quarta-feira, 26 de agosto de 2015

J. I. Packer - O que não é convicção de pecado

O que é preciso que compreendamos, então, é que a consciência pesada do homem natural não significa absolutamente o mesmo que a convicção de pecado. Não se pode, portanto, concluir que uma pessoa está convencida do pecado, só porque está angustiada com a sua fraqueza e as coisas erradas que tenha praticado. A convicção de pecado não se reduz em sentir-se miserável consigo mesmo, suas próprias falhas e a incapacidade de satisfazer as exigências da vida. Nem seria salvadora a fé se um homem nesta condição invocasse o Senhor Jesus Cristo somente para se acalmar, animar-se e sentir-se confiante de novo. Nem tão pouco estamos pregando o evangelho (embora pudéssemos imaginar que estivéssemos), se não fizemos nada mais do que apresentar a Cristo, como se fosse um meio de satisfação dos desejos que o homem possa sentir. (Vocês estão certos de que são felizes? Estão se sentindo satisfeitos? Desejam ter paz de espírito? Sentem-se fracassados? Sentem-se cheios de si mesmos? Estão precisando de um amigo? Então venham a Cristo; ele satisfará cada uma das suas necessidades ..." - como se o Senhor Jesus Cristo fosse uma espécie de fada madrinha ou um super-psiquiatra). Não, precisamos ir mais longe do que isso. Pregar sobre o pecado não significa tirar proveito das fragilidades sentidas pelas pessoas (o truque da "lavagem cerebral"), mas de julgar suas vidas de acordo com a santa lei de Deus. Estar convencido do pecado não significa meramente sentir-se um completo fracasso, mas dar-se conta de que ofendeu a Deus, a sua autoridade, e que o provocou, desafiou, e colocou-se de forma totalmente errada com ele. Pregar a Cristo significa anunciá-lo como o Único que, por meio da sua cruz, é capaz de novamente corrigir a situação do homem diante de Deus. Depositar a fé em Cristo significa confiar nele, e somente nele, para restaurar-nos à comunhão e ao favor de Deus.

Fonte: “A Evangelização e a Soberania de Deus” da Editora Cultura Cristã.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

João Calvino - Mulher, o que tenho a ver contigo? (João 2:4)

Esta é uma passagem notável. Ora, por que ele absolutamente recusa à sua mãe o que depois graciosamente admitiu tão amiúde a toda sorte de pessoas? Além disso, por que ele não satisfaz com a mera recusa, mas ainda a coloca na categoria comum de mulher, nem mesmo honrando-a com o título de mãe? É indubitável que este dito de Cristo adverte pública e francamente aos homens a terem o cuidado de não transferir a Maria o que pertence a Deus, exaltando de modo tão supersticioso a honra do nome maternal da Virgem Maria. Cristo, pois, se dirige a mãe nesses termos com o fim de transmitir uma lição perpétua e geral a todas as gerações, para que alguma honra extravagante prestada a sua mãe não viesse a obscurecer sua divina glória.


Fonte: “O evangelho segundo João – Vol 1” da Editora Fiel.