quarta-feira, 27 de maio de 2015

R. C. Sproul - A fé e as obras

A relação de fé e boas obras é aquela que pode ser distinguida, mas nunca separada. Embora nossas boas obras não acrescentem nenhum mérito à nossa fé diante de Deus e apesar da única condição de nossa justificação ser nossa fé em Jesus Cristo, se as boas obras não seguem nossa profissão de fé, isto é uma clara indicação de que não possuímos a fé que justifica. A fórmula da Reforma é: “Somos justificados só pela fé, mas não por uma fé que está só”. A verdadeira justificação sempre resulta no processo de santificação. Se há justificação, a santificação inevitavelmente se seguirá. Se a santificação não resulta, é certo que a justificação não se fez realmente presente. Isso não significa que a justificação dependa ou se apoia na santificação. A justificação depende da verdadeira fé, a qual, por sua vez, inevitavelmente conduz às obras de obediência.

Fonte: “Verdades essenciais da fé cristã – 2º caderno” da Editora Cultura Cristã

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sam Storms - Ovelhas de Cristo por eleição divina

“Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor” (Jo 10.14-16).

“Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um” (Jo 10.24-30).

Claramente Jesus considera como suas ovelhas muitos que ainda não chegaram à fé. Sua identidade como ovelhas não depende de sua fé. Em vez disso, sua fé será o resultado de eles terem sido feitos ovelhas de Cristo por eleição divina.

O mesmo é verdadeiro no sentido inverso para os descrentes que não são ovelhas de Cristo. No versículo 26, Jesus diz: “... mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.” Se o Arminianismo fosse verdadeiro, Jesus deveria ter dito o oposto. Ele deveria ter dito: “Vocês não fazem parte das minhas ovelhas porque não creem.” Você poderá se lembrar de que, segundo o Arminianismo, uma pessoa entra nas fileiras dos eleitos – isto é, uma pessoa se torna uma ovelha – ao preencher a condição de fé imposta divinamente. Mas de acordo com João 10.26, ocorre o oposto. Se eles não creem em Jesus, é porque não são eleitos/ovelhas. Mas, então, é claro que eles não querem crer, preferindo a sua condição de “bodes”.

Fonte: “Escolhidos: Uma exposição da doutrina da eleição” da Editora Anno Domini.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Alister McGrath - Somos julgados por alguém que nos conhece plenamente

Podemos conseguir enganar outras pessoas, mas é impossível trapacear com Deus. O Antigo Testamento ressalta que o Senhor nos conhece por completo (Sl 139.1-4) e ainda assim nos ama. Esse tema recebe ênfase especial no Evangelho de João: Jesus nos conhece. Quando o observamos tratar com Natanael (Jo 1.47-50), com multidões (Jo 4.18), percebemos que um mesmo padrão se repete: antes mesmo que as pessoas dissessem a Jesus qualquer coisa a respeito delas, ele já sabia tudo.

Para alguns, porém, isso é profundamente perturbador. Que terrível Deus me enxergar desse jeito! Na realidade, porém, isso devia ser uma ideia bem tranquilizadora. Significa que podemos ser sinceros com Deus a nosso respeito, de um modo que seria impossível com outras pessoas. Se você decidisse contar a alguém sobre algo que o incomoda, essa pessoa talvez dissesse: “Eu nem imaginava que você fosse assim! Estou chocado!”. Deus, todavia, conhece cada um de nós. Ele conhece a realidade que jaz por trás da fachada.

Fonte: “Creio” da Editora Vida Nova

quarta-feira, 6 de maio de 2015

João Calvino - Minha resposta à Hebreus 6:4-6

Minha resposta é a seguinte: Deus certamente confere seu Espírito de regeneração somente aos eleitos, e que eles se distinguem dos réprobos no fato de que são transformados à imagem de Deus, e recebem o penhor do Espírito na esperança de uma herança por vir, e pelo mesmo Espírito o evangelho é selado em seus corações. Em tudo isso, porém, não vejo razão por que Deus não toque os réprobos com o sabor de sua graça, ou não ilumine suas mentes com alguns lampejos de sua luz, ou não os afete com algum senso de sua benevolência, ou em alguma medida não grave sua Palavra em seus corações. De outro modo, onde estaria aquela fé temporária que Marcos menciona [Mc 4.17]? Portanto, no réprobo há aquele conhecimento que mais tarde se desvanece, seja porque ele estende suas raízes com menos profundidade do que se espera, ou porque, ao crescer, é sufocado e murcha.

Ao fazer uso desse freio, o Senhor nos conserva em temor e humildade. E assim vemos com toda clareza quão inclinada é a natureza humana à displicência e tola confiança. Ao mesmo tempo, nossa solicitude deve ser tal que não perturbe a paz de nossa consciência. O Senhor prontamente e ao mesmo tempo encoraja nossa fé e subjuga nossa carne. Ele deseja que nossa fé permaneça serena e repouse como se estivesse segura num sólido abrigo. Ele exercita nossa carne com várias provas a fim de que ela não se precipite na indolência.

Fonte: “Hebreus – Série Comentários Bíblicos” da Editora Fiel