quarta-feira, 25 de março de 2015

John Piper - Inferindo uma pressuposição filosófica de 1 Timóteo 2.4


Disse antes que algumas pessoas inferem de 1 Timóteo 2.4 (“O qual deseja que todos os homens sejam salvos”) a necessidade do livre-arbítrio, como explicação de por que todos não são salvos. Disse que isto não se deve a qualquer coisa no texto e sim a uma pressuposição filosófica trazida ao texto. A pressuposição é que, se Deus quer, em um sentido, que todos sejam salvos, então ele não pode, em outro sentido, querer que somente alguns sejam salvos.

Na verdade, se levarmos em conta o contexto mais amplo das Epístolas Pastorais, veremos que esse contexto aponta para uma solução diferente do livre-arbítrio. Paulo usou a linguagem de 1 Timóteo 2.4 novamente em 2 Timóteo 2.24-26:

Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

Tentei mostrar antes que nesta passagem Paulo explica por que alguns não chegam ao “conhecimento da verdade”. A resposta decisiva e crucial é que Deus mesmo pode dar ou não “o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade”.

Portanto, a pressuposição que parece exigir o livre-arbítrio como uma explicação de por que nem todos são salvos, apesar da afirmação de 1 Timóteo 2.4, não está no texto, nem é exigida pela lógica, nem está em harmonia com o contexto mais amplo das Epístolas Pastorais, nem é ensinada no restante da Escritura. Por conseguinte, 1 Timóteo 2.4 não resolve a questão. Tanto pensadores arminianos como reformados têm de examinar outras passagens para responder se a preservação da autodeterminação humana (livre-arbítrio) ou a manifestação da glória da soberania divina é o que restringe a vontade de Deus de salvar todas as pessoas.

Fonte: “Deus deseja que todos sejam salvos?” da Editora Fiel

terça-feira, 17 de março de 2015

John W Wenham - As ordens do Novo Testamento são superiores às do Antigo Testamento?

Frequentemente se pensa que as injunções do Novo Testamento são evidentemente tão superiores às do Antigo Testamento que, por conseguinte, não podem ter vindo de uma fonte comum. Esta ideia é o resultado de uma confusão simples, mas de grandes implicações, entre a lei civil e a lei moral. As diretrizes dadas por um legislador de perfeita sabedoria para o governo de uma comunidade decaída e pecaminosa não são, de modo algum, iguais às diretrizes que ele daria como padrão pelo qual um homem pudesse julgar sua vida interior. O Novo Testamento estabelece padrões de justiça, sem quaisquer qualificativos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”; “amarás o teu próximo como a ti mesmo”; “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Isso faz com que a atitude seja tão importante quanto a ação: o ódio é assassinato, a cobiça é adultério. Mas quando se chega à questão da elaboração das leis civis, pelas quais uma comunidade deve ser governada, a legislação bíblica baseia-se em atos visíveis, não em atitudes interiores.

Fonte: “O enigma do mal” da Edições Vida Nova

terça-feira, 10 de março de 2015

James R White - Mãe de Deus ou portadora de Deus?

Qualquer pessoa que ler os escritos da igreja primitiva saberá que a palavra traduzida por “Mãe de Deus” é o termo grego theotokos. Literalmente, a palavra significa “portadora de Deus”. Ela se tornou um título para Maria, de forma que você freqüentemente a encontrará sendo chamada de Theotokos em escritos devocionais e teológicos.

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O que é vitalmente importante é que o termo “Portadora de Deus”, conforme usado nos credos e conforme aplicado a Maria naquelas controvérsias, dizia algo sobre a natureza de Cristo, não sobre a natureza de Maria. “Mãe de Deus” é uma frase que tem significado apropriado teológico somente em referência a Cristo. Portanto, qualquer uso do termo que não esteja simplesmente dizendo: “Jesus é completamente Deus, uma Pessoa divina com duas naturezas”, está usando o termo de uma maneira anacrônica e não pode reivindicar a autoridade da igreja primitiva para tal uso.


Fonte: trechos extraídos do artigo “Maria - Outra Redentora?”. Acesse o texto integral em Monergismo.

quarta-feira, 4 de março de 2015

John Piper - Trabalhar ou servir a Deus?

A “carne” religiosa sempre quer trabalhar para Deus (em vez de humilhar-se para entender que Deus tem de trabalhar por ela em graça gratuita). Porém, “se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte” (Rm 8.13). É exatamente por isso que nossa vida depende de não trabalharmos para Deus.

Isso quer dizer que não devemos servir a Cristo? Recebemos a ordem: “Servi ao Senhor!” (Rm 12.11). Aqueles que não servem a Cristo são repreendidos (Rm 16.18). Sim, temos de servi-lo. Mas tomaremos cuidado para não servi-lo de uma maneira que indica uma deficiência da sua parte ou nos exaltar como indispensáveis.

Fonte: "Em busca de Deus" da Shedd Publicações.