sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

João Calvino - Jesus

Primeiramente, o nosso redentor é chamado Jesus, título dado a ele diretamente pelo Pai. Este nome descreve o fato de que ele foi enviado para salvar o seu povo e libertá-lo do pecado. Portanto, em Cristo é que encontramos salvação, e em nenhum outro, em nenhum outro lugar. Temos aqui a razão disso: não foi por acaso, nem por temeridade ou atrevimento abusivo que lhe foi dado o nome de Jesus, e não é sem justo motivo que, por mandado de Deus, o anjo lhe chamou assim, 1  mas foi feito isso a fim de que, afastados de todas as fantasias que nos levariam a buscar a salvação noutra parte, nós o tenhamos como o nosso único Salvador. Por essa causa, a Escritura proclama que abaixo do céu não existe nenhum outro nome dado aos homens no qual pudessem encontrar salvação. 2  Logo, esse nome diz a todos os crentes que só em Jesus Cristo devem buscar salvação, e lhes garante que nele a encontrarão. 3

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1 “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” - At 4.12
2 “Fora de Cristo nada existe senão ídolos”. [João Calvino, Efésios, (Ef 2.12), p.68]
3 “Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros.” – Sl 45.7


Fonte: “As Institutas – Vol 2” da Editora Cultura Cristã

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

John Frame - Salmodia exclusiva?

Mesmo admitindo que o cântico seja um elemento do culto é preciso verificar que os defensores do uso exclusivo de salmos não tratam o cântico da mesma forma com que tratam outros elementos. O mesmo argumento utilizado para provar o uso exclusivo do Saltério poderia igualmente provar que apenas poderíamos utilizar orações e sermões escritos na Bíblia1. Entretanto, mesmo os mais ferrenhos defensores da exclusividade do Saltério permitem a pregação e a oração espontâneas no culto.

1  Todos os sermões da Bíblia são, por natureza, sermões inspirados dos profetas, de Jesus e dos apóstolos. Portanto, poderia-se argumentar que não existe, na Bíblia, nenhuma justificação para ‘pregações não inspiradas’. O mesmo podemos dizer da oração.


Fonte: “Em Espírito e em Verdade” da Editora Cultura Cristã.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

John Frame - Como Deus pode agir "agora" se ele age "sempre"?

Sanders pergunta: “Se Deus é a causa de tudo, então por que destacar certas coisas como sendo ‘de Deus’?” O que há de especial com respeito às suas providências especiais, seus milagres e poderosos atos redentores? Penso que a resposta é a seguinte: embora Deus faça acontecer todas as coisas, há alguns acontecimentos nos quais ele (1) faz coisas de interesse especial para os seres humanos, (2) se revela de maneiras extraordinárias, e/ou (3) age de tal maneira a contrastar vividamente o seu poder com o poder dos agentes finitos. Às vezes, ele também, (4) executa ações especiais que portam o seu selo, que promovem os seus propósitos na História sem ambiguidade. Assim, Gamaliel diz em Atos 5.39 que “se [a pregação sobre Cristo] é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus”.

Todas as coisas são de Deus mas, muito frequentemente, deixamos de reconhecer a sua soberania universal, e ele realiza atos extraordinários para ganhar a nossa atenção, como também para realizar os seus propósitos. Essas ações extraordinárias são “de Deus” num sentido especial ou restrito. Porém, como Gamaliel sabia muito bem, esses acontecimentos sublinham a total soberania de Deus, em vez de questioná-las.

Fonte: “Não há outro Deus” da Editora Cultura Cristã.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Augustus Nicodemus – 10 evidências de que a poligamia não é o padrão divino


1. Sem dúvida alguma, o padrão divino para o casamento sempre foi a monogamia heterossexual, isto é, um homem e uma mulher: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea... Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando- se os dois uma só carne” (Gn 2.18-25).

2. O desvio deste padrão ocorreu somente depois da queda de Adão e Eva (Gn 3), começando com Lameque, o assassino vingativo, filho de Caim (Gn 4). Depois dele, a poligamia foi praticada por diversos motivos. Entre os exemplos de poligamia no Antigo Testamento, encontramos alguns que eram políticos, ou seja, para selar tratados internacionais, como Salomão que se casou com a filha de Faraó (1Rs 3.1) e Acabe que casou com Jezabel, filha do rei dos sidônios (1Rs 16.31), além das mulheres que já tinham. Há outros casos em que o desejo de ter filhos e preservar a descendência parece ter motivado a aquisição de mais uma esposa ou concubina, no caso da esterilidade da primeira esposa, como foi o caso de Sarai ter trazido sua serva egípcia Agar para Abraão (Gn 16.1-4), costume praticado no Antigo Oriente. Provavelmente foi o mesmo caso de Elcana, casado com Ana (estéril) e depois com Penina (1Sm 1.1-2). Havia também o desejo de ter muitos filhos em caso de guerra (cf. Jz 8.30; 2Sm 3.2-5; 1Cr 7.4, 11.23, etc.). Nenhum destes casos, porém, justifica a poligamia, pois se trata de um desvio do padrão monogâmico. 

3. Apesar do surgimento da poligamia cedo na história de Israel, a monogamia continuou a regra entre os israelitas e a poligamia, a exceção. Abraão mandou seu servo conseguir uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24.37). Na genealogia dos descendentes de Judá, de entre dezenas de nomes, apenas um é citado como tendo tido duas mulheres, Asur (1Cr 4.5). No livro de Provérbios encontramos o encorajamento ao casamento monogâmico (Pv. 5.15-20; 12.4; 19.14). A ode feita à mulher virtuosa em Provérbios 31 pressupõe que ela é a única esposa do marido felizardo. Mesmo que Cantares tenha sido escrito por um polígamo, que foi Salomão, transparece claramente dele que o casamento é entre um homem e uma mulher, figura da relação de Deus com seu povo Israel. A poligamia, por razões econômicas, acontecia quase que exclusivamente entre os ricos, como os juízes e reis.

4. Os profetas tomam o casamento monogâmico para ilustrar a relação entre Deus e seu povo Israel (Jr 2.1-2; Os 3.1-5; Is 54.1-8; Jr 3.20). O profeta Malaquias denuncia a prática que havia em seus dias dos judeus se separarem de sua esposa para casarem com estrangeiras, mostrando assim que a poligamia não era o padrão estabelecido e muito menos o padrão comum e normal em Israel (Ml 2.13-16).

5. A lei de Moisés trazia diversas restrições e cuidados quanto à poligamia em Israel. A mulher israelita que fosse comprada para ser a segunda esposa teria os mesmos direitos que a primeira e seus filhos seriam igualmente herdeiros (Ex 21.7-11). O filho primogênito, ainda que da esposa aborrecida, teria o direito de herança acima do filho da esposa amada (Dt 21.15-17). Um homem casado não poderia casar com a irmã da sua esposa, o que provocaria a rivalidade entre ambas (Lv 18.18; cf. Gn 30.1). 

6. Vários destes exemplos de famílias poligâmicas registrados no Antigo Testamento são acompanhados dos problemas que o sistema inevitavelmente causava. Os judeus casados com mulheres pagãs eram levados a adorar os deuses delas e assim pecar contra Deus. Havia uma advertência na lei de Moisés aos futuros reis de Israel contra a poligamia neste sentido: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie” (Dt 17.17), conselho este que não foi seguido por Salomão, cujas muitas mulheres pagãs o levaram à idolatria em sua velhice (1Rs 11.1-8). Foi assim que Neemias interpretou o episódio de Salomão e suas muitas mulheres, quando proibiu os judeus depois do cativeiro de multiplicar esposas pagãs (Ne 13.25-27).

7. Além do risco da apostasia, a poligamia trazia profundos conflitos nas famílias poligâmicas. Havia ciúmes entre as mulheres, que disputavam entre si o amor do marido e competiam em número de filhos (Gn 16.4; 1Sm 1.5-8; Gn 30.1-26). Podemos ainda mencionar a angústia que as mulheres pagãs de Esaú trouxeram a seus pais (Gn 26.34-35). O marido acabava gostando mais de uma que da outra, favorecendo a amada e desprezando sua rival e seus filhos (Gn 29.30; 1Sm 1.5; 2Cr 11.21), o que levou a lei de Moisés, para amenizar esta situação, a estabelecer a lei dos filhos da aborrecida (Dt 21.15-17). Outro problema trazido pela poligamia dos reis de Israel era a briga entre os filhos das diversas mulheres quanto à sucessão, muito bem exemplificada na sucessão de Davi, veja 1Reis 1. 

8. No Novo Testamento na época de Jesus a monogamia era claramente o padrão entre os judeus. Quando alguns fariseus vieram experimentar Jesus com uma pergunta capciosa sobre o divórcio, o Senhor respondeu tendo o casamento monogâmico como pressuposto comum e aceito: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.3-19).

9. Nas igrejas cristãs entre os gentios, o padrão monogâmico estava já estabelecido, embora na sociedade grega a poligamia fosse conhecida e praticada. Escrevendo aos coríntios Paulo declara: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1Co 7.1-2). Aos Efésios, ele compara a relação entre o marido e a esposa à própria relação entre Cristo e sua Igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.22-33).

10. Paulo claramente proíbe que os líderes das igrejas gentílicas fossem polígamos ou bígamos. Os bispos/presbíteros tinham de ser “esposos de uma só mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.3-5) bem como os diáconos (1Tm 3.12).

Fonte: Trecho extraído do artigo “Poligamia e Casamento Gay”. Leia o texto completo em O Tempora, O Mores

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

W. Gary Crampton - O amor precisa da lei como guia

Tão importante é a lei de Deus, de acordo com Gordon Clark, que ninguém pode amar Deus ou o próximo sem ela. Na teologia ortodoxa, o amor é volitivo; ele não é uma emoção. O amor a Deus consiste em viver a vida em obediência a seus mandamentos (v. Jo 14.15, 21, 23; 1Jo 2.4,5). O amor ao próximo consiste em trata-lo de forma bíblica (p. Ex., não roubá-lo, não odiá-lo, não cobiçar suas posses).

De acordo com o dr. Clark, o amor a si mesmo, tal como na ética situacional de Joseph Fletcher, não oferece direção. O amor a si mesmo não pode justificar nenhuma ação específica. O amor precisa da lei como guia. O amor bíblico é a lei de Deus em ação. “A Escritura pode requerer o amor a Deus, mas como amá-lo é expresso em detalhes: ‘Se me amais, guardai meus mandamentos’. Sem a instrução específica e detalhada dos mandamentos nunca poderíamos saber como expressar o amor a Deus”.

Fonte: “O Escrituralismo de Gordon Clark” da Editora Monergismo

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

John MacArthur - A graça salvadora de Deus na negação de Pedro

A história da negação de Pedro é, contudo, uma lição sobre a segurança da graça salvadora de Deus. Na verdade, o que é mais enfatizado nas Escrituras ao longo de todo esse relato não é o fracasso de Pedro, mas o perdão do Senhor. O motivo pelo qual o episódio é recontado a nós em tantos detalhes nas Escrituras não é meramente para nos lembrar da nossa fraqueza humana, mas, mais importante, para nos assegurar da maravilhosa segurança que temos em Cristo.

Desde o próprio início, quando Cristo contou a Pedro e aos outros discípulos pela primeira vez que Satanás os desejava peneirar, ele sutilmente lhes assegurou da vitória inevitável que eles experimentariam a longo prazo. Ele lhes disse, “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). Claramente, o fracasso temporário dos discípulos era apenas mais um elemento no plano perfeito de Cristo e, portanto, em última análise, ele usaria até mesmo isso para o bem.

Por causa da graça que receberam em meio ao seu fracasso, os discípulos ficaram equipados de uma forma singular para fortalecerem seus irmãos contra o fracasso. Quando, nos anos posteriores, as ondas de perseguições romanas se levantaram contra a igreja primitiva, muitos crentes seriam fortemente tentados a negar ou a abandonar Cristo para salvar a própria vida da mesma maneira que os discípulos haviam feito, os discípulos, tendo todos bebidos da amargura e da tristeza que resulta de tal apostasia, sabiam melhor do que qualquer um como encorajar crentes fracos e amedrontados a permanecerem fiéis. O próprio Pedro foi usado pelo Espírito Santo para esse propósito (1Pe 3.14-17)

Fonte: “A morte de Jesus” da Editora Cultura Cristã

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

John MacArthur - Unigênito (Jo 1.14)

A palavra “unigênito” traz a ideia de “o único amado”. Portanto, expressa a ideia de peculiaridade singular, de ser amado como ninguém outro. Por essa palavra, João enfatiza o caráter exclusivo do relacionamento entre o Pai e o Filho na divindade (cf. 3.16,18; 1Jo 4.9). Não traz a conotação de origem, mas de proeminência singular; por exemplo, foi usada para referir-se a Isaque (Hb 11.17), que foi o segundo filho de Abraão (Ismael foi o primeiro; cf. Gn 16.15; 21.2-3).


Fonte: “Bíblia de Estudo MacArthur” da Sociedade Bíblica do Brasil

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ronald Hanko - Galardão pelos nossos méritos?



...Penso que o resto da história pode ser melhor contada citando-se a Confissão Belga 24: “Então, fazemos boas obras, mas não para merecermos algo. Pois, que mérito poderíamos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras que fazemos e não Ele a nós. Pois, ‘Deus é quem efetua em’ nós ‘tanto o querer como o realizar, segundo sua boa vontade’ (Filipenses 2:13). Então, levemos a sério o que está escrito: ‘Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer’ (Lucas 17:10). Contudo, não queremos negar que Deus recompensa as boas obras; mas, por sua graça, Ele coroa seus próprios dons”. Através da graça de Deus, Ele coroa Seus dons! Esse é o galardão da graça! Várias ideias são ensinadas aqui.

(1) As boas obras que realizamos e que Deus recompensa são graciosamente nos dadas como um dom. Deus opera em nós tanto o querer como o realizar a Sua boa vontade (Fp. 2:13). Somos devedores a Deus por nossas boas obras, não Ele a nós. 

(2) Nunca, sob quaisquer circunstâncias, merecemos algo de Deus. Nem mesmo Adão, antes de cair, poderia ter merecido algo da parte de Deus. Toda a idéia de mérito humano é contrária às Escrituras. 

(3) O galardão que recebemos também nos é dado pela graça. Esse é o motivo de ser chamado “o galardão da graça”. É, nas palavras da nossa confissão, “por Sua graça que Ele coroa Seus próprios dons”. 

(4) Cada um recebe um galardão inteiramente justo, ajustado e apropriado para ele ou ela.

Fonte: Leia o texto integral em Monergismo

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Vincent Cheung - A doutrina da reprovação é justa?


Por conta do raciocínio medíocre a questão da justiça é sempre levantada quando se considera a doutrina da reprovação. De diferentes formas, as objeções correspondem ao seguinte:
  1. A Bíblia ensina que Deus é justo.
  2. A doutrina da reprovação é injusta.
  3. Logo, a Bíblia não ensina a doutrina da reprovação. 

No entanto, a premissa (2) foi assumida sem qualquer justificativa. Por qual padrão de justiça uma pessoa determina se a doutrina da reprovação é justa ou injusta? Em contraste com o que está acima, o cristão raciocina da seguinte forma:
  1. A Bíblia ensina que Deus é justo.
  2. A Bíblia ensina a doutrina da reprovação.
  3. Logo, a doutrina da reprovação é justa.

O ponto central é se a Bíblia afirma a doutrina; a pessoa não deve assumir de antemão se a doutrina é justa ou injusta. Porque Deus é o único padrão de justiça, e a Bíblia afirma a doutrina da reprovação, resulta que a doutrina da reprovação é justa por definição. Diz Calvino:
Pois a vontade de Deus é a tal ponto a suprema regra de justiça, que tudo quanto queira, uma vez que o queira, tem de ser justo. Quando, pois, se pergunta por que o Senhor agiu assim, há de responder-se: Porque o quis. Porque, se prossigas além, indagando por que ele o quis, buscas algo maior e mais elevado que a vontade de Deus, o que não se pode achar. Portanto, contenha-se a temeridade humana e não busque o que não existe, para que não venha, quem sabe, a acontecer que aquilo que existe não ache. *
* João Calvino, As Institutas, Edição Clássica.

Fonte: “Questões últimas” da Editora Monergismo.