostaria de fazer uma pergunta. Será que a senhora pode me explicar uma coisa/ Quando um avião cai, e algumas pessoas morrem enquanto outras sobrevivem, um cético põe em questão o caráter moral de Deus, dizendo que ele escolheu alguns para sobreviver e outros para morrer por mero capricho. A senhora, contudo, alega que é direito moral seu decidir se a criança no seu ventre deve viver ou morrer. Isso não parece estranho? Quando Deus decide quem deve viver e quem deve morrer, ele é imoral; quando a senhora decide quem deve viver ou morrer, é seu direito moral”.

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... antes de acusar o Deus da Bíblia de violar sua própria lei moral, qualquer pessoa não deveria considerar o fato de que o mesmo Deus que criou o código moral também dá os motivos por que permite a dor e o sofrimento? Por que discutir, mesmo a título de argumentação, a possibilidade de Deus ter dado um código moral e ignorar o raciocínio que o acompanha?

Fonte: Trechos de “A morte da razão” da Editora Vida

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

William Lane Craig - O roubo do corpo de Jesus: hipótese plausível?

A hipótese da conspiração vê os discípulos através do espelho retrovisor da história cristã, em vez de vê-los através dos olhos de um judeu do primeiro século. Um judeu não tinha qualquer expectativa de um Messias que, em vez de estabelecer o trono de Davi e subjugar os inimigos de Israel, fosse vergonhosamente executado pelos gentios como um criminoso. Além do mais, a ideia da ressurreição era algo simplesmente desvinculado da ideia de um Messias, e até mesmo incompatível com essa ideia, uma vez que não se suponha que o Messias fosse morto. Como tão bem coloca N. T. Wright, se você fosse um judeu do primeiro século e seu Messias favorito fosse crucificado, então você tinha basicamente duas opções: ir para casa ou arranjar um novo Messias. Contudo, a ideia de roubar o corpo de Jesus e dizer que Deus o havia ressuscitado dos mortos dificilmente passaria pelas mentes dos discípulos.

Fonte: “Em Guarda” da Editora Vida Nova

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

James Montgomery Boice - A lógica calvinista na Trindade

As doutrinas da graça dependem umas das outras, e juntas elas apontam para uma verdade central: a salvação ocorre inteiramente pela graça, porque ela pertence inteiramente a Deus. E por ser inteiramente dele, ela é inteiramente para a sua glória.

Para que possamos apreciar a glória de Deus nas doutrinas da graça em toda sua plenitude, é útil reconhecer o papel desempenhado por cada pessoa da Trindade nos cinco Pontos do Calvinismo. A eleição é a escolha de Deus Pai. A expiação é o sacrifício de Deus Filho. A graça que nos leva a Cristo e nos capacita a perseverar até o fim é a obra de Deus Espírito Santo. Assim, a salvação é uma obra divina do início ao fim – o trabalho coordenado do Deus triúno –, como é necessário para que sejamos salvos. Leve o seguinte em consideração: se estamos realmente mortos em nossos pecados (depravação radical), só Deus poderia nos escolher em Cristo (eleição incondicional), somente Cristo poderia expiar os nossos pecados (redenção particular), e somente o Espírito poderia nos levar a Cristo (graça eficaz) e nos preservar nele (graça perseverante). Portanto, todo louvor e glória pertencem somente a Deus: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36)

Fonte: “As Doutrinas da Graça” da Editora Anno Domini

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Mike McKinley - Vantagens e Desvantagens de Plantar ou Revitalizar uma Igreja

Geralmente há uma boa razão pela qual uma igreja precisa ser revitalizada. Igrejas com frequência mínguam em tamanho e em efetividade por causa de um evento traumático ou anos de liderança pobre. Como resultado, o prédio e os programas da igreja podem estar em ruínas – sem falar no estado espiritual da congregação em si. Nesses casos, haverá muito a superar e demolir a fim de levar a igreja adiante. Esse processo é, com frequência, muito doloroso. Se a igreja já estivesse inclinada a fazer as coisas que igrejas saudáveis fazem, ela provavelmente não estaria morrendo. Encontrar uma igreja com problemas não é difícil. Encontrar uma igreja com problemas que deseje mudar e crescer é muito mais complicado.

Fonte: Ministério Fiel
Acesse o texto completo aqui

domingo, 23 de novembro de 2014

Alister McGrath - Função e Identidade de Jesus

As afirmações a respeito de Jesus podem ser enquadradas em duas categorias gerais. Primeiro, existem afirmações a respeito da função de Jesus: o que Deus fez por nós em Jesus. Em segundo lugar, temos afirmações a respeito da identidade de Jesus: quem é Jesus. Essas duas categorias estão intimamente relacionadas. Tudo o que Jesus realizou está fundamentado nessa identidade; sua identidade é demonstrada em suas obras. Do mesmo modo como as peças de um quebra-cabeça são montadas para formar um todo compatível em que nenhuma peça pode se distinguir por si mesma, assim os “títulos cristológicos” do Novo Testamento juntam-se para formar um quadro geral que nenhum título pode manifestar adequadamente estando separado. Tomados coletivamente, esses títulos formam um retrato persuasivo, rico, profundo e poderoso de Cristo, o Salvador divino e o Senhor, que continua a exercer influência e atração enormes sobre os seres humanos, pecadores e mortais.

Fonte: “Teologia - Os fundamentos” da Edições Loyola

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Joseph Alleine - Procurar ajuda fora de si mesmo

Não pense que por orar, ler e ouvir a Palavra de Deus, confessar os pecados e corrigir-se você efetuará a cura. Todas essas são necessárias, mas você estará destruído se confiar apenas nelas. Você será um homem perdido se esperar escapar do afogamento agarrando-se a outra tábua de salvação, senão a Cristo. É preciso despir-se de si mesmo, renunciar à sua própria sabedoria, à sua própria justiça, à sua própria força, e lançar-se completamente sobre Cristo, caso contrário não escapará. Enquanto os homens confiarem em si mesmos, estabelecerem a sua justiça própria, e confiarem na carne, não buscarão a salvação em Cristo. É preciso saber que seu lucro é perda, sua força é fraqueza, sua justiça é trapo de imundícia, antes que haja uma união eficaz entre Cristo e você.

Fonte: “Um guia seguro para o céu” da PES.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ronald Hanko - Decretos e Mandamentos: duas vontades?


Esta distinção é, por vezes, utilizada na defesa da ideia de que Deus tem duas vontades contraditórias: que ele ordena (deseja) a todos que ouvem o Evangelho que creiam em Jesus Cristo, enquanto ele mesmo decretou (desejou) que alguns não creriam. Isto, nós cremos, é um jogo de palavras, desde que mandamento e decreto são duas coisas diferentes, embora a palavra desejo seja usada para ambos. No caso do decreto, a palavra desejo se refere aquilo que Deus eternamente determinou. Tratando-se do seu mandamento, aquilo que é aceitável e agradável para Ele. Não é a mesma coisa, e não há conflito entre eles. Pode ser verdadeiro que Deus ordena o que Ele não decretou, mas mesmo assim não há conflito. Por quê? Porque a ordem do mandamento não é uma palavra vazia, mas algo que Deus usa para cumprir seus decretos.

Explicando mais claramente, quando Deus ordena a alguém crer, esta ordem leva esta pessoa irresistivelmente a Cristo na fé salvadora (Jo 6:44) ou a endurece na incredulidade (Rm 9:18; 2Co 2:15-16), assim cumprindo o que Deus tem decretado. Não há nenhum conflito.

Nem há conflito na prática. Quando nos confrontamos com as exigências do Evangelho, nós somente precisamos saber que a fé é o que Deus exige de nós. Devemos acreditar ou perecer. O que Deus decretou não é nossa preocupação e, também, não pode ser nossa preocupação quando encaramos suas justas exigências. Nós vivemos por Seus mandamentos, não por Seus decretos.

Quando procuramos conforto e segurança, então estamos preocupados com os decretos de Deus. Veremos que a fé e a obediência são frutos do decreto de Deus na eleição, sendo a fé, o arrependimento e a santidade a prova de nossa eleição.

Fonte: “Doctrine according to Godliness”, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association.

Tradução: Eric N. de Souza

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

John Frame - Decreto, preceito e sabedoria


Deus nos orienta por meio dos seus decretos, da sua Palavra escrita e da sabedoria dada pelo Espírito. Por meio dos seus decretos, ele abre e fecha portas, dando-nos algumas oportunidades e retirando outras, mas essas circunstâncias de nossa vida não nos dizem, por si mesmas, como devemos agir. Pela Escritura, ele nos diz o que quer fazer, mostrando-nos como responder a essas circunstâncias. Pela sabedoria dada pelo Espírito, Deus nos capacita a aplicar a Escritura às circunstâncias.

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Estas três categorias – decreto, preceito e sabedoria – estão perspectivamente relacionadas. Deus decreta agir segundo seus preceitos e sua sabedoria. Seus preceitos incluem o ensino de que devemos nos curvar diante dos decretos soberanos de Deus e buscar sua sabedoria. E sua sabedoria é revelada tanto nos seus decretos quanto na sua Palavra. Em termos da estrutura tríplice tradicional da minha teologia do senhorio, o decreto é situacional, o preceito é normativo e a sabedoria é existencial.

Fonte: Trechos de “A doutrina de Deus” da Editora Cultura Cristã.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

John MacArthur - Autoridade masculina

Deus, porém, estabeleceu o princípio da autoridade masculina e da submissão feminina com o propósito de ordem e complementação e não com base na superioridade inata dos homens. Um empregado pode ser mais inteligente e mais hábil do que seu patrão, mas uma empresa não pode funcionar bem sem a submissão à autoridade, mesmo que aqueles que lideram não sejam tão competentes quanto deveriam. Os líderes eclesiásticos são escolhidos entre os homens mais espirituais da congregação, mas outros membros podem ser ainda mais espirituais. Aqueles que não ocupam posições de liderança ainda são chamados para se submeter aos líderes.

Pode haver nas igrejas mulheres que estudam mais a Bíblia e pregam melhor do que muitos homens. Se elas, porém, são obedientes à ordem divina e comprometidas com seu desígnio, submeter-se-ão à autoridade masculina e não tentarão usurpá-la.

Fonte: “Homens e mulheres” da Editora Textus

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ronald Hanko - O batismo do eunuco foi por imersão?

É geralmente assumido que as palavras “desceram ambos à água” e “saíram da água” em Atos 8:38, 39 descrevem o batismo do eunuco e o fato que ele deve ter sido imerso. Existem dois problemas com esta visão. Um problema são as preposições usadas – “à” (eis, no grego) e “da” (ek) não implicam imersão de forma alguma. A palavra à no Novo Testamento é traduzida de muitas formas diferentes, incluindo: “at” [em, no, por] (20 vezes), “in” [dentro, em, no] (131), “into” [em, entre] (571), “to” [para] (282), “toward” [em direção a, para] (32), e “unto” [até, para] (208). Isso pode ser verificado com uma boa concordância. A palavra da é traduzida variadamente: “from” [de, por] (182 vezes), “up from” [de dentro de] (2), e “out of” [da, fora de] (131). Substituir essas traduções diferentes nos dois versículos mostrará imediatamente que diferença isso faz. O ponto é que essas duas palavras não estão descrevendo o batismo de forma alguma, mas o que aconteceu imediatamente antes e após o batismo. As duas preposições usadas em Atos 8 obviamente não podem estar descrevendo o batismo, visto que são aplicadas tanto ao eunuco como a Filipe. Se elas estão descrevendo um batismo por imersão, então Filipe também batizou a si mesmo por imersão. Ele também “desceu” e “saiu” da água. Ou as palavras descrevem o batismo por imersão de ambos – Filipe batizando a si mesmo, bem como ao eunuco – ou não descrevem nenhum batismo de forma alguma. 

Fonte: "A doutrina reformada dos sacramentos" da Editora Monergismo. Acesse o livro através do link Monergismo.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Joel Beeke - Arminianismo X Calvinismo

Arminianismo (Graça resistível)
  1. O Espírito Santo faz tudo que pode para influenciar cada pessoa a converter-se a Deus.
  2. O Espírito Santo não pode produzir o arrependimento e a fé na alma sem que esta exerça seu livre-arbítrio para escolher o arrependimento e a fé; estas são, pelo menos em parte, ações e contribuições do próprio homem.
  3. O Espírito Santo chama apenas exteriormente, e essa chamada é sempre resistível.
  4. A obra regeneradora do Espírito Santo é realizada somente quando o homem responde e coopera.
  5. O Espírito Santo outorga a regeneração em resposta à fé; a regeneração segue a fé.

Calvinismo (Graça irresistível)
  1. O Espírito Santo aplica a salvação aos eleitos por sua chamada e sua obra de regeneração.
  2. O Espírito Santo outorga o arrependimento e a fé como dons da parte de Deus à alma dos eleitos.
  3. Além de sua chamada exterior, o Espírito Santo realiza a sua chamada interior e irresistível no coração dos eleitos.
  4. A aplicação salvífica da parte do Espírito Santo é rrealizada por seu poder divino e onipotente.
  5. O Espírito Santo outorga a regeneração para que haja fé; a regeneração precede a fé.

... Portanto, a salvação é graça monergística (Ef 2.1-10); não é uma obra que nós realizamos no todo ou em parte (2Tm 1.9). Não é um empreendimento conjunto entre o Espírito Santo e nós; não cooperamos em realizar a salvação. Os eleitos não são nascidos de novo porque creem; pelo contrário, eles creem porque são nascidos de novo pelo Espírito de Deus (1Jo 5.1).

Fonte: “Vivendo para a glória de Deus” da Editora Fiel

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Wayne Grudem - A igreja não deve governar "o que é de César"

…em certo momento de seu ministério, Jesus se recusou a assumir qualquer papel de liderança que tivesse ligação com o governo constituído. Quando alguém o procurou para pedir que ele resolvesse a disputa por uma herança, ele não atendeu o pedido: “Alguém dentre a multidão lhe disse: Mestre, diz a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou intermediário entre vós?” (Lc 12.13,14).

Jesus não quis assumir, no âmbito do governo civil, um papel de autoridade que não lhe haviam conferido.

Se a igreja não deve governar o Estado, isso significa que os papas da Idade Média erraram ao tentar impor sua autoridade sobre reis e imperadores, ou mesmo afirmar que tinham o direito de escolher o imperador. Essa postura resultou de uma falta de entendimento da distinção feita por Jesus entre “o que é de César” e “o que é de Deus”.

Fonte: “Política segundo a Bíblia” da Editora Vida Nova

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Lee Strobel - Jesus estava entrando ou saindo de Jericó quando curou o cego?


— ... Lucas diz que Jesus estava entrando em Jerico quando curou o cego Bartimeu, ao passo que Marcos diz que ele estava saindo. Essa contradição não seria suficiente para lançar dúvidas sobre a confiabilidade do Novo Testamento?
McRay não se mostrou incomodado com a objetividade da pergunta.
— De forma alguma — foi a resposta. — Isso só parece contraditório quando raciocinamos em termos contemporâneos, em que as cidades são construídas em um determinado lugar e ali permanecem. Não era esse necessariamente o caso no passado. Naquela época, Jerico consistia em pelo menos quatro agrupamentos distintos separados por cerca de 400 metros um do outro. A cidade foi destruída e reerguida perto de uma outra fonte de água, ou de uma estrada nova, ou próximo de uma montanha, ou em um outro lugar qualquer. A questão é que se podia sair de um local onde Jerico fora construída e entrar em outro, como se saíssemos de um bairro de Chicago e fôssemos para outro.
— Então, o que o senhor está dizendo é que tanto Lucas quanto Marcos podiam estar com a razão?
— Exato. Jesus podia estar saindo de uma área de Jerico e entrando em outra ao mesmo tempo.
Uma vez mais, a arqueologia havia respondido a outra objeção a Lucas. Considerando-se o trecho extenso do Novo Testamento escrito por ele, é extremamente significativo que ele seja reconhecido por historiador escrupuloso e preciso, mesmo nos menores detalhes. Um arqueólogo de renome analisou as referências que Lucas faz a 32 países, 54 cidades e 9 ilhas, e não achou um erro sequer.
A conclusão, portanto, é a seguinte: "Se Lucas esmerou-se tanto para que seu relato histórico fosse preciso", dizia um livro sobre o assunto, "qual seria a base lógica para supormos que ele fosse ingênuo ou impreciso quando falava de coisas muito mais importantes, não somente para ele, mas também para os outros?".
Coisas, por exemplo, como a ressurreição de Jesus, a prova mais importante de sua divindade, que, segundo Lucas, fora firmemente estabelecida com "muitas provas indiscutíveis" (At 1.3).


Fonte: Trecho de uma entrevista feita por Lee Strobel com John McRay, Ph.D. "Em defesa da verdade" da Editora Vida

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

John Frame - Presença pactual de Deus


Presença pactual significa que Deus cuida do seu mundo. Ele não lhe deu corda e o deixou por sua conta. Ele continua com o mundo e nele permanece, para controlá-lo, avaliá-lo, abençoá-lo e julgá-lo. Ele é o oleiro, e seu mundo é seu barro, mas não é meramente barro. A analogia do barro e do oleiro é uma boa imagem das prerrogativas de Deus sobre nós, e, de fato, é literalmente verdadeiro que somos feitos do pó da terra (Gn 2.7)...

...precisamos considerar mais minuciosamente a relação entre Criador e criatura. Primeiro, como vimos, é um erro dizer que, porque Deus está presente, o mundo é Deus e Deus é o mundo. A presença pactual é completamente incoerente com o panteísmo, pois a presença pactual distingue o mundo de Deus, que está presente nele e com ele. Ele está presente como o Senhor soberano, como o controlador e a autoridade.

Fonte: “A doutrina de Deus” da Editora Cultura Cristã

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

R. B. Kuiper - O erro do evangelho social

A falta cometida pelo evangelho social do modernismo não está em que pretende curar os males sociais, mas em que pensa realizar isso de modo diametralmente oposto ao cristianismo. Deixando de lado a verdade óbvia de que nunca a sociedade pode ser melhor do que os indivíduos que a compõem, pretende melhorar o indivíduo melhorando a sociedade. Quer resgatar os homens de consequências do pecado tais como a pobreza e as doenças, em vez de redimi-los do pecado mesmo, pelo sangue de Cristo. Pretende salvar o indivíduo por aquilo que é denominado “regeneração da sociedade”, e não pelo novo nascimento produzido naturalmente pelo Espírito Santo. Pretende, por esforços humanos, tirar os homens das favelas, em vez de tirar as favelas de dentro dos homens, pela graça de Deus. Negligencia a profunda verdade tão expressa por aquele grande pregador e evangelista, Charles Haddon Spurgeon: “Leve um ladrão para o céu, e a primeira coisa que ele fará é bater as carteiras dos anjos”.

Fonte: “Evangelização Teocêntrica” da PES

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

James Buchanan - A Justificação imputa e a Santificação outorga

Apesar de ser inseparavelmente unidas, há uma diferença entre justificação e santificação. Na justificação, Deus imputa a justiça de Cristo aos crentes; na santificação, o Espírito Santo outorga a graça de santidade e dá forças para viver piedosamente. Na justificação, o pecado é perdoado; na santificação, o pecado é verdadeiramente mortificado. A justificação liberta todos os crentes da ira de Deus sem qualquer distinção; a santificação nunca é igual em todos os crentes, antes, varia na medida em que cada um cresce na graça. A santificação nunca será perfeita em nenhuma pessoa enquanto estiver nesta vida, mas, por outro lado, os crentes não podem ser justificados mais do que já são! A sua justificação já inclui a plena aceitação diante de Deus, como também o direito à vida eterna.

Fonte: “Declarado Inocente” da PES

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fé: um dom de Deus

A Fé, portanto, é um dom de Deus, não porque é apenas oferecida por Deus ao livre-arbítrio do homem, mas porque é de fato conferida ao homem, implantada e infundida nele. Também não é um dom no sentido de que Deus confere apenas a capacidade para crer, e aguarda do livre-arbítrio do homem a autorização para crer ou o ato de crer. É, antes, um dom no sentido de que é Ele quem efetua no homem tanto o querer quanto o realizar; quem verdadeiramente faz tudo em todos; quem realiza no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer.

Fonte: Os Cânones de Dort – Artigo 14 do Terceiro e Quarto Capítulos da Doutrina.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Leandro Antônio de Lima - Até para a teoria da evolução Deus seria necessário

Algumas particularidades tornam a teoria da evolução ainda mais inaceitável. Como algo morto pode dar origem a vida? Como algo simples pode originar o complexo? Uma brincadeira é feita com relação à teoria da evolução: uma vez que é dito que o big-bang, uma grande explosão, deu origem a todas as coisas, pede-se que se jogue uma bomba numa relojoaria e, depois que a poeira baixar, se verifique se todos os relógios estão sincronizados. Como pode uma explosão dar origem a um universo sincronizado? Na verdade, a teoria da evolução contraria leis científicas como, por exemplo, a da termodinâmica, que diz que as coisas tendem a se extinguir e não a evoluir. Uma chama acesa não aumenta mais e mais, mas queima até se apagar. Uma chaleira de água quente não se aquece mais e mais, ao contrário, ela esfria. A partir dessa concepção, uma teoria da involução seria muito mais provável. As coisas somente evoluem enquanto são alimentadas. A água aquece enquanto há fogo embaixo, e o fogo queima enquanto há lenha ou algum combustível que o alimente. Até mesmo para sustentar a teoria da evolução seria necessário supor que há um mantenedor por trás de cada ato evolutivo, e novamente Deus seria necessário. Os seres humanos não podem deixar Deus de lado; eles precisam dele para que algo faça sentido. Se o deixarmos de lado, estaremos abrindo mão da razão e mergulhando no caos da irracionalidade. Só uma época de relativismo como a atual poderia aceitar uma teoria como essa.

Fonte: “Razão da esperança – Teologia para hoje” da Editora Cultura Cristã

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O que é agnosticismo?

Resposta: Agnosticismo é a crença de que a existência de Deus é impossível de ser conhecida ou provada. A palavra “agnóstico” significa essencialmente “sem conhecimento”. Agnosticismo é uma forma mais intelectualmente honesta do ateísmo. O ateísmo afirma que Deus não existe – uma posição que não pode ser provada. O agnosticismo argumenta que a existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada – que é impossível saber se Deus existe. Neste conceito, o agnosticismo está certo. A existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada empiricamente.

A Bíblia nos diz que nós devemos aceitar por fé que Deus existe. Hebreus 11:6 diz: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. Deus é espírito (João 4:24), então ele não pode ser visto ou tocado. A menos que Deus decida revelar a Si próprio, Ele é essencialmente invisível aos nossos sentidos (Romanos 1:20). A Bíblia ensina que a existência de Deus pode ser claramente vista no universo (Salmos 19:1-4), percebida na natureza (Romanos 1:18-22) e confirmada nos nossos próprios corações (Eclesiastes 3:11).

O agnosticimo é essencialmente a falta de vontade de tomar uma decisão a favor ou contra a existência de Deus. É a posição mais “em cima do muro” que existe. Teístas acreditam que Deus existe. Ateus acreditam que Deus não existe. Agnósticos acreditam que nós não deveríamos acreditar ou desacreditar na existência de Deus – porque é impossível conhecê-la.

Por um instante, vamos deixar de lado as evidências claras e inegáveis da existência de Deus. Se colocamos as posições do teísmo e do ateísmo/agnosticismo no mesmo nível, em qual delas faz mais “sentido” acreditar – levando em conta a possibilidade de vida após a morte? Se não há Deus, teístas e ateus/agnósticos simplesmente cessarão de existir quando morrerem. Se há um Deus, ateus e agnósticos terão Alguém a quem prestar contas quando morrerem. Deste ponto de vista, definitivamente faz mais “sentido” ser um teísta do que um ateu/agnóstico. Se nenhuma das posições pode ser provada ou deixar de ser provada, não parece mais sábio fazer todo o esforço necessário para acreditar na posição que poderá ter um resultado final infinita e eternamente mais desejável?

É normal ter dúvidas. Existem tantas coisas neste mundo que nós não entendemos. Com freqüência, as pessoas duvidam da existência de Deus porque elas não entendem ou concordam com as coisas que Ele faz e permite. No entanto, nós, como seres humanos finitos, não devemos esperar entender um Deus infinito. Romanos 11:33-34 exclama: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” Nós devemos acreditar em Deus pela fé e confiar nos seus caminhos pela fé. Deus está pronto e com vontade de revelar a Si próprio de formas incríveis para aqueles que acreditam nele. Deuteronômio diz: “De lá, buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.”

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Kevin DeYoung - A Santificação é Monergística ou Sinergista? Uma Análise Reformada (Parte 2)

Francisco Turretini (1623-87)

Turretini emprega santificação como um termo teológico “usado estritamente para uma real e interna renovação do homem.” Nessa renovação, nós somos tanto receptores da graça de Deus quanto atores ativos dela.”[Santificação] segue a justificação e se inicia pela regeneração e é promovida pelo exercício da santidade e das boas obras, até que uma seja consumada na outra pela glória. Nesse sentido, ela é passiva, na medida em que é operada por Deus em nós, e em outro sentido é ativa, na medida em que deve ser feito por nós. Deus realiza seu trabalho em nós e através de nós. (Institutes of Elenctic Theology 2.17.1)

Quando se trata da graça de Deus na regeneração, Turrentini se opõe a “todos os sinergistas”. Ele tem em mente os Socinianos, Remonstrantes, Pelagianos, Semipelagianos, e especialmente os Católicos Romanos, que anatematizaram: “Eles dizem que o livre arbítrio do homem, movido e estimulado por Deus, coopera de alguma forma” no chamado eficaz (Concílio de Trento). Turrentini foi feliz em ser o tipo de monergista que foicontra Trento. Entretanto, ele faz um esclarecimento:

Esse assunto não diz respeito ao segundo estágio da conversão, em que é certo que o homem não é meramente passivo, mas coopera com Deus(ou melhor, opera em submissão a Ele). Na verdade, ele realmente acredita e se converte a Deus; se move ao exercício da nova vida. Antes, essa questão diz respeito ao primeiro momento quando ele é convertido e recebe nova vida na regeneração. Nós afirmamos que ele é meramente passivo nesse caso, como um sujeito que recebe e não como um princípio ativo (2.15.5).

Dada essa ressalva, é difícil pensar que Turrentini se sentisse confortável em dizer que santificação é monergística, embora ele certamente acreditasse que a santidade é trabalhada no crente por Deus.

Wilhelmus A Brakel (1635-1711)

Semelhantemente a Turrentini e Calvino, A Brakel deixa claro que a santificação é um trabalho de Deus. ” somente Deus é sua causa” ele escreve: “Assim como o homem não pode contribuir para sua regeneração, fé e justificação, da mesma forma não pode contribuir para sua santificação” (The Christian’s Reasonable Service, 3.4). Isso pode soar como se fôssemos completamente passivos na santidade, mas não é o que A Brakel quer dizer:

Crentes odeiam o pecado, amam a Deus, e são obedientes, e fazem boas obras.Entretanto, eles não fazem isso por conta própria nemindependemente de Deus; antes, o Espírito Santo, tendo infundido vida neles na regeneração, Ele mantém essa vida pela Sua contínua influência, despertando, ativando e fazendo com que ela funcione em harmonia com sua natureza espiritual.(3.4)

Nós não contribuímos em nada para santificação, e o crescimento em piedade é um dom de Deus. No entanto, nós devemos ser ativos no exercício desse dom. A Brakel vai ainda além quando diz: “Homem, sendo assim movido pela influência do Espírito de Deus, age, santifica a si mesmo, se compromete na atividade a qual sua nova natureza deseja e na direção que ela está disposta, e faz o que ele sabe que é seu dever” (3.4, grifo do autor). É por isso que A Brakel depois exorta seus leitores a “fazer um diligente esforço para se purificar de toda contaminação da carne e da mente, aperfeiçoando sua santificação no temor a Deus. Permita me despertá-lo para a obra santa; incline seu ouvido e permita que essas exortações endereçadas a você entrem seu coração”(3.24). Então em um certo sentido (no nível da causa e da origem) nós nãocontribuímos em nada para santificação e em outro sentido (no nível da atividade e esforço) nós santificamos a nós mesmos.

Charles Hodge (1797-1878)

Nós achamos os mesmos temas – santificação como um dom e santificação como uma ativa cooperação – em um grande sistematizador de Princeton. Hodge enfatiza que a santificação é “sobrenatural” e que as santas virtudes na vida de um crente não podem “ser produzidas pelo poder da sua vontade”, ou por todos os recursos do homem, embora possam ser prolongadas no seu exercício. Elas são presentes de Deus, frutos do Espírito” (Systematic Theology, 3.215).

Entretanto, Hodge é rapido em acrescentar que essa obra sobrenatural da santificação não exclui “a cooperação como causa secundária” Ele explica:

Quando Cristo abriu os olhos dos cegos, nenhuma causa secundária se interpôs entre sua vontade e o efeito. Mas os homens desenvolvem sua própria salvação, enquanto Deus trabalha neles o querer e o fazer, de acordo com Sua própria vontade. No trabalho da regeneração, a alma é passiva. Ela não pode cooperar. Mas na conversão, o arrependimento, a fé, e o crescimento em graça, todos seus poderes são chamados a entrar em exercício. Quando, porém, os efeitos produzidos superam a eficiência de nossa natureza caída, isso se deve a atividade do Espírito, e a santificação não deixa de ser sobrenatural, ou uma obra da graça, porque a alma é ativa e coopera no processo (3.215).

Há muitas idéias importantes no resumo do Hodge. Primeiro, ele afirma que a santificação é uma obra da graça sobrenatural. Isso não é algo que vem de nós ou poderia ser efetuado por nós. Segundo, ele sugere que a alma é passiva (monergismo) na regeneração, mas não no restante de nossa vida espiritual (nota: “conversão” nesse trecho significa seguir Cristo, não se refere ao novo nascimento). Terceiro, ele não hesita em usar a linguagem da cooperação. Nós somos ativos no processo de santificação com Cristo enquanto Ele trabalha em nós.


Tradução: Henderson Fonteneles



terça-feira, 8 de julho de 2014

Kevin DeYoung - A Santificação é Monergística ou Sinergista? Uma Análise Reformada (Parte 1)

Os termos monergismo e sinergismo se referem à obra de Deus na regeneração. Monergismo ensina que nós nascemos de novo somente através da obra de um (a palavra mono tem origem no grego e significa ‘um’, erg vem do grego e significa trabalho’). Sinergismo ensina que nós nascemos de novo através da cooperação humana com a graça de Deus (o prefixo sin vem do grego e significa “com” ). Os reformadores se opuseram fortemente contra todo o conceito sinergístico para o novo nascimento. Eles acreditavam que dada a morte espiritual, a falha moral do homem, nossa regeneração é devido inteiramente a soberana obra de Deus. Nós não cooperamos e não contribuímos para nosso novo nascimento. Três vivas para o monergismo!

Mas o que nós deveríamos dizer sobre a santificação? Por um lado, cristãos reformados detestam a palavra sinergismo. Não queremos de maneira alguma sugerir que a graça de Deus é de algum modo desprezível na santificação. Nem queremos sugerir que o duro trabalho de crescimento em piedade não é um dom sobrenatural de Deus. Por outro lado, estamos em um terreno perigoso se afirmarmos que somos passivos na santificação da mesma forma que somos passivos na regeneração. Não queremos sugerir que Deus é o único agente ativo em nossa progressiva santificação. Então a questão é: A santificação é monergística ou sinergística?

Eu acho que é melhor ficar longe de ambos os termos. A distinção é muito útil ( e muito importante) quando falamos acerca da regeneração, mas esses termos teológicos restritos confundem quando se fala acerca da santificação. Sinergismo soa como um palavrão para os reformados, então ninguém quer dizer isso. E ainda, monergismo também não é uma palavra adequada. Para transformá-la em uma palavra coveniente, nós temos que providenciar uma definição diferente da qual nós damos quando discutimos acerca do novo nascimento. O que significa dizer que regeneração e santificação são ambos monergísticos se nós estamos inteiramente passivos em um e ativos em outro?

Aqueles que dizem que santificação é monergística querem proteger a graça, a natureza sobrenatural da santificação. Aqueles que dizem que a ela é sinergística, querem enfatizar que devemos cooperar ativamente com a graça . Esses exemplos estão ambos corretos. Eu acredito ainda que é melhor defender esses dois pontos com uma cuidadosa explicação do que com termos que normalmente tem sido usados em polêmicasteológicas. Santificação é, ao mesmo tempo, um dom gracioso de Deus, e requer nossa ativa cooperação. Eu tentei mostrar em artigos anteriores que essas duas verdades são bíblicas. Nesse artigo eu quero mostrar que essas duas verdades são também notavelmente reformadas.

Deixe me dar alguns breves exemplos:
João Calvino (1509-64)
No Comentário de 2 Pedro 1:5 (“E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé…”), Calvino diz:

Visto que isso é um grande e árduo trabalho, eliminar a corrupção que há em nós, ele nos ordena a atacar e fazer todo o esforço possível para atingir esse propósito. Ele intima que não se deve dar lugar à preguiça, e que nós devemos obedecer ao chamado de Deus não brandamente ou descuidadosamente, mas que haja necessidade de diligência; conforme ele disse: “Empenhe todos os esforços, e faça seu zelo ser manifestado a todos.”

Para Calvino, crescer em piedade é um trabalho difícil. Não há lugar para preguiça. Nós devemos nos esforçar para  obedecer com rapidez e diligência. O crente não é nada passivo na santificação.

Mas depois, enquanto comentava no mesmo verso, Calvino também adverte contra “o delírio” de que nós tornamos os movimentos de Deus eficazes, como se a obra de Deus não pudesse ser feita a menos que nós O permitíssemos fazer. Pelo contrário, “desejos santos são criados em nós por Deus, e são reproduzidos por Ele eficazmente.” Na verdade, “todo nosso progresso e perseverança provém de Deus.” Sabedoria, amor, paciência – todos eles são “dons de Deus e do Espírito”. Então, quando Pedro nos diz para empregar toda nossa diligência, “ele não está querendo dizer que [essas virtudes] são realizadas pelos nossos próprios esforços, mas somente mostra que devemos ter e que deve ser feito.


Tradução: Henderson Fonteneles

quarta-feira, 25 de junho de 2014

John W. Robbins - Não existe certo e errado naturais

... A distinção entre certo e errado depende inteiramente dos mandamentos de Deus. Não há nenhuma lei natural que torne as ações ou certas, ou erradas. Nas palavras do Breve Catecismo, pecado é qualquer falta de conformidade à, ou transgressão da, lei de Deus. Se não houvesse nenhuma lei divina, não haveria nenhum pecado ou virtude.

Isso pode ser visto de forma muito clara no mandamento para Adão não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Somente o mandamento de Deus é que fazia o ato de comer o fruto um pecado. Isso também pode ser visto no mandamento para Abraão sacrificar Isaque. Somente o mandamento de Deus é que tornava o sacrifício algo correto, e Abraão se apressou em obedecer. Por mais estranho que possa parecer aos ouvidos modernos, acostumados a ouvir tanto sobre o direito à vida, ou direito à moradia digna, ou direito à escolha, a Bíblia diz que não existe certo ou erado naturais. Somente os mandamentos de Deus é que tornam algumas coisas certas e outras, erradas.

Fonte: Parte do Prefácio de “Uma Introdução à Filosofia Cristã” de Gordon Clark, da Editora Monergismo

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Joel Parkinson - A Triunidade Intelectual de Deus

Clark continua para mostrar que as três Pessoas divinas são distintas devido aos seus pensamentos diferentes. “Visto que as três Pessoas também não têm precisamente a mesma série de pensamentos, elas não são uma Pessoa, mas três” (The Trinity, 106-107). Tal distinção pode parecer estranha superficialmente, visto que cada uma das Pessoas divinas conhece todas as verdades (1 João 3:20; Mateus 11:27; 1 Coríntios 2:11). Alguém poderia então ficar inclinado a concluir que as três Pessoas têm os mesmos pensamentos. Mas o Dr. Clark está se referindo ao que eu chamo de “conhecimento subjetivo” das Pessoas, enquanto a onisciência delas concerne ao “conhecimento objetivo”.

Agora, o “conhecimento subjetivo” consiste de fatos concernentes à experiência pessoal de uma pessoa, enquanto o “conhecimento objetivo” é a verdade com respeito à experiência. Dizer “eu estou escrevendo este artigo” é uma proposição subjetiva: somente eu posso dizê-la. Por outro lado, a declaração “Joel Parkinson escreveu este artigo” é objetiva, pois pode ser conhecida e dita por qualquer um.

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Assim, os pensamentos subjetivos das três Pessoas divinas e seu conhecimento objetivo não são uma e a mesma coisa, embora ambos sejam todo-abrangente. O Pai não pensa “eu morrerei ou morri numa cruz”, nem ele pensa “eu habitarei ou habito nos cristãos”. Somente o Filho pode pensar da primeira forma e a última é única ao Espírito Santo. Mas todos os três sabem que “o Filho morrerá ou morreu numa cruz” e “o Espírito Santo habitará ou habita nos cristãos”. Assim, os pensamentos subjetivos distinguem as Pessoas, embora o conhecimento objetivo delas seja compartilhado e completo.

Fonte: Monergismo

*Leia o texto completo em Monergismo

quinta-feira, 12 de junho de 2014

W. Gary Crampton - A Unidade da Pessoa de Cristo

[...]
Como temos visto, durante toda a história da igreja, sempre houve aqueles que têm negado a divindade de Cristo e aqueles que têm negado sua humanidade. É também o caso que sempre houve aqueles que têm negado a visão bíblica da união das duas naturezas em uma Pessoa. Antes do que meramente distinguir entre as duas naturezas de Cristo, o Nestorianismo [1] do quinto século dividiu Cristo em duas pessoas separadas. O Nestorianismo foi condenado no Concílio de Éfeso (431). Os eutiquianos do quinto século, por outro lado, afirmaram que após a encarnação havia somente uma natureza em Cristo. Essa natureza não era nem completamente humana, nem completamente divina. Antes, a união produziu uma mistura das duas naturezas numa terceira natureza misturada, uma tertium quid. Essa visão, que é também conhecida como monofisitismo (“uma natureza”), foi condenada no Concílio de Caldedônia (451 d.C.).

A visão bíblica da unidade da Pessoa de Cristo é ensinada na Confissão de Westminster (8:2), que declara de Cristo que “as duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas — a divindade e a humanidade — foram inseparavelmente unidas em uma só Pessoa , sem conversão, composição ou confusão; essa Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”.

Os teólogos chamam a união das naturezas divina e humana de Jesus Cristo numa única Pessoa de união hipostática. Na encarnação, como ensinado pela Confissão, o eterno Filho de Deus tomou sobre si uma verdadeira natureza humana. Desde então, Jesus Cristo é, e sempre será, uma Pessoa (isto é, um Deus-homem), com duas naturezas auto-conscientes: uma divina e uma humana.

Mas aqui é onde a dificuldade se levanta. A declaração do credo de Calcedônia, citado acima, juntamente com muito do “Cristianismo” popular, tem uma visão diferente. Essa visão mantém que a partir do tempo da encarnação, a Segunda Pessoa da Divindade é uma Pessoa divina com duas naturezas: uma divina e uma humana. Louis Berkhof, um advogado dessa visão, explica: “Há apenas uma Pessoa no Mediador, e essa Pessoa é o imutável Filho de Deus. Na encarnação ele não se transformou numa pessoa humana; ele simplesmente assumiu uma natureza humana, a qual não se desenvolveu numa personalidade humana, mas se tornou pessoal na Pessoa do Filho. A Pessoa única divina, que possuía uma natureza divina desde a eternidade, assumiu uma natureza humana e agora tem duas”. [2] Augustus Strong está de acordo com Berkhof. Ele conclui que a Pessoa única divina assumiu uma natureza humana impessoal. Em outras palavras, ele não se uniu com uma pessoa humana, mas com uma natureza humana “sem personalidade”.[3]

Nessa visão, a Pessoa única não é o Deus-homem, mas a Segunda Pessoa da Divindade. A dificuldade, então, é que se Jesus Cristo tem duas naturezas completas, uma plenamente divina e outra plenamente humana, e, todavia, ele é uma Pessoa divina indivisa, como essa Pessoa pode ser genuinamente humana?

Isto é, se Jesus Cristo é, como ensinado em Hebreus 2:17, e afirmado pela declaração do credo de Calcedônia, “em todas as coisas semelhante a nós”, como ele não é uma pessoa humana? Se ele, como Calcedônia apropriadamente afirma, tomou sobre si uma natureza humana de forma que, “segundo a humanidade”, ele é “em todas as coisas semelhante a nós”, então ele tinha um corpo humano e uma alma humana. Não é ele então uma pessoa humana? Afinal, a Bíblia repetidamente reivindica que ele não é apenas uma natureza humana; ele é “o homem Cristo Jesus” ( 1 Timóteo 2:5).

Além do mais, se a Pessoa auto-consciente do Deus-homem é a Segunda Pessoa da Trindade, como a maioria do “Cristianismo” popular afirma, então a natureza humana não seria auto-consciente. Todavia, em Lucas 2:52 lemos que Jesus crescia, não somente em “estatura” (isto é, fisicamente), mas também “em sabedoria” (mentalmente), mostrando assim que a natureza humana (pois a natureza divina, sendo onisciente, não pode crescer) de Jesus tinha uma consciência. Mas se o Deus-homem tinha duas consciências, então ele é duas pessoas: divina e humana. [4]

Essa foi a questão com a qual Nestório lutou. E, como Thomas Morris apontou, outros pensadores cristão primitivos, tais como Gregório de Nyssa (c. 330-395), Gregório de Nazianzo (329-389), e Cirilo de Alexandria (falecido em 444), também viram esse problema. Eles não foram tão longe como os Nestorianos ao ponto de reivindicar que Cristo tinha duas pessoas separadas. Mas eles sustentaram o que Morris chama de “a visão das duas mentes de Cristo”. [5] É irracional, assim diziam esses estudiosos, manter que o Deus-homem tinha somente uma auto-consciência divina. Se esse fosse o caso, ele não poderia ser plenamente homem.

A resposta para esse problema tem sido abismal. Tristemente, um modo típico de aliviar a dificuldade tem sido a abordagem kierkegardiana: coloque-a no mundo do paradoxo lógico. Outra solução é descartar o ensino bíblico de que Deus é impassional, e sugerir que a Segunda Pessoa da Divindade realmente sofreu sobre a cruz.

Essas, certamente, não são soluções reais de forma alguma. No último livro que ele escreveu, The Incarnation , [6] Gordon Clark tentou decifrar esse enigma. De acordo com o Dr. Clark, “o erro fatal” nessa questão é a ausência de definições. Como o credo de Calcedôcia, e como os outros, definem “pessoa”? Como “natureza” é definida? Aqui reside a dificuldade. [7] Aparentemente, quando os teólogos primitivos estavam formulando a doutrina da encarnação, os termos usados foram de certa forma ambíguos. Mas devemos nos guardar contra qualquer alegada solução que não forneça a humanidade plena de Jesus Cristo. E falar da humanidade de Cristo como uma natureza humana impessoal (se é que existe tal coisa), que se torna pessoal na encarnação, não resolve o problema. Além do mais, se a natureza se torna pessoal na Pessoa do Filho, então ela é uma pessoa humana.

O Dr. Clark faz algumas perguntas muito relevantes: “Se Jesus não era uma pessoa humana, quem ou o que sofreu na cruz? A Segunda Pessoa [da Trindade] não poderia ter sofrido, pois a divindade é impassional... Se então a Segunda Pessoa não podia sofrer, poderia uma natureza [humana impessoal] sofrer?”. [8]

O Dr. Clark continua: “Pelo contrário, somente... uma pessoa pode sofrer”. Além do mais, ele pondera, visto que a Bíblia nos ensina que Cristo possuía uma consciência humana, mente e coração, e vontade, como ele pode não ser uma pessoa?”. A salvação dos eleitos é realizada “pela alegada morte de uma natureza [humana] impessoal?”. Não, diz Clark, “aquele que morreu sobre a cruz foi um homem, ele tinha ou era uma alma, ele era um ser humano, uma Pessoa”. [9]

John Murray, um advogado da visão de Calcedônia, viu, todavia, as dificuldades com as “definições”. Ele escreve:
Talvez ao termo “Pessoa” possa ser dado uma conotação em nosso contexto moderno, e aplicado à natureza humana de Cristo, sem chocar através disso a unidade de sua Pessoa divina-humana. Em outras palavras, o termo “natureza” pode ser muito abstrato para expressar tudo o que pertence à sua humanidade e o termo “Pessoa” é necessário para expressar a humanidade que é verdadeira e apropriadamente sua. [10]
O presente escritor está de acordo com Clark e Murray sobre esse ponto. Parece melhor, se vamos reter a linguagem clássica sobre esse assunto (isto é, Pessoa e natureza), dizer com a Confissão de Westminster (8:2) que Jesus possui “ duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas — a divindade e a humanidade”, isto é, que ele é totalmente Deus e totalmente homem. E que na encarnação essas duas naturezas “foram inseparavelmente unidas em uma só Pessoa , sem conversão, composição ou confusão; essa Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”. Isto é, há um Senhor Jesus Cristo, um Deus-homem (isto é, a Pessoa única), que possui duas naturezas distintas e inseparáveis, ambas das quais devem ser consideradas “pessoais”, visto que ele é completamente divino e completamente humano. Não há nada impessoal sobre a natureza divina ou humana. De outra forma, Jesus Cristo não poderia ser completamente Deus, nem completamente homem. Quanto à sua humanidade, Cristo tinha uma mente ou alma humana, e um corpo humano. Ele é “o Homem Cristo Jesus” ( 1 Timóteo 2:5).

É importante apontar também que no tempo da encarnação, a natureza divina de Jesus Cristo, sendo imutável, não poderia e não passou por nenhuma mudança. Ele não colocou de lado nenhum dos atributos divinos quando ele tomou sobre si uma natureza humana. De fato, ele na poderia ter feito isso e ainda permanecer divino. Como Wayne Grudem afirma, “nenhum mestre reconhecido nos primeiros 1800 anos de história da igreja... [creu] que o Filho de Deus [na encarnação] abandonou alguns dos seus atributos divinos”.[11]
[...]

NOTAS:
[1] Nestorianism is named for the founder of this movement, Nestorius, although it is disputed as to whether or not Nestorius fully endorsed the view espoused by his followers.
[2] Louis Berkhof, Manual of Christian Doctrine (Grand Rapids: Eerdmans, 1987), 184.
[3] Augustus H. Strong, Systematic Theology , three volumes in one (Valley Forge: Judson Press, 1907, 1985), II:692-693.
[4] Nota do Publicador: Desafortunadamente, essa é uma das mais difíceis, todavia mais sublime, de todas as doutrinas da religião cristã. Embora a Blue Banner especificamente nega uma explicação Nestoriana da Personalidade de Cristo, deve também ser admitido que muita da explicação moderna do Credo de Calcedônia é também deficiente. Verificamos que muita da explicação moderna do termo “natureza humana” é ambíguo, na melhor das hipóteses. Como o Breve Catecismo (Q 22) claramente ensina, Cristo tinha um corpo verdadeiro e uma alma racional. Outra forma de dizer isso é que Cristo tinha tudo que está envolvido num ser humano.
[5] - Thomas V. Morris, The Logic of God Incarnate (London: Cornell University Press, 1986), 102-103.
[6] - Gordon H. Clark, The Incarnation (Trinity Foundation, 1988).
[7] - Clark , The Incarnation , 15-17.
[8] - Clark , The Incarnation, 67.
[9] - Clark , The Incarnation , 67-70.
[10] - John Murray, Collected Writings of John Murray (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1977), II:138.
[11] - Wayne Grudem, Systematic Theology: An Introduction to Biblical Doctrine (Leicester, England: InterVarsity Press; Grand Rapids: Zondervan, 1994), 550.

Fonte: “Cristo, o Mediador, de W. Gary Crampton, Th.D. Estou traduzindo, mediante autorização do autor, esse excelente livro; portanto, por favor, consulte em breve a seção Livros para ler o mesmo na íntegra.



Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 09 de Outubro de 2005.

Fonte: Monergismo