quarta-feira, 13 de abril de 2016

Wayne Grudem - A eleição é injusta?


Se o destino final de cada pessoa é determinado por Deus, não pela própria pessoa (isto é, se até mesmo quando as pessoas fazem escolhas de livre e espontânea vontade, escolhas essas que determinam se serão salvas ou não,  na verdade é Deus quem está por trás dessas escolhas, fazendo com que de qualquer modo ocorram), então, como pode isso ser justo?

A resposta de Paulo não é do tipo que agrada nosso orgulho, e nem tenta ele dar uma explicação filosófica da razão de isso ser justo. Ele simplesmente invoca os direitos de Deus como Criador onipotente:

Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Rm 9.20-24)

Paulo diz simplesmente que há um ponto além do qual não podemos discutir com Deus ou questionar sua justiça. Ele age como age de acordo com sua vontade soberana. Ele é o Criador; nós somos as criaturas, e no final das contas não temos base alguma para acusá-lo de deslealdade ou injustiça. Quando lemos estas palavras de Paulo somos confrontados com a decisão de aceitar ou não aceitar, tanto o que Deus diz aqui como o que ele faz, simplesmente porque ele é Deus e nós não. É uma questão que penetra profundamente na compreensão que temos a respeito de nós mesmos como criaturas e a respeito de nossa relação com Deus como nosso Criador.


Fonte: “Teologia Sistemática” da Editora Vida Nova